sexta-feira, abril 24

Um mau livro


Continuando na senda dos livros. Ontem, ao procurar a capa do livro de Héctor Abad Faciolince, que acabei por não editar, encontrei este blog! E muitos dirão: só ontem! Pois foi. Só ontem! Podia inventar e tal...mas foi só ontem! Mais vale tarde do que nunca. É o que me ocorre, nestes casos! E li lá este post que vos deixo aqui, a bold. Roubei-o. Está simplesmente delicioso na sua simplicidade. E escrito por um livreiro tem - como direi? - valor acrescentado! E, depois, claro, a analogia...eu toda coração, identifiquei-me num ápice :) Mas...

...quem nunca leu um mau livro, levante o dedo! E a sensação? Mas pior do que ler um mau livro - digo eu - é não conseguir chegar ao fim de um livro! Eu fico triste, triste! Angustiada, até! Como se fosse eu, o livro abandonado! E pesa-me! Até hoje, não foram muitos! Alguns. Sem que eu tenha conseguido avançar páginas fora, história adentro!


«A vida é demasiado curta para se ler maus livros». Eis o que diz muita gente que faz da qualidade um fetiche. Só se deve ler bons livros, ver bons filmes, ouvir boa música ou falar apenas com gente inteligente, e tudo o resto é pura perda de tempo, blá, blá, blá... No entanto, ler maus livros é uma inevitabilidade. É como ter tido uma péssima relação amorosa: faz parte da aprendizagem da vida e permite-nos distinguir o que é bom do que é mau. Mas, tal como nas relações amorosas, não sei porquê, também no caso dos maus livros temos tendência para reincidir».
Nota: Post de um livreiro que acabou de ler um mau livro.
Jaime Bulhosa
Imagem: capa do livro

12 Comments:

Gi said...

Já conhecia este blogue, como tu já, coincidentemente, reparaste.
Sou fã da Bulhosa e do Sr. Bulhosa.

Também fico bastante irritada quando não consigo terminar um livro; muitas vezes o livro não é mau, nós é que não estamos preparados para o recebermos no nosso seio.

Tantas vezes volto a pegar no mesmo livro anos depois e oas palavras que leio p assam a fazer sentido. Tantas vezes!

Marta said...

Pois é Gi! :) Eu também sou fã da Bulhosa :) quando vou a Lisboa!
Quanto ao Senhor Bulhosa, não conheço!
Não sabia, era do blog!
Isso que dizes, é verdade. Mas é diferente! Por exemplo, eu li A Insustentável Leveza do Ser com 16 anos! E, depois, fui ler novamente. Já adulta! O mesmo se passou com "Olhai os lírios do Campo", que eu li com 14 anos! E, depois, li novamente! Mas estas leituras, "fora de época" são um mundo à parte!
Refiro-me apenas aos
lros que, apesar de serem indicados "para a idade", não conseguimos lê-los! A mim, por exemplo, aconteceu-me com um autor cuja poesia eu amo e, no romance, não consegui avançar para além da 30ª página!!!!! Ainda hoje me doí! Tanto, que até escondi o livro!
bjo

Claudia Sousa Dias said...

adorei a foto da sufragista!


csd

BC said...

O sabor da leitura é sempre diferente, por muitas vezes que nós peguemos nesse livro encontraremos sempre coisas diferentes, um promenor que escapou.
Venho também dizer-te que quando quiseres podes ir pegar um abracinho lá nos OUTROS SORRISOS
BOM FIM DE SEMANA
BEIJINHOS
ISABEL

Dalaila said...

eu de facto já deixei alguns a meio.... e em alguns fiquei triste noutros aliviada.

Dalaila said...

Linda eu fui ao Pó dos livros uma vez, caí lá numa das minhas idas breves a lisboa, e foi um canto qu me perdi porque me queria sentir pó e poder ficar ali... a mexer em tudo! o Senhor que lá estava de pó não tinha nada. Lembro-me que comprei lá imensos livros... derreti tantos euros, que não se tornaram pó, mas sim vivências.
Amei a livraria

PAS[Ç]SOS said...

Creio que a qualidade não dependerá unicamente da obra, mas também, e de modo muito importante, de quem a toma. Isto não invalida, de forma alguma, a má qualidade de muitas obras, e no caos específico de alguns livros. Mas quanto às palavras sou da opinião que a vida do seu talento vive extremamente dos olhos que as recebem e lêem, e assim o mau para uns poderá ser bom para outros, ou vice-versa. E partilhando de palavras aqui publicadas, teremos de viajar pelo ‘mau’ para podermos eleger os ‘bons’. Serão assim feitas as nossas referências.

Funes, o memorioso said...

Ora bolas, eu a vir aqui aos pulos, a julgar que finalmente a ia ouvir dizer que tinha lido um livro que não tinha amado e sai-me isto.
Como é óbvio, no mundo da edição, como em qualquer outro mundo, a qualidade é uma excepção. 90% dos livros são muito, muito maus, 9% simplesmente maus e apenas 1% (se tanto) merece leitura. Não há nenhum leitor que não tenha lido livros muito maus ou que (atitude mais inteligente) não os tenha logo abandonado. O que é admissível sem espanto é que haja leitores que nunca tiveram a sorte de ler um livro bom e digno de ser amado.

Marta said...

E li, Prof. Funes! E não amei,
nem um bocadinho! Detestei!
Não tenho, é coragem de dizer quais são!
Num deles, por exemplo, arrastei-me até à pagina 78! E, depois, ainda me garantiam que era exactamente a partir daí, que o livro começava a ser bom!!! Ora!
Uma angustia! Não queira imaginar!
E esteve nos tops e tudo!
Eu bem leio o seu blog! Para aprender! Muitas coisas. E a dizer mal, também :)

Mushu said...

O conceito de livro mau ou bom não é o mesmo para todos.
Já deixei muitos a meio e alguns até na 2ª página.
Felizmente li muitos bons, e também blogs bons como o teu. :)

Su said...

eu já li maus livros.............outros não consegui acabá-los...tentei..tentei.....but.......

--------- releio os livros, todos...ok é tara minha ----


jocas maradas.......sempre

SILÊNCIO CULPADO said...

Marta

É interessante esta conclusão e também o blog donde foi retirada. Porém, por vezes, tenho alguma dificuldade em encontrar a fronteira entre um bom e um mau livro. E isto porque há livros e autores que de tão badalados e apoiados por campanhas de marketing se tornam bons, embora eu não os consiga digerir, enquanto outros continuam na sombra embora sejam excelentes.

Abraço