Tu que dormes a noite na calçada de relentoNuma cama de chuva com lençóis feitos de vento
Tu que tens o Natal da solidão, do sofrimento
És meu irmão amigo
És meu irmão
E tu que dormes só no pesadelo do ciúme
Numa cama de raiva com lençóis feitros de lume
E sofres o Natal da solidão sem um queixume
És meu irmão amigo
És meu irmão
Natal é em Dezembro
Mas em Maio pode ser
Natal é em Setembro
É quando um homem quiser
Natal é quando nasce uma vida a amanhecer
Natal é sempre o fruto que há no ventre da Mulher
Tu que inventas ternura e brinquedos para dar
Tu que inventas bonecas e combóios de luar
E mentes ao teu filho por não os poderes comprar
És meu irmão amigo
És meu irmão
E tu que vês na montra a tua fome que eu não sei
Fatias de tristeza em cada alegre bolo-rei
Pões um sabor amargo em cada doce que eu comprei
És meu irmão amigo
És meu irmão
Natal é em Dezembro
Mas em Maio pode ser
Natal é em Setembro
É quando um Homem quiser
Natal é quando nasce uma vida a amanhecer
Natal é sempre o fruto que há no ventre da Mulher
José Carlos Ary dos Santos
imagem: Dorothe Lang


8 Comments:
Eu conheço esta imagem...
Mas, não estou certo de quem seja.
Gageiro?
Ana Esquível?
(ou nenhum dos dois...).
Um beijo, MARTA.
Conforme está impressa, não me parece do S.S.
Se eu tiver tempo amanhã, tento localizar.
Seguramente, um dos poemas mais idiotas da História humanidade. Muito bom, para uma quadra tão idiota como aquela em que se transformou o Natal.
A imagem é um clássico da Dorothe Lang. Foi feita durante a depressão americana.
Belo post.
belíssimo.
vou tentar lê-lo amanhã na rádio no final dos discos pedidos
Minha linda! O texto é lindo e cabe muito bem com a foto.
Dorothea Lange fez essa foto na Califórnia em 1936 pela FAS (Farm Security Administration). O nome da foto que é um ícone da grande depressão é "Mãe Emigrante". A personagem chama-se Florence. A menina que aparece na direita, filha da Florence, disse que a fama da foto (que foi reproduzida em mais de 10 mil publicações) fez com que a família se envergonhasse de sua pobreza.
ZACLIS VEIGA
e
LINA FARIA
Obrigado por me terem feito luz!
Conhecer, é claro que conhecia, mas a memória, essa não me ajudou.
Um beijo para as duas.
BOM NATAL !!!
... pena que a maioria das pessoas se esqueça facilmente que não é preciso "natal" para que haja humanidade e compreensão, ternura, amor (verdadeiro) e solidariedade.
beijinhos.
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