quarta-feira, abril 29

E o prometido é devido



Naquele trilho secreto,/Com palavra santo e senha./Eu fui língua e tu dialecto./Eu fui lume, tu foste lenha./Fomos guerras e alianças,/Tratados de paz e passangas./Fomos sardas, pele e tranças,/Popeline, seda e ganga./Dessa vez tu não cumpriste,/E faltaste ao prometido./Eu fiquei sentido e triste./Olha que isso não se faz./Disseste se eu fosse audaz,/Tu tiravas o vestido,/E o prometido é devido./Rompi eu as minhas calças./Esfolei mãos e joelhos./E tu reduziste o acordo,/A um montão de cacos velhos./Eu que vinha de tão longe,/Do outro lado da rua./Fazia o que tu quizesses,/Só para te poder ver nua./Quero já os almanaques./Do Fantasma e do Patinhas,/Os Falcões e os Mandrakes./Tão cedo não terás novas minhas./Dessa vez tu não cumpriste,/E faltaste ao prometido./Eu fiquei sentido e triste./Olha que isso não se faz./Disseste se eu fosse audaz,/Tu tiravas o vestido,/E o prometido é devido.

[sim. é uma das minhas músicas de sempre! Dos "meus" Rui Veloso e Carlos Te. tanto.tudo íssimo:)]

8 Comments:

K said...

Do que te foste lembrar!!!!

Uma grande música, cheia de histórias e paixões!!

Beijos

Claudia Sousa Dias said...

e eu que pensei que fosse do teu Aclive...parteII!

;-)


beijos


csd

vaandando said...

... boa música no descanso deste fim de tarde!
________ JRMARTO

Marta said...

Pois é CSD, hoje eu estou mais em Declive! :) é do tempo!

PAS[Ç]SOS said...

São tantas. Muitíssimas mesmo. Só para não exagerar e dizer todas. São imensas as memórias que vêm por arrasto quando as lembro, as ouço, ou arrisco trautear. Em particular do duplo álbum onde esta foi originalmente publicada são muitas e diversas as lembranças. Nele há, também por exemplo aquela ida ao Rivoli... Mas e que dizer do Porto Sentido? e poderia ficar quase eternamente aqui. Mas só para citar alguns dos muitos versos do Carlos Tê que adoro deixo estes do 'Não me mintas':
'Eu queria unir as pedras desavindas
Escoras do meu mundo movediço
As duas pedras perfeitas e lindas
Das quais nasci forte e inteiriço

Eu queria ter amarra nesse cais
Para quando o mar ameaça a minha proa
E queria vencer todos os vendavais
Que se erguem quando o diabo se assoa

Tu querias perceber os pássaros
Voar como o Jardel sobre os centrais
Saber por que dão seda os casulos
Mas esses eram já sonhos a mais

Conta-me os teus truques e fintas
Será que os Nikes fazem voar
Diz-me o que sabes e não me mintas
Ao menos em ti posso confiar

Agora diz-me agora o que aprendeste
De tanto saltar muros e fronteiras
Olha para mim vê como cresceste
Com a força bruta das trepadeiras

Põe aqui a mão e sente o deserto
Tão cheio de culpas que não são minhas
E ainda que nada à volta bata certo
Eu juro ganhar o jogo sem espinhas'

Luciano said...

Passar por aqui é uma terapia!

adevidacomedia said...

E das minhas...
Beijos

Claudia Sousa Dias said...

não acredito, Martinha!|


mesmo!!!!



beijos