segunda-feira, abril 20

Nuvens e Vento


Ah, não mais ter a consciência de ser, como uma pedra, como uma planta! Não recordar sequer o nome! Estendidos na erva, com as mãos cruzadas na nuca, olhar no céu azul as nuvens brancas que pairam, deslumbrantes, inchadas de sol; ou vir o vento que soa lá em cima, entre os castanheiros, do bosque com um fragor de mar.
Nuvens e vento.
O que disse? Ai de mim, ai de mim. Nuvens? Vento? E não lhe parece que é tudo, olhar e reconhecer que aquilo que paira no azul interminável e vazio são nuvens? A nuvem sabe por ventura que existe? Nem a árvore nem a pedra, que se ignoram até a si mesmas, sabem que a nuvem existe; e estão sós.
Meus caros, olhando e reconhecendo a nuvem, podem pensar até na vivência da água (e porque não?) que se torna nuvem para depois se tornar de novo água. Bela coisa, sim. Para lhes explicar isso, basta um professorzeco de Física. E para lhes explicar o porquê dos porquês?

Luigi Pirandello in Um, Ninguém e cem Mil, pag. 38 e 39, 2003

4 Comments:

PAS[Ç]SOS said...

E na inconsciência esquecer quem somos, esquecer de existir para não ter de perguntar: porquê? Porque não se quer ouvir a resposta, ou porque não há resposta para obter! Há, apenas, viver!

K said...

Para o porquê dos porquês...basta ficar deitado a olhar as nuvems passarem!!! E basta!

Beijos

~pi said...

não há explic ânsias :)






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Pingalouca said...

Gostei muito da sua forma de escrever e descrever as nuvens...
Espero poder estar ao seu nível e fazer alguma magia com as minhas palavras ao escrever também sobre as nuvens que pairam sobre as nossas cabeças virtuais... one love!!!