quarta-feira, dezembro 30

desejo [vos] para 2010


Desejo primeiro que você ame,
E que amando, também seja amado.
E que se não for, seja breve em esquecer.
E que esquecendo, não guarde mágoa.
Desejo, pois, que não seja assim,
Mas se for, saiba ser sem desesperar.
Desejo também que tenha amigos,
Que mesmo maus e inconseqüentes,
Sejam corajosos e fiéis,
E que pelo menos num deles
Você possa confiar sem duvidar.
E porque a vida é assim,
Desejo ainda que você tenha inimigos.
Nem muitos, nem poucos,
Mas na medida exata para que, algumas vezes,
Você se interpele a respeito
De suas próprias certezas.
E que entre eles, haja pelo menos um que seja justo,
Para que você não se sinta demasiado seguro.
Desejo depois que você seja útil,
Mas não insubstituível.
E que nos maus momentos,
Quando não restar mais nada,
Essa utilidade seja suficiente para manter você de pé.
Desejo ainda que você seja tolerante,
Não com os que erram pouco, porque isso é fácil,
Mas com os que erram muito e irremediavelmente,
E que fazendo bom uso dessa tolerância,
Você sirva de exemplo aos outros.
Desejo que você, sendo jovem,
Não amadureça depressa demais,
E que sendo maduro, não insista em rejuvenescer
E que sendo velho, não se dedique ao desespero.
Porque cada idade tem o seu prazer e a sua dor e
É preciso deixar que eles escorram por entre nós.
Desejo por sinal que você seja triste,
Não o ano todo, mas apenas um dia.
Mas que nesse dia descubra
Que o riso diário é bom,
O riso habitual é insosso e o riso constante é insano.
Desejo que você descubra ,
Com o máximo de urgência,
Acima e a respeito de tudo, que existem oprimidos,
Injustiçados e infelizes, e que estão à sua volta.
Desejo ainda que você afague um gato,
Alimente um cuco e ouça o joão-de-barro
Erguer triunfante o seu canto matinal
Porque, assim, você sesentirá bem por nada.
Desejo também que você plante uma semente,
Por mais minúscula que seja,
E acompanhe o seu crescimento,
Para que você saiba de quantas
Muitas vidas é feita uma árvore.
Desejo, outrossim, que você tenha dinheiro,
Porque é preciso ser prático.
Eque pelo menos uma vez por ano
Coloque um pouco dele
Na sua frente e diga `Isso é meu`,
Só para que fique bem claro quem é o dono dequem.
Desejo também que nenhum de seus afetos morra,
Por ele e por você,
Mas que se morrer, você possa chorar
Sem se lamentar esofrer sem se culpar.
Desejo por fim que você sendo homem,
Tenha uma boa mulher,
E que sendo mulher,
Tenha um bom homem
Eque se amem hoje, amanhã e nos dias seguintes,
E quando estiverem exaustos e sorridentes,
Ainda haja amor para recomeçar.
E se tudo isso acontecer,
Não tenho mais nada a te desejar.
Vitor Hugo
imagem: Sonja Valentina

lindo

terça-feira, dezembro 29

telegramas em vez de cartas

está aí, em cima da mesa. como se fosse uma carta. lê. joga. como queiras.
é inteiramente teu.
[desta vez, a felicidade, para chegar, atravessou o oceano. tanto.tudo. íssimo]

Mas quem disse que é proibido estar triste?


Dás reviravoltas ao corpo e à imaginação para afastar a tristeza. Mas quem te disse que é proibido estar triste? A verdade é que, muitas vezes, não há nada mais sensato que estar triste; todos os dias acontecem coisas, aos outros e a nós, que não tem remédio, ou melhor, que tem esse antigo e único remédio de nos sentirmos tristes.

Não deixes que te receitem alegria, como quem prescreve uma temporada de antibióticos ou colheres de água do mar em estômago vazio. Se deixares que te tratem a tua tristeza como se fosse uma perversão ou, na melhor das hipóteses, uma doença, estás perdida: além de triste, irás sentir te culpada. E tu não tens culpa de estar triste. Não é normal que sintas dor quando te cortas? Não arde a pele se te dão uma chicotada?

Pois, do mesmo modo, o mundo, a vaga sucessão dos factos que acontecem (ou dos que não acontecem) criam um fundo de melancolia. Já o dizia o poeta Leopardi: «tal como o ar enche os espaços entre os objectos, assim a melancolia enche os intervalos entre um prazer e outro».

Vive a tua tristeza, tactei-a, desfolha-a nos teus olhos, molha-a com lágrimas, envolve-a em gritos ou em silêncio, copi-a em cadernos, anota-a no teu corpo, anota-a nos poros da tua pele. Pois só se não te defenderes fugirá, por momentos, para outro lugar que não o centro da tua íntima dor.

E para saboreares a tua tristeza vou recomendar-te também um prato melancólico: couve flor em brumas. Trata-se de cozer em vapor de água essa flor branca, triste e consistente. Devagar, com aquele odor que tem o próprio hálito que a boca exala nas lamentações, ela vaia cozendo até amaciar. E em volta em bruma, no seu vapor fumegante, põe-lhe azeite e alho e alguma pimenta, e salga-a com lágrimas que sejam tuas. Então saboreia-a devagarinho, mordendo-a do garfo, e chora mais, e chora ainda, que aquela flor acabará por ir chupando a tua melancolia sem te deixar seca, sem te deixar tranquila, sem te roubar a única coisa que é tua naquele momento, a única coisa que já ninguém te poderá tirar, a tua tristeza; mas com a sensação de teres partilhado com essa flor imarcescível, com essa flor absurda, pré-histórica, com essa flor que os noivos nunca pedem nas floristas, com essa flor de couve que ninguém põe nas jarras, com essa anomalia, com essa tristeza florescida, a tua própria tristeza de couve-flor, de planta triste e melancólica.

Héctor Abad Faciolince in Receitas de Amor para Mulheres Tristes
imagem: Nicoletta Ceccoli

receitas de amor para mulheres tristes

já cá está. mais um de Héctor Abad Faciolince.
[eu, este ano, sem saber, portei-me mesmo bem! :)]

encosta-te a mim

respeto a los valores humanos

(...) Con ocasión del nuevo año 2010 y con mis mejores felicitaciones y mis más sinceros deseos de felicidad, buena salud y sosiego, me dirijo a todos vosotros uno a uno, a todo el equipo de solidarios de la Plataforma de Solidaridad, del Centro Robert Kennedy de Justicia y Derechos Humanos, de las Asociaciones de Amistad con el Pueblo Saharaui en Europa, Estados Unidos, África, Australia, América Latina y Asia; a las personalidades premiadas con el Premio Nobel de la Paz, a los abogados, médicos, artistas y cineastas; a los escritores, profesores y alumnos de las universidades; a las organizaciones internacionales como Amnistía Internacional, Human Rights Watch y Front Line; a las instituciones internacionales como las Naciones Unidas, el Alto Comisionado para los Derechos Humanos, el Alto Comisionado para los Refugiados y el Parlamento Europeo; al Parlamento Español y al Parlamento Portugués, a los movimientos feministas, a los sindicatos y a los partidos políticos y Ayuntamientos españoles e italianos y de otros países; a los medios de comunicación españoles y argelinos y a todas las plumas libres en todo el mundo que lograron abrir una Lucerna en el velo de oscuridad tejido por la grotesca propaganda del Majzén; a la comunidad saharaui y de manera especial a la comunidad saharaui de Lanzarote y al pueblo de Lanzarote; a todos vosotros y a quienes olvidé mencionar, por lo que me excuso, os felicito por el éxito de la épica batalla del retorno y os expreso mi agradecimiento y mi reconocimiento en mi propio nombre y en el de todo el pueblo saharaui que, hoy por hoy, se enorgullece por el aumento del círculo de sus defensores y la esperanza le acompaña para continuar ejerciendo más presión con el fin de liberar al grupo de los siete encarcelados en la ciudad marroquí de Salé y a todos los presos políticos saharauis de las demás cárceles marroquíes, así como para descubrir el paradero de los desaparecidos saharauis, mientras espera que se satisfaga su exigencia de disfrutar de su legítimo derecho a la autodeterminación mediante la celebración de un referéndum libre, justo y transparente.
Y por último, deseo con todo corazón que el nuevo año 2010 sea un año de paz y de respeto a los valores humanos así como el año del triunfo de la justicia internacional.
Aminatou Haidar
[Mensagem distribuída pela Associação de Amizade Portugal - Sahara Ocidental]

a noite pede música

segunda-feira, dezembro 28

um Natal "conta-me como foi"


primeiro foi um alguidar cheio de "conta-me como foi". um alguidar em alumínio. como eram dantes os alguidares. lá dentro: o meu fogãozinho PEPE, os meus "calquitos", as minhas guloseimas - pastilhas Gorila e guarda-chuvas Regina - os meus postais, as minhas estampas, os meus cadernos, os meus lápis Viarco, a minha pandeireta do gato, a minha forma, em forma de menina, com a receita das bolachinhas de Natal! depois deste belo presente, vindo directamente de A Vida Portuguesa para as minhas mãos, recebi, ainda, esta imagem [da Rita com as vogais, mas com o cabelo loiro...um dia explico] feita quadro de parede: a página sete do meu livro de leitura da primeira classe!

[sabem, o meu livro de leitura que há uns tempos encontrei por acaso num blog?]

já eu estava fora de mim de tanta alegria, com as memórias na ponta dos dedos, dentro do olhar, à volta do coração, toda eu tão memória viva - como se fosse ontem - que já nem sabia se era eu ou aquela outra Marta que corria, manhã cedo, para ver o que o Menino Jesus tinha deixado no sapatinho.

[sim, o Menino Jesus. porque a minha mãe dizia que o Pai Natal, sim senhora, muito bonito, mas era um mero contratado. quem decidia mesmo era o Menino Jesus. e era a ele que eu e os meus irmãos remetíamos os pedidos. melhor dizendo: os sonhos. depois, mediante o nosso comportamento, durante o ano, o Menino Jesus decidiria o que nos deixaria de olhos esbugalhados e coração aos pulos]

foi assim, este ano. mas foi ainda mais incrível. porque eu não pedi nada e já não acredito que o Pai Natal é o ajudante do Menino Jesus. já nem sequer vou ao presépio cobrir o Menino com algodão em rama para que ele não tenha frio. nem deixo chocolates ao Pai Natal. para lhe agradecer.

mas acredito em milagres. e em pessoas. e em anjos.

e depois, quando já não havia mais nada de extraordinário para acontecer no meu Natal - a não ser brincar com os meus sobrinhos - eis que surge, embrulhado num papel sem cor, a capa cor de laranja do meu livro de leitura da primeira classe!

as 127 páginas do meu livro de leitura da primeira classe! esse mesmo!

as lições das letras todas todas. todas as lições. mais os desenhos da Maria Keil e do Luís Filipe de Abreu. os desenhos que eu copiava e que reconheceria em qualquer parte do mundo.
as palavras que eu aprendi. as palavras iniciais. as frases. aos poucos, as histórias. curtas. simples. muito iguais à vida.

«o p de pá. o i de igreja. o l de lua. e de lula e de lupa.

a tia tapa o pote. ela muda o mapa.

a avó ri. o avô já bebeu o café.

o bolo é de pêssego. a Teresa tirou uma rosa do vaso.

a Cecília foi ao cinema.

o meu véu é de tule. a rã coaxa de noite.

o dedal. o caracol. a mãe aquece água para o chá.

a Paula chegou da rua.»


a Marta está tão feliz!

quinta-feira, dezembro 24

Feliz Natal

a todos os queridos visitantes, amigos, familiares que passam por este meu-mini-planeta, votos de FELIZ NATAL.
TUDO DE BOM. neste e em todos os outros dias do ano.
paz.amor.saúde. e, claro, muitas e boas iguarias :)
imagem daqui

quarta-feira, dezembro 23

das meias e sapatos na lareira



«Diz a lenda que São Nicolau (o santo que inspirou a figura do Pai Natal) deixou os seus primeiros presentes (moedas de ouro) nas meias de três meninas pobres que precisavam de dinheiro para o dote de casamento. Elas tinham colocado as suas meias junto da lareira, para secarem, e na manhã do dia 25 de Dezembro encontraram-nas cheias de moedas de ouro.
Desta forma, dizem, surgiu a tradição de se pendurarem as meias na lareira.
São Nicolau foi um santo muito bondoso que viveu no século V, é conhecido também como o santo das crianças e o seu dia é comemorado a 6 de Dezembro.


Também há uma lenda para explicar o costume de, no Natal, colocar sobre o fogão o sapato que, depois, receberá as prendas.
Quando, na noite de 24 de Dezembro,os irmãos Crispim e Crispiniano fugiram às perseguições, em Crepy-Valois, fartaram-se de bater às portas das casas, mas ninguém lhes deu abrigo.
Acolheu-os, numa cabana escondida num bosque, quase a desmoronar-se, uma viúva que vivia miseravelmente com o filho. Deu-lhes uma tigela de caldo de couves e dois nacos de pão negro.
Contentes, os dois irmãos, que eram soqueiros, pediram a Deus que recompensasse a generosidade da viúva.
Crispim viu a um canto um par de socos velhos, do rapazinho. Fez um par de socos novos e colocou-os à beira da pedra da lareira, enquanto a viúva e o filho dormiam. Quando acordaram repararam que os dois hóspedes tinham desaparecido e na lareira estava um par de socos novos, transbordante de moedas de ouro.
Desde o século III, segundo a lenda, todas as crianças põem os socos na lareira, na esperança de que se repita o milagre feito por intermédio dos santos padroeiros dos sapateiros, São Crispim e São Crispiniano».
Silva Araújo in Viver o Natal, Colectânea de teatros, canções, poemas, músicas e tradições populares

terça-feira, dezembro 22

quando um homem quiser

Tu que dormes a noite na calçada de relento
Numa cama de chuva com lençóis feitos de vento
Tu que tens o Natal da solidão, do sofrimento
És meu irmão amigo
És meu irmão
E tu que dormes só no pesadelo do ciúme
Numa cama de raiva com lençóis feitros de lume
E sofres o Natal da solidão sem um queixume
És meu irmão amigo
És meu irmão

Natal é em Dezembro
Mas em Maio pode ser
Natal é em Setembro
É quando um homem quiser
Natal é quando nasce uma vida a amanhecer
Natal é sempre o fruto que há no ventre da Mulher

Tu que inventas ternura e brinquedos para dar
Tu que inventas bonecas e combóios de luar
E mentes ao teu filho por não os poderes comprar
És meu irmão amigo
És meu irmão

E tu que vês na montra a tua fome que eu não sei
Fatias de tristeza em cada alegre bolo-rei
Pões um sabor amargo em cada doce que eu comprei
És meu irmão amigo
És meu irmão

Natal é em Dezembro
Mas em Maio pode ser
Natal é em Setembro
É quando um Homem quiser
Natal é quando nasce uma vida a amanhecer
Natal é sempre o fruto que há no ventre da Mulher

José Carlos Ary dos Santos


imagem: Dorothe Lang

momentos

acabei de comer a mais deliciosa tarte de limão deste planeta e arredores.
feita pela Nina :) claro!

imagem: flagrante delícia

a noite pede música


ontem, quando cheguei, tinha os pés cheios de areia.

ou seria o coração cheio de mar?

não estou certa.

domingo, dezembro 20

a era MULTI


há por aí umas infra-estruturas, geralmente de betão municipal, que me fazem impressão.

já deram de caras com alguma. de certeza.

fui a Guimarães, jantar a casa de uns amigos. casa nova. onde fica?
- perto do pavilhão multiusos.

sinalética rodoviária indica o dito pavilhão. o multiusos.

o fenómeno não é recente.

eu não reagia assim ao prefixo multi. juro que não.

até o acarinhava. que sou de ciências sociais.

agora, desconfio dele absurdamente. e no que diz respeito ao multiusos, então, fico desvairada. tudo nos pode levar a estes locais onde tudo pode acontecer.

concertos, teatros, feiras diversas, comícios, circos, missas campais, exposições de longa e curta duração... enfim, qualquer evento cultural, comercial, desportivo, político...

uma monotonia. um desespero.

temo pela função dos lugares. temo pela [des] caracterização dos espaços.

arrepio-me só de imaginar que os teatros desaparecem, os templos desaparecem, os museus desaparecem, as casas da música desaparecem, os pavilhões desportivos desaparecem e, no lugar deles, surge, em cada vila, cidade, planeta, um multiusos gigante capaz de albergar tudo e toda a gente.

mais do que nunca estamos na era multi.

multiusos

multifunções

multifacetado

multidisciplinar

a ideia de muito, expressa pelo prefixo multi enerva-me. deixa-me ansiosa.

na tmn, dizia eu, [depois de o meu telemóvel dar de si]

- quero, por favor, um telemóvel. um telemóvel com o menor número de funções possível.

a menina “até já” olhava fixamente para mim. sem se mexer. os seus olhos diziam

- importa-se de repetir, sua louca alucinada?

- eu quero um telemóvel básico: que não dê para bater a sopa, que não dê para pintar os lábios, que não dê para secar o cabelo, que não dê para tirar café, que não dê para pendurar quadros. que não faça de GPS. um telemóvel convicto das suas funções de telemóvel. sem desvios de personalidade. sem comportamentos desviantes. tem algum?

temo pela proliferação do multi.

temo pela descaracterização dos objectos e dos edifícios.

temo pela função das coisas e dos lugares.

temo pela minha sanidade mental.

eu temo que o princípio do canivete suiço seja aplicado a tudo.
a tudo e a mais a alguma coisa.

Coração sem imagens

ao António Ramos Rosa
Deito fora as imagens.
Sem ti, para que me servem
as imagens?

Preciso habituar-me
a substituir-te pelo vento,
que está em qualquer parte
e cuja direcção
é igualmente passageira
e verídica.

Preciso habituar-me ao eco dos teus passos
numa casa deserta,
ao trémulo vigor de todos os teus gestos
invisíveis,
à canção que tu cantas e que mais ninguém ouve
a não ser eu.

Serei feliz sem as imagens.
As imagens não dão
felicidade a ninguém.

Era mais difícil perder-te,
e, no entanto, perdi-te.

Era mais difícil inventar-te,
e eu te inventei.

Posso passar sem as imagens
assim como posso
passar sem ti.

E hei-de ser feliz ainda que
isso não seja ser feliz.

Raul de Carvalho in Poemas de Amor, Organização e Prefácio Inês Pedrosa, Publicações D. Quixote, 2002

a noite pede música

sábado, dezembro 19

este fim-de-semana...

é especial! muito especial! os desenhos são de António Jorge Gonçalves. tanto. tudo. íssimo. a edição, como sempre, de Pedro Rolo Duarte. a não perder...digo eu ;)

Casa das Histórias


sexta-feira, dezembro 11

Contra a pobreza, marchar, marchar


2010 será o Ano Europeu de Luta Contra a Pobreza e Exclusão Social. antecipando a sua abertura oficial um conjunto de organizações não governamentais [ONG`s] está a organizar uma marcha, dia 17 de Dezembro, em Lisboa. O programa está aqui.
Numa Europa que conta 79 milhões de pobres é bom que não fiquemos INDIFERENTES!
Se podemos marchar, ao menos, marchemos.

Logo, às 21, pois claro!

Logo, às 21 horas, na Leitura do Cidade do Porto. Claro que não faltarei :)

Por um sorriso


Mimos de Natal - POR UM SORRISO - começa hoje, na Alfândega do Porto, e encerra no próximo Domingo. É um espaço multi produto onde pode comprar todos os presentes para o Natal. Todos os presentes não é bem assim... é mais mimos. Mimos de Natal. Coisas especiais para pessoas especiais. O parque de estacionamento é gratuito e a entrada, em parte, reverte a favor do projecto POR UM SORRISO, ou seja, para as crianças desfavorecidas do Centro Histórico do Porto. Mais aqui. E, agora, passe pela Alfândega. Contribua para um sorriso :)

com um vestido preto...


um vestido distinto para cada ocasião. tão simples. tão prático. principalmente nos dias em que acordo com vontade de usar farda...só para não pensar no que vestir!
e como dizia uma senhora muito querida dos palcos portugueses...com um vestido preto...eu nunca me comprometo ;)

sábado, dezembro 5

rua da saudade




é um disco lindo. que me tem feito companhia. uma homenagem ao poeta Ary dos Santos que, se estivesse vivo, faria anos segunda-feira.

agora, esta música, vai com dedicatória para a Zaclis. ouvi-la converteu esta minha rua, na rua da saudade. o resto, amiga, segue pelo correio :)

a grande notícia

a nossa querida, muito pequenina, muitíssimo forte e absolutamente linda ALEXANDRA
já está em casa :)
[...]
- E então não sei o que dizer
junto à taça de pedra do teu tão jovem silêncio.
Quando as crianças acordam nas luas espantadas
que às vezes se despenham no meio do tempo
- não sei como dizer-te que a pureza,
dentro de mim, te procura.

Durante a primavera inteira aprendo
os trevos, a água sobrenatural, o leve e abstracto
correr do espaço -
e penso que vou dizer algo cheio de razão,
mas quando a sombra cai da curva sôfrega
dos meus lábios, sinto que me faltam
um girassol, uma pedra, uma ave - qualquer
coisa extraordinária.
Porque não sei como dizer-te sem milagres
que dentro de mim é o sol, o fruto,
a criança, a água, o deus, o leite, a mãe,
o amor,
que te procuram.

Herberto Helder
in Poesia Toda

sexta-feira, dezembro 4

[A] esta gripe...


ou da importância de ter um tapete amplo à porta de casa.
no dia seguinte ao concerto do Rodrigo Leão - e estou grata por isso, por ter sido depois - já a febre estava quase nos enta. dores no corpo, dores de cabeça. tudo normal, portanto. é gripe, pensei eu. tomei ben-u-ron, deitei-me. adiei os compromissos de segunda-feira, contando com os três dias da praxe para me reabilitar. o domingo foi passando, lentamente. e eu esquecida das refeições. pior: quando me lembrei, um enjoo completo. a ideia de me alimentar enjoou-me!!!!então, é gripe A! aliás, estou com os pés para a cova, diagnostiquei. [quem me conhece sabe do que falo] liguei para a linha Saúde 24. enquanto esperava, voltei a ouvir a voz da Celina da Piedade. depois, veio a enfermeira Mónica. absolutamente profissional. e querida. pela descrição deve ser a A, disse. fui a um hospital privado e ao fim de hora e meia, saí de lá com ordem de reclusão e isolamento, uso obrigatório de máscara e uma receita de ben-u-ron e brufen para alternar, de oito em oito horas. ordem para beber muitos líquidos, comer frutas, saladas.
dois dias que não havia forma de a febre não passar a 38, pelo menos. só o nestum com mel era o responsável por eu comer qualquer coisa. até que o meu estômago começou a doer. muito. voltei ao médico. desta vez, ao centro de saúde, onde encontraria a minha médica. saí ao final da tarde. de máscara. evidentemente. uns olham, desconfiados, outros risonhos, outros piedosos... uma senhora, no centro de saúde, em vez de se afastar, como a maior parte das pessoas, aproximou-se e, sentidamente, perguntou-me:
-como é que a menina consegue respirar com isso no focinho? coitadinha...
lá expliquei à senhora que a máscara não impedia a respiração, mas não saiu da minha beira convencida. desejou-me as melhoras e seguiu a sua vida, por outro corredor.
umas gotas de sol [vitamina D], uns comprimidos para o enjoo, magnésio e a suspensão do brufen, eram, agora, as novas instruções. todo o resto se mantinha constante. o isolamento imperativo. tal como a máscara.
novamente em casa, nem ler conseguia. nem ver televisão, nem nada. só dormir.
família e amigos ligavam a saber como estava, o que precisava. nada, nada. obrigada. só preciso ficar melhor. não te apetece nada em especial? não dizia eu, com pena. as gripes sempre foram momentos excelentes para me mimar com um docinho, um salgadinho, um inho culinário qualquer. desta vez. nem chocolate preto me apetecia. nem a aletria, quentinha, da minha mãe. aí, sim, pensei, vou desta.
mas os amigos, alguns, não acreditaram em mim, na minha falta de apetite, e, foi assim que descobri a importância de ter um tapete amplo à porta de casa. foi nesse tapete que aterraram algumas iguarias. ele era bolo rei do Doce Alto, empadinhas da Ribeiro, até um caldo verde do Alcaide. depois telefonavam-me e diziam: vai ao tapete, rápido, antes que o vizinho da frente leve :) são assim, os meus amigos, criativos e profundamente generosos, apesar de não me quererem ver nem pintada ;) nem eu a eles. até segunda-feira. tem de ser. a bem de todos.

5 revelações


Eu já tive... gripe A [estou quase, quase a deixar de ter...até já estou a blogar :) novamente]

Eu nunca... joguei Solitário

Eu sei... muitas coisas inúteis

Eu quero... tanto, tantos nadas

Eu sonho... muito, acordada


aqui está o desafio lançado pelo Crónicas do Rochedo
e eu lanço-o a quem o quiser responder :)

conversas para entender o mundo


o programa Visão Global, da Antena 1, está, agora, em livro. o jornalista Ricardo Alexandre e o embaixador José Cutileiro à conversa... a ver se entendemos o mundo.

mesmo a tempo de o adicionar à lista. de Natal.

a chancela é da Prime Books

colectivarte


acabou de inaugurar. COLECTIVARTE NATAL. estará patente até ao dia 9 de Janeiro.

28 artistas ligados às várias expressões artísticas: pintura, desenho, fotografia e escultura.

Artistas: Abel Quelhas Quintas, Ana Carvalho, Ana Cristina Pinto, Ana Romero, Ari, David Oliveira, Elisabete Ferreira, Emerenciano, Evelina Oliveira, Falcão, Filipe Fonseca, Guilhermina Pereira, Hugo de Almeida, Joni, José Emídio, José Rosinhas, Kasia Gubernat, Kika da Costa Campos, Leonor Feijó, Linda Correia, Maria Rosas, Marta Horta Belo, Olga Santos, Paulo Pimenta, Rui Sousa, Sónia Borges, Veiga Luís, Xaime Fuontes.

[a não perder]

sábado, novembro 28

a noite pede música

foi fabuloso...o concerto desta noite.... uma vezes 7, outras 8. em palco...

mágníficos. a merecerem todos os encores.

num Coliseu do Porto muito entusiasta e cheio como um ovo. tanto.tudo.íssimo.

parabéns...e uma lareira acesa


amanhã, O meu sofá amarelo faz um ano. parabéns :) é de lá que trago a lareira.... cheia de vontade de acender a minha. tão bom...

sexta-feira, novembro 27

SAI + O que resta de Deus

chama-se SAI. é uma revista de bolso. no canto inferior direito da capa diz: Portugal cultura e tendências urbanas. gostei. gostei bastante. só não gostei, mesmo nada, de perder, hoje, às 18.3oh, a oportunidade de ouvir José Tolentino Mendonça + Armando Silva Carvalho. foi a primeira conferência sobre O QUE RESTA DE DEUS. há mais. o programa fica aqui.

é no Teatro Nacional São João. amanhã, dia 27, é a vez de Ilda David + Paulo Pereira.

quinta-feira, novembro 26

a pior banda do mundo


José Carlos Fernandes é um dos meus autores de BD preferidos. regresso frequentemente aos seus livros. O Quiosque da Utopia é recorrente. faz parte da "fabulástica" colecção A PIOR BANDA DO MUNDO. talento. imaginação. autógrafos, assim, de admirar. de encaixilhar.
[ logo à entrada de O Quiosque da Utopia:
«Las escasas consistencias del mundo
Comienzam siempre em los rincones.
Y las cosas olvidadas
Guardam las únicas señales
(Roberto Juarroz, Decimotercera Poesia Vertical)
[porque me lembrei de muitas coisas que estão a acontecer]

quarta-feira, novembro 25

é esta a razão



Porto, 25 de Novembro, 2009



meu querido,

é esta a razão: é transparente como eu e tu, quando nos encontramos e, também, quando nos perdemos. não. o perder não é de nós. é dos outros.


é assim, transparente, porque a procurei assim, exactamente igual aos teus sonhos sem nevoeiro. aqueles, onde há crianças e sons cristalinos, tão limpos e cheios como casas ao domingo.


lá dentro, encontras uma mesa infinita, sorrisos ternos, olhares de espanto e espanta-espíritos coloridos. encontras livros, cravos, memórias sem mágoa, um mar imenso. eu sei que sabes.


e tem uma tampa, para que o aroma e os sabores não percam intensidade.


lá dentro, como podes ver de qualquer ângulo, tem, ainda tudo que te possa fazer feliz. música, um arco íris, palavras e almendrados. um gato? claro que tem um gato. vê bem. tem quadros, cartas e até um cais. o de sempre. porque se gostas de partir - e eu sei que gostas – tens no regresso a tua autenticidade. essa coisa de pertencer a um lugar. um dia, a um coração ou a qualquer vento que te chame.


se olhares com atenção vês, ainda, uma estrela, a infância, t-shirts puídas, uma bola azul, filmes por ver. uma manta e um sofá. coisas simples que te dão chão.


é por isso que é transparente. para veres tudo. intacto e sereno. como gostas.


lá dentro, só não encontras o bem que te quero, porque o bem que te quero não cabe em nenhuma parte do mundo, nem sequer no mundo inteiro.



ps. a fotografia tem amarelo. porque não te cansa. é acolhedor e intenso. como tu

imagem: Leila Pugnaloni

Questiono a eficiência


Questiono a eficiência, logo o valor, do raciocínio que é cultivado de qualquer forma particular que não seja a lógica abstracta. Questiono em especial o raciocínio originado pelo estudo matemático. A matemática é a ciência da forma e da quantidade; o raciocínio matemático é simplesmente a lógica aplicada à observação da forma e da quantidade. O grande erro reside na suposição de que mesmo as verdades do que é chamado de álgebra pura são verdades abstratas ou gerais. E esse erro é tão óbvio que fico espantado com sua aceitação universal. Os aximoas matemáticos não são axiomas de verdade geral. O que é uma verdade de relação é muitas vezes grosseiramente falso quanto à moral, por exemplo. Nessa última ciência, é muito comumente não-verdadeiro que a soma das partes deja igual ao todo.



Edgar Alan Poe in A Carta Roubada

imagem: google

segunda-feira, novembro 23

estão todos convidados

[clicar na imagem para aumentar]

amanhã, terça-feira, às 21.30, no Piolho
Café Âncora d´Douro - Um Século de Vivências
da autoria do jornalista Alfredo Mendes, apresentado pelo Professor Paulo Morais
a não perder. de forma nenhuma :)

Cinco Horas


Minha mesa no Café,

Quero-lhe tanto...A garrida

Toda de pedra brunida

Que linda e que fresca é!


Um sifão verde no meio

E, ao seu lado, a fosforeira

Diante do meu copo cheio

Uma bebida ligeira.


(Eu bani sempre os licores

Que acho pouco ornamentais:

Os xaropes têm cores

Mais vivas e mais brutais)


Sobre ela posso escrever

Os meus versos prateados,

Com estranheza dos criados

Que me olham sem perceber...


Sobre ela descanso os braços

Numa atitude alheada,

Buscando pelo ar os traços

Da minha vida passada.


Ou acendendo cigarros,

- Pois há um ano que fumo -

Imaginário presumo

Os meus enredos bizarros.


(E se acaso em minha frente

Uma linda mulher brilha,

O fumo da cigarrilha

Vai beijá-la, claramente...)


Um novo freguês que entra

É um novo actor no tablado,

Que o meu olhar fatigado

Nele outro enredo concentra.


E o carmim daquela boca

Que ao fundo descubro, triste,

Na minha ideia persiste

E nunca mais se desloca.


Cinge tais futilidades

A minha recordação,

E destes vislumbres são

As minhas maiores saudades...


(Que história de Oiro tão bela

Na minha vida abortou:

Eu fui herói de novela

Que autor nenhum empregou...)


Nos cafés espero a vida

Que nunca vem ter comigo:

- Não me faz nenhum castigo,

Que o tempo passa em corrida.


Passar tempo é o meu fito,

Ideal que só me resta:

P´ra mim não há melhor festa,

Nem mais nada acho bonito.


Cafés da minha preguiça,

Sois hoje - que galardão! -

Todo o meu campo de acção

E toda a minha cobiça.


Mário de Sá Carneiro


[poema dedicado ao meu absolutamente querido Alfredo Mendes que, amanhã, lança um livro sobre o Piolho, café que assinala este ano, um século]
imagem: Lesser Ury, Abend in Café Bauer, 1898

festivalar por aí


«O Festival Materiais Diversos é um grito no topo da serra mas adora o silêncio dos espectáculos /Festival Materiais Diversos is a cry at the top of the mountain but loves the silence of performances» programa.

domingo, novembro 22

fazes falta aos dois...





[devolução de SMS:
..."aparece, fazes falta aos dois. os dois sou eu e o resto do mundo"
PARABÉNS meu querido João Negreiros]
imagens:Tiago Taron

a noite pede música

divina...sempre.

O funcionário cansado

A noite trocou-me os sonhos e as mãos



dispersou-me os amigos


tenho o coração confundido e a rua é estreita


estreita em cada passo


as casas engolem-nos

sumimo-nos


estou num quarto só num quarto só


com os sonhos trocados


com toda a vida às avessas a arder num quarto só


Sou um funcionário apagado


um funcionário triste


a minha alma não acompanha a minha mão


Débito e Crédito Débito e Crédito


a minha alma não dança com os números


tento escondê-la envergonhado


o chefe apanhou-me com o olho lírico na gaiola do quintal


em frente


e debitou-me na minha conta de empregado


Sou um funcionário cansado de um dia exemplar


Porque não me sinto orgulhoso de ter cumprido o meu dever?


Porque não me sinto irremediavelmente perdido no meu cansaço?


Soletro velhas palavras generosas


Flor rapariga amigo menino


irmão beijo namorada


mãe estrela música.


São as palavras cruzadas do meu sonho


palavras soterradas na prisão da minha vida


isso todas as noites do mundo uma noite só comprida


num quarto só


António Ramos Rosa, de O Grito Claro, 1958

Pedro Costa em Serralves


«O Museu de Arte Contemporânea de Serralves apresenta uma programação em torno do cinema de Pedro Costa, um dos mais singulares realizadores da actualidade, cuja obra continua a ser celebrada por todo o mundo, como o testemunha a retrospectiva que recentemente foi dedicada ao seu trabalho na Tate Modern, em Londres, no passado mês de Outubro. Várias trabalhos de Pedro Costa terão agora a sua estreia na cidade do Porto. Aproveita-se a apresentação ao público de NE CHANGE RIEN, o mais recente filme de Pedro Costa, para propor uma reflexão sobre a sua obra. Volvidos vinte anos após a sua estreia, revisita-se O SANGUE, a primeira longa-metragem do autor, na qual, recordando as palavras de João Bénard da Costa, “um cineasta ousa filmar a preto e branco porque só o preto e branco pode dar a ver as coisas escuras e claras que tem para mostrar […]”. Numa exposição documental, serão apresentados cartazes e fotografias dos filmes do realizador. Destaca-se também a estreia no Porto do filme colectivo O Estado do Mundo, filme colectivo realizado por seis dos mais originais realizadores da actualidade, a convite da Fundação Calouste Gulbenkian. O lançamento do livro “Cem Mil Cigarros - Os Filmes de Pedro Costa”, será um momento propício à reflexão e discussão que este cinema motiva nos seus espectadores, que aqui terão a ocasião de se encontrarem com Pedro Costa e com algumas das pessoas que mais têm acompanhado a sua obra .» mais, aqui.

Conservadores

Há dois tipos de conservadores no mundo: os que sempre foram, e vivem felizes na sua condição, tranquilos nos blazers espinhados, nos padrões Burberry e nas camisas de xadrez; e os que demoram anos a reconhecer o seu próprio conservadorismo e fazem-no sempre a contragosto, resistindo às evidências.
Pertenço, evidentemente, a estes últimos – razão pela qual persisto na ideia de conviver harmoniosamente com a modernidade, embora só me sinta feliz nos lugares e cenários que já conheço. Uma agenda Filofax. Um disco que já ouvi. Um autor que não me surpreende. Uma bebida que conheço há anos. O eterno Cozido à Portuguesa do Painel de Alcântara. O croquete do Gambrinus. Vergílio Ferreira. Sting. João Gilberto. O pastel de massa tenra do Frutalmeidas.
Gosto do que é novo – mas o confronto cansa-me Gosto de conhecer novas cidades – mas logo que posso volto a Londres e a Barcelona. Defendo o casamento entre pessoas do mesmo sexo – mas se me falam em adopção, vacilo.
Propositadamente misturo o que não se mistura – para que se perceba que há, no conservador não assumido, algo que está aquém e além da ideologia ou sequer da cultura familiar. Como se tivesse uma marca genética que não se consegue vencer por decreto. [...] continua aqui.

Pedro Rolo Duarte in Revista Nós, nº29, jornal "i"

Parabéns e muitas mais histórias

JARDIM DE INVERNO do TEATRO SÃO LUIZ
hoje 22 Novembro, ÀS 15h, Entrada livre

«A História Devida faz 4 anos e regressa ao Jardim de Inverno do São Luiz para mais um encontro com todos os que têm ajudado a construir este Projecto Nacional de Histórias.
Dinarte Branco, Inês Fonseca Santos, Miguel Guilherme e Nuno Artur Silva juntam-se aos actores Diogo Dória e Rui Morisson para contar as histórias que, nestes 4 anos, fizeram a história d'A História Devida.
Pela voz dos vários actores chegam-nos histórias de amor, ciúme, amizade e morte; da infância e da velhice; da guerra e de outras experiências coloniais; de animais domésticos e selvagens; episódios cómicos, tristes e brutais; gaffes hilariantes e mágoas profundas; pequenos e grandes dramas; coincidências bizarras e inesperadas; sonhos, pesadelos, pressentimentos, intuições e premonições; e também histórias com temas e formatos que comprovam o lema d' A História Devida: toda a gente tem uma história para contar.»
[queria muito estar aí, hoje. e fiz por isso, mas não consegui.PARABÉNS A TODA A EQUIPA. E A TODOS OS CONTADORES DE HISTÓRIAS.]

sexta-feira, novembro 20

grandes poemas para viagens pequenas

retirado do blog do autor. aqui.

saudades de Macau


...e este, entre muitos, é especial. de 2002. dez anos antes, eu estava em Macau. sim, saudades, muitas. muitas. íssimas.
sobre o livro, aqui.

30 anos é obra...

a má notícia é que amanhã, Sábado, às 17 horas não vou poder estar presente na Comunidade de Leitores, na Almedina do Arrábida Shopping. Alice Vieira é a escritora convidada.
30 anos é obra...literária... pois é, tenho mesmo muita, muita pena de não poder lá ir...
"se perguntarem por mim digam que voei"...

imagem: publicada no jornal “i"

2ª edição para Aqui na Terra

«Já é oficial: o “Aqui na Terra” vai para segunda edição. A boa notícia junta-se a outra: em cinco meses, fizemos já dez apresentações do livro, “à deriva, com o rumo certo”. E feitas as contas, juntamos mais de 400 pessoas em diversas sessões e tertúlias, muitas vezes a horas ditas impraticáveis. Verificamos que, afinal, há por esse País fora, quem queira ser cúmplice de palavras e ideias…aqui na terra. Entretanto, as apresentações no Alentejo transitam para Janeiro. Até porque, até meados de Dezembro, serão agendadas sessões em Espinho, São João da Madeira, Vieira do Minho e, possivelmente, Lisboa. A 15 de Dezembro sai nova fornada. E enquanto houver estrada para andar, a gente vai continuar…»

[...lê-se no blog do autor. em alguma das sessões agendadas voltarei a estar. antes do Natal... é que não há melhor presente do que um livro e um livro autografado, então, é a cereja...depois da capa...]

quinta-feira, novembro 19

CRESCER SER

«A Crescer Ser - Associação Portuguesa para o Direito dos Menores e da Família, é uma Instituição Particular de Solidariedade Social, tem em pleno funcionamento seis Centros de Acolhimento- Casa da Encosta, Casa do Infantado, Casa do Parque, Casa da Ameixoeira, Casa do Vale e Casa de Cedofeita . Destinam-se a crianças e jovens privados do meio familiar, vítimas de violência ou provenientes de famílias cuja situação exija apoio transitório que permita a estabilização de vida e o futuro encaminhamento adequado de crianças. » Para mais informações poderá visitar o site AQUI

SE ainda não tem os postais de Natal que vai enviar a familiares e amigos peça-os, por favor, através do e-mail: casadovale@crescerser.org. é apenas uma das muitas formas de ajudar esta instituição que tem desenvolvido um trabalho notável. obrigada.

segunda-feira, novembro 16

com 100 gramas na carteira

sem tempo para almoçar, os meus dias tem sido terríveis. de modo que ando sempre com 100 gramas na carteira. de dark noir orange intense. este mesmo. o meu preferido. água, chocolate e iogurtes líquidos para beber dentro do carro, em trânsito. a maratona começou a semana passada e vai até ao Natal. - 09.00/12.00h - 13.00/16.00h/..................... 45 km...................... 18.30/22.30........................ + 45 km.............................home sweet home........................despertador....................................e vira o disco e toca o mesmo.
intensos, estes dias. mas doces q.b. como o meu chocolate preferido. depois, tudo mudará :) e eu vou voltar a almoçar normalmente. sentada à mesa e com tempo. ou não fosse eu adepta da slow food.
imagem: digitalização da embalagem do meu chocolate

Parabéns Senhor Dom Grifo Planante


...a correr a correr, antes que chegue a meia noite e o 16 passe para o 17...
...PARABÉNS querido JOÃO Menéres...
[...na vida real, porque aqui, neste planeta, já passou... :)]
...muitos parabéns SENHOR Dom Grifo Planante...
...sabia que o Mar tem a honra de assinalar o seu dia [nacional], no dia do seu aniversário? pois é! duas forças da natureza !
...por isso, deixo-lhe um poema que tem a ver com os dois :) MUITAS FELICIDADES
Aqui nesta praia onde
Não há nenhum vestígio de impureza,
Aqui onde há somente
Ondas tombando ininterruptamente,
Puro espaço e lúcida unidade,
Aqui o tempo apaixonadamente
Encontra a própria liberdade.

domingo, novembro 15

Mad Girl's Love Song


I shut my eyes and all the world drops dead;

I lift my lids and all is born again.

(I think I made you up inside my head.)


The stars go waltzing out in blue and red,

And arbitrary blackness gallops in:

I shut my eyes and all the world drops dead.


I dreamed that you bewitched me into bed

And sung me moon-struck, kissed me quite insane.

(I think I made you up inside my head.)


God topples from the sky, hell's fires fade:

Exit seraphim and Satan's men:

I shut my eyes and all the world drops dead.


I dreamed that you bewitched me into bed

And sung me moon-struck, kissed me quite insane.

(I think I made you up inside my head.)


God topples from the sky, hell's fires fade:

Exit seraphim and Satan's men:

I shut my eyes and all the world drops dead.


I fancied you'd return the way you said,

But I grow old and I forget your name.

(I think I made you up inside my head.)


I should have loved a thunderbird instead;

At least when spring comes they roar back again.

I shut my eyes and all the world drops dead.

(I think I made you up inside my head.)


Cerro os olhos e cai morto o mundo inteiro

Ergo as pálpebras e tudo volta a renascer

(Acho que te criei no interior da minha mente)


Saem valsando as estrelas, vermelhas e azuis,

Entra a galope a arbitrária escuridão:

Cerro os olhos e cai morto o mundo inteiro.


Enfeitiçaste-me, em sonhos, para a cama,

Cantaste-me para a loucura; beijaste-me para a insanidade.

(Acho que te criei no interior de minha mente)


Tomba Deus das alturas; abranda-se o fogo do inferno:

Retiram-se os serafins e os homens de Satã:

Cerro os olhos e cai morto o mundo inteiro.


Imaginei que voltarias como prometeste

Envelheço, porém, e esqueço-me do teu nome.

(Acho que te criei no interior de minha mente)


Deveria, em teu lugar, ter amado um falcão

Pelo menos, com a primavera, retornam com estrondo

Cerro os olhos e cai morto o mundo inteiro:

(Acho que te criei no interior de minha mente.)


Sylvia Plath

translated by Maria Luíza Nogueira in A REDOMA DE CRISTAL, pag. 225, Ed. Artenova, Brazil, 1971
imagem: Leila Pugnaloni