Terça-feira, Janeiro 31

...o que andam a ler?

                                                     

What they are reading?

Domingo, Janeiro 29

a noite pede musica



...e agora outra voz portuguesa por quem caí de amores na passada sexta-feira,
quando a descobri no FB! "A música portuguesa a gostar dela própria" e eu a gostar de encontrar música portuguesa assim... anotem aí, por favor: Elisa Rodrigues!

...o CD acabou de sair! e eu já saí para o comprar!

...oh se a pudesse ouvir cantar...no aniversário de um amigo :)))

"Mi casa es tu casa" não poderia estender-se ao Porto, um dia destes ???

Havia um homem que corria pelo orvalho dentro

Havia um homem que corria pelo orvalho dentro.


O orvalho da muita manhã.

Corria de noite, como no meio da alegria,

pelo orvalho parado da noite.

Luzia no orvalho. Levava uma flecha

pelo orvalho dentro, como se estivesse a ser caçado

loucamente

por um caçador de que nada se sabia.

E era pelo orvalho dentro.

Brilhava.



Não havia animal que no seu pêlo brilhasse

assim na morte,

batendo nas ervas extasiadas por uma morte

tão bela.

Porque as ervas têm pálpebras abertas

sobre estas imagens tremendamente puras.



Pelo orvalho dentro.

De dia. De noite.

A sua cara batia nas candeias.

Batia nas coisas gerais da manhã.

Havia um homem que ia admiravelmente perseguido.

Tomava alegria no pensamento

do orvalho. Corria.



Ouvi dizer que os mortos respiram com luzes transformadas.

Que têm os olhos cegos como sangue.

Este corria, assombrado.

Os mortos devem ser puros.

Ouvi dizer que respiram.

Correm pelo orvalho dentro, e depois

estendem-se. Ajudam os vivos.

São doces equivalências, luzes, ideias puras.

Vejo que a morte é como romper uma palavra e passar



— a morte é passar, como rompendo uma palavra,

através da porta,

para uma nova palavra. E vejo

o mesmo ritmo geral. Como morte e ressurreição

através das portas de outros corpos.

Como uma qualidade ardente de uma coisa para

outra coisa, como os dedos passam fogo

à criação inteira, e o pensamento

pára e escurece



— como no meio do orvalho o amor é total.

Havia um homem que ficou deitado

com uma flecha na fantasia.

A sua água era antiga. Estava

tão morto que vivia unicamente.

Dentro dele batiam as portas, e ele corria

pelas portas dentro, de dia, de noite.

Passava para todos os corpos.

Como em alegria, batia nos olhos das ervas

que fixam estas coisas puras.

Renascia.


Herberto Helder in "A faca não corta o fogo" Assírio & Alvim, 2008

porque sim



...este blog fez ontem 3 anos!
... quero agradecer a quem não se esqueceu e também a quem, como eu, não se lembrou :)))
...e para assinalar a data, deixo este vídeo enviado pelo CP! um belíssimo poema do imenso Herberto Helder! Obrigada CP! Obrigada queridos terráqueos!

Luísa Sobral: a cereja no bolo... de aniversário... da Dalila...

Tenho mesmo de partilhar isto convosco!
Foi uma surpresa deliciosa e inesperada!
Guimarães, todos sabemos, transborda de cultura. Lemos notícias aqui e ali. Ouvimos na rádio, vemos na televisão. Mas outra coisa é ir lá! E mesmo que não vamos com o intuito de ver algo programado pela Capital Europeia da Cultura isso pode acontecer! Mesmo!
O certo é que a partir de agora eu creio que tudo pode acontecer em Guimarães!
E mesmo que não nos mexamos, Guimarães mexe connosco!
Uma espécie de “se Maomé não vai à montanha, vai a montanha a Maomé”! Verdade que vai!
Eu explico: ontem fui ao aniversário de uma querida amiga.
Vimaranense com sangue azul. Pois é! Fui à sua festa de anos, como costumo ir. Mas, de repente, estava a assistir a um espectáculo da programação “Guimarães 2012”! Não, não fiz nenhum desvio nem desisti à última da hora da sua festa. Nem fui raptada, nem houve qualquer anomalia no caminho que sempre tomo para sua casa. Foi exactamente na sua casa que tudo aconteceu e me encantou.
Por muitos motivos e mais um. O mais um…chama-se… (já lá vou!)

Estávamos os amigos do costume e mais não sei quantos desconhecidos. Verdade! Muitas pessoas. Casa cheia. Literalmente! A casa dos meus amigos Ricardo e Dalila estava cheia como um ovo! Não cabia mais ninguém lá dentro. Só faltava que se pendurassem nos candeeiros! Velhos, novos, adolescentes, crianças. Uns sentados nos tapetes, como se fosse na relva, outros nas cadeiras e nos sofás da sala, outros de pé! Éramos nós, os que fomos ao aniversário e os outros, os que foram ao concerto!
Eu explico melhor: “Mi casa es tu casa”. Chama-se assim a iniciativa que levou vários concertos (e muitos desconhecidos!) às casas dos vimaranenses. Os domicílios foram convertidos em salas de espectáculos, em mini casas da música, se quiserem. E entrava quem queria. Daí estarem lá os tais ilustres anónimos, que ninguém sabia quem eram, na casa da aniversariante, a partilharem a sala e a mesa connosco!
Parece que a ideia - brilhante, eu acho – foi do Fernando Alvim! E, ao que me dizem, foi um sucesso. O que aconteceu na casa dos meus amigos, aconteceu noutras casas entre as 12 e as 24 horas do dia de ontem! As pessoas andavam de mapa na mão à procura das casas que recebiam os artistas! À porta estava um distintivo de que aquele domicílio tinha aderido à iniciativa. As pessoas tocavam à campainha e pediam para entrar. E os donos da casa abriam a porta até à lotação esgotada! Verdade!
Lá dentro os comentários eram muitos! Um que me chamou à atenção, na varanda, enquanto o concerto não começava foi: “isto é muito à frente! Mais parece uma iniciativa nórdica”! Outros diziam: “de facto…eu não sei se abria a porta a desconhecidos”… Mas que nos faz querer que o mundo pode ser perfeito, lá isso faz! “E porque é que a iniciativa foi baptizada com uma expressão idiomática estrangeira”, perguntavam uns! “Também já tinha pensado nisso”, diziam outros. Bem que podia chamar-se “A minha casa é a tua casa”, defendiam alguns! O certo é que se estava muito bem, fosse como fosse denominada a iniciativa. Porque o essencial estava lá! Uma iniciativa diferente a fazer querer que a cultura é mesmo humanidade, da humanidade, para a humanidade. Tão acessível a todos como ter um cantor na sala a dar um concerto íntimo para os amigos! É esse o património de valores que o berço da nacionalidade embala e cuida em episódios como este. A cultura devia ser assim, de acesso fácil, de proximidade...
A voz das crianças sobrepunha-se. Os adultos, conhecidos e desconhecidos falavam baixinho. Os adolescentes sorriam e perguntavam se a cantora já tinha chegado. Chegaram alguns adolescentes tímidos mas que na hora h sabiam de cor a letra das músicas cantadas! Eu, já disse e repito, estava encantada e ainda não imaginava que me iria encantar mais quando ouvisse Luísa e a sua caixa de música…


…o mais um… chama-se Luísa Sobral...

Da lista de artistas constavam nomes como Aldina Duarte e António Zambujo, Anaquim, At Freddy´s House, Best Youth, Capitão Fausto, Cavalheiro, Cipriano Mesquita, Guta Naku, Luísa Sobral, Mafalda Veiga, Marta Hugon, Nick Nicotine, Nuno Prata, Samuel Úria, Sandy Kilpatrick, Trio Pagú, Virgem Suta, We Trust.
Desta lista conheço, obviamente, alguns! Não os conheço a todos e – por mal que me fique, tenho de confessar, não conhecia a Luísa Sobral! É triste mas é (era) verdade!
O certo é que agora, até já sei de coisas que não sei de outros cantores de que gosto há muito tempo... Depois de a ouvir cantar, na sala da Dalila, que para nós tomou a dimensão do Olímpia de Paris, só tinha mesmo de deitar pés ao caminho, que é como quem diz, à internet, e tentar perceber quem é a menina jazzy que nos calhou na rifa. Uma rifa premiada, diga-se! Valeu mesmo a pena! Luísa Sobral não só é uma simpatia, uma perfeita comunicadora, como canta mesmo mesmo muito bem!
...E adorei a história de O Engraxador que nos contou...segura e divertida...
Depois, ainda no primeiro sete, ela disse que sempre gostou de caixas de música e explicou como fez a dela! Cantou a música onde brilhou a caixa de música e eu…rendi-me completamente! Voei! Lindo, lindo, lindo!
As adolescentes que lá estavam sabiam as letras de cor e salteado! Mesmo! Xico foi um sucesso com toda a gente a cantar em uníssono, menos eu, pasmada com tudo aquilo a acontecer à minha volta, inesperadamente.
Para a Dalila e para nós foi sem dúvida um dia memorável! Para os organizadores da iniciativa foi, sem dúvida, um sucesso. Esperemos que a Luísa Sobral também tenha gostado!
Não sei que dizer mais! Espreitem o site e encantem-se! De resto vou amanhã comprar o disco e aprender as letras! É que em breve, terei mais um aniversário e, sendo em Guimarães, não será de descartar a hipótese de a Luísa Sobral estar por lá, na sala do meu amigo Rui :)

Domingo, Janeiro 1

Happy New Year Jazz

Feliz Ano Novo!


Aqui fica uma excepção [à regra de Março :)] para vos desejar, no primeiro dia do novo ano, tudo de bom! Eu terei de continuar concentrada... [concentrar v. tr.v. tr. 1. Reunir num centro. 2. Fazer convergir. 3.Condensar. 4. Aplicar num só objecto (a imaginação ou algum sentimento)...in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa ]
Obrigada a todos pelas mensagens e e-mails. Pelo carinho e pela "blogoamizade" aqui criada :)
[querida Mafalda o teu postal deixou-me muito, muito, muito muito feliz! Gosto muito de ti. Saudades...]
e mais saudades de todos, marta.

a noite pede musica




Bom ano para todos!
Muitas realizações pessoais e profissionais! Saúde!

Domingo, Dezembro 11

Isto para dizer...


Há lugares e não-lugares, Marc Augé sustentou-o, no meu entender, muito bem.
O que é um blog? Certamente um lugar. Um lugar onde acontecem coisas tão estranhas como sentirmo-nos ligados a pessoas que não conhecemos. Entram no nosso quotidiano como a senhora demasiado real da lavandaria, ou o senhor risonho do café onde tomamos a bica [eu disse bica para não repetir café, porque eu digo café] todos os dias. Aqui, os afectos ganham uma nova dimensão - pelo menos para mim é nova - e pessoas a quem nunca ouvimos a voz ou olhamos nos olhos, passam a fazer parte do nosso dia-a-dia. Sabem de nós coisas simples que pessoas que trabalham connosco, que nos vêem todos os dias, não sabem. Ver não é conhecer, pois claro que não. Há pessoas com quem trabalho, por exemplo, que não imaginam que não vivo sem jazz. Nem têm de imaginar, é certo. Isto para dizer que um blog pode ser também um lugar de autenticidade, um lugar onde se é realmente. Onde encontramos pessoas deliciosamente reais.
Isto para dizer o que não me está a sair muito bem... porque ando há dias a pensar no que dizer e quando eu penso muito, nada me sai bem. Para dizer que aqui encontrei um espaço de partilha inigualável, que encontrei pessoas que me emocionam, que encontrei inspiração em traços e gestos que não consigo, agora, dizer o quanto significam para mim. Mas significam muitíssimo. Isto para dizer que tenho de pôr, aqui na porta "um volto já" que é como quem diz volto um dia destes. É que não gosto de dizer adeus, porque isto também não é um adeus, é mesmo uma forma de dizer vou porque tenho mesmo de ir e já estou com saudades. Isto para dizer obrigada a todos os que passam aqui, em silêncio ou não. E mandam e-mails e músicas e notícias e livros e desenhos. E vida e tudo.
Obrigada. De um fundo que não tem fundo.
Não é falta de tempo, é excesso de matéria. Acreditem! Tenho, de repente, ou quase, coisas para fazer acontecer. Com prazos umas, outras nem tanto. E um dia destes passo cá para vos contar o que tenho andado a fazer e vou bater à porta daqueles a quem conheço a porta. Isto para dizer que foram quase três anos absolutamente inesquecíveis aqui, convosco. E que aqui, convosco, me aconteceram coisas extraordináriamente boas e quase inacreditáveis. Algumas.
Isto para dizer que vos estou muito, mesmo muito, grata.

marta

P.S. Como disse J. Rentes de Carvalho, "um blog cria-nos a ilusão de estar alguém à nossa espera". E eu, pelo sim, pelo não, vou já dizendo que, se tudo correr bem, volto ...lá para Março.

P.S.2 Esta ideia que a Margarida me deu, por e-mail, pode resultar:
 «Marta, quando tiver algo urgente a dizer, um livro para recomendar, por exemplo, acrescente um P.S ao último post. É mais prático».
Já estou a pôr em prática. Obrigada:)

Estou perto do nó misterioso das coisas


Não cairei. Atingi o centro. Escuto o bater de não se sabe que relógio divino, através do delgado tapume carnal da vida cheia de sangue, de estremecimentos e de sopros. Estou perto do nó misterioso das coisas como à noite estamos por vezes perto de um coração.

Marguerite Yourcenar, in Fogos, pag.81, Difel, 1995

imagem: Tiago Taron

Há cidades cor de pérola onde as mulheres



Há cidades cor de pérola onde as mulheres

existem velozmente. Onde

às vezes param, e são morosas

por dentro. Há cidades absolutas,

trabalhadas interiormente pelo pensamento

das mulheres.

Lugares límpidos e depois nocturnos,

vistos ao alto como um fogo antigo,

ou como um fogo juvenil.

Vistos fixamente abaixados nas águas

celestes.

Há lugares de um esplendor virgem,

com mulheres puras cujas mãos

estremecem. Mulheres que imaginam

num supremo silêncio, elevando-se

sobre as pancadas da minha arte interior.


Há cidades esquecidas pelas semanas fora.

Emoções onde vivo sem orelhas

nem dedos. Onde consumo

uma amizade bárbara. Um amor

levitante. Zona

que se refere aos meus dons desconhecidos.

Há fervorosas e leves cidades sob os arcos

pensadores. Para que algumas mulheres

sejam cândidas. Para que alguém

bata em mim no alto da noite e me diga

o terror de semanas desaparecidas.

Eu durmo no ar dessas cidades femininas

cujos espinhos e sangues me inspiram

o fundo da vida.

Nelas queimo o mês que me pertence.

o minha loucura, escada

sobre escada.


MuIheres que eu amo com um des-

espero .fulminante, a quem beijo os pés

supostos entre pensamento e movimento.

Cujo nome belo e sufocante digo com terror,

com alegria. Em que toco levemente

Imente a boca brutal.

Há mulheres que colocam cidades doces

e formidáveis no espaço, dentro

de ténues pérolas.

Que racham a luz de alto a baixo

e criam uma insondável ilusão.


Dentro de minha idade, desde

a treva, de crime em crime - espero

a felicidade de loucas delicadas

mulheres.

Uma cidade voltada para dentro

do génio, aberta como uma boca

em cima do som.

Com estrelas secas.

Parada.


Subo as mulheres aos degraus.

Seus pedregulhos perante Deus.

É a vida futura tocando o sangue

de um amargo delírio.

Olho de cima a beleza genial

de sua cabeça

ardente: - E as altas cidades desenvolvem-se

no meu pensamento quente.

Herberto Helder

Um século, dez lápis, cem desenhos


 A visitar, na Biblioteca Almeida Garrett, no Porto: um século, dez lápis, cem desenhos

Feliz Natal! Bom ano!


[um feliz Natal e um excelente ano novo
para todos os queridíssimos terráqueos que passam por este planeta]





Acontecia. No vento. Na chuva. Acontecia.

Era gente a correr pela música acima.

Uma onda uma festa. Palavras a saltar.

...

Eram carpas ou mãos. Um soluço uma rima.

Guitarras guitarras. Ou talvez mar.

E acontecia. No vento. Na chuva. Acontecia.



Na tua boca. No teu rosto. No teu corpo acontecia.

No teu ritmo nos teus ritos.

No teu sono nos teus gestos. (Liturgia liturgia).

Nos teus gritos. Nos teus olhos quase aflitos.

E nos silêncios infinitos. Na tua noite e no teu dia.

No teu sol acontecia.



Era um sopro. Era um salmo. (Nostalgia nostalgia).

Todo o tempo num só tempo: andamento

de poesia. Era um susto. Ou sobressalto. E acontecia.

Na cidade lavada pela chuva. Em cada curva

acontecia. E em cada acaso. Como um pouco de água turva

na cidade agitada pelo vento.



Natal Natal (diziam). E acontecia.

Como se fosse na palavra a rosa brava

acontecia. E era Dezembro que floria.

Era um vulcão. E no teu corpo a flor e a lava.

E era na lava a rosa e a palavra.

Todo o tempo num só tempo: nascimento de poesia.


Manuel Alegre

a noite pede música

Casa cheia!


Mais uma vez, casa cheia na FNAC do Norteshopping, na passada sexta-feira, para mais uma apresentação do livro "Lúcio Feteira: das Origens à Glória". Pormenores aqui , no blog do autor.

O último Cineliterário !?


No próximo diz 16 de Dezembro, às 21.30 horas, na Biblioteca Municipal Camilo Castelo Branco,em Vila Nova de Famalicão, acontece o último Cineliterário! Alice no país das maravilhas do escritor britânico Lewis Carroll, adaptado ao cinema por Tim Burton, será o filme que nos espera!
Aproveito para brindar ao excelente trabalho que a Cláudia Sousa Dias tem feito como dinamizadora desta iniciativa que me levou muitas vezes aquela biblioteca tão especial para mim! Dizem-me que anda aí uma petição para que não acabe! Logo que me chegue assinarei e darei a assinar. Afinal, não são assim tantas as iniciativas que servem de exemplo: os debates, no fim dos filmes, foram sempre de uma qualidade inegável. E creio que isso se deve ao facto de a Cláudia Sousa Dias ser a pessoa certa para levar a bom porto esta iniciativa! Nota-se sempre um cuidado extremo na preparação e apresentação de cada filme/livro. Algo feito com uma entrega total e com absoluto conhecimento da causa! Não compreendo, palavra que não!

porque sim



[...Catarina Machado...a pintora surfista... a inspiração que vem do mar...]

Partilhar, com a CAIS!


A fadista Helena Sarmento e Manuel António Pina na iniciativa da CAIS. E a partilha, de facto, aconteceu! Muitas pessoas foram agradecer à fadista dizendo "obrigada, menina, foi um dia muito feliz pois nunca tinha ouvido cantar fado ao vivo"!

a noite pede música

Sábado, Dezembro 10

Hoje, às 17 horas...


«Robert Walser (1878-1956) é um dos mais originais escritores do século XX. Mestre da prosa curta, romancista singular, os seus textos situam-se na fronteira entre o real e o fantástico, a vida e o sonho. Ou, para sermos mais rigorosos, situam-se num território literário para o qual ainda não foi inventado um nome.»

Será assim...

Quinta-feira, Dezembro 8

"A invenção do dia claro"


Eu queria que os outros dissessem de mim: olha um homem! Como se diz : Olha o cão! quando passa um cão; como se diz: olha uma arvore! quando há uma arvore. Assim, inteiro, sem adjectivos, só de uma peça: UM homem!

[...]

As palavras dançam nos olhos das pessoas conforme o palco dos olhos de cada um.

José de Almada Negreiros in A Invenção do dia claro



[obrigada Helena e JGF. foi um belo serão! gostei muitíssimo...]

a noite pede música

Os livros





É então isto um livro,


este, como dizer?, murmúrio,

este rosto virado para dentro de

alguma coisa escura que ainda não existe

que, se uma mão subitamente

inocente a toca,

se abre desamparadamente

como uma boca

falando com a nossa voz?

É isto um livro,

esta espécie de coração (o nosso coração)

dizendo 'eu' entre nós e nós?


Manuel António Pina in Como se desenha uma casa, pag.21, Assírio & Alvim, 2011

a noite pede música

Aqui




Aqui cantaste nua.


Aqui bebeste a planicie, a lua,

e ao vento deste os olhos a beber.

Aqui abandonaste as mãos

a tudo o que não chega a acontecer.

[...]

Eugénio de Andrade

Quarta-feira, Dezembro 7

a noite pede música

...talvez...


[...um dia, quando for grande, talvez consiga um  trabalho assim:
comer & falar!]

...coisas minhas...


[...vamos às compras...]

Segunda-feira, Dezembro 5

Uma biblioteca é um labirinto


Uma biblioteca é um labirinto. Não é a primeira vez que me perco numa. Eu e o meu pai temos isso em comum. Penso que foi isso que lhe aconteceu. Ficou perdido no meio das letras, dos títulos, perdido no meio de todas as histórias que lhe habitavam a cabeça. Porque nós somos feitos de histórias, não é de a-dê-énes e códigos genéticos, nem de carne e músculos e pele e cérebros. É de histórias. O meu pai, tenho a certeza, perdeu-se nesses mundos e agora ninguém lhe consegue interromper a leitura.


Li, numa das minhas tardes passadas no sótão, um conto de um escritor argentino chamado Borges, sobre um labirinto que é um deserto. Há inúmeros lugares onde um ser humano se pode perder, mas não há nenhum tão complexo como uma biblioteca. Mas um livro solitário é um local capaz de nos fazer errar, capaz de nos fazer perder. Era nisto que eu pensava enquanto me sentava no sótão entre tantos livros.



Afonso Cruz in Os livros que devoraram o meu pai, pag, 27, Caminho, 2011 

a noite pede música

Quinta-feira, Dezembro 1

Cesário Verde na Kalandraka


 lançamento "CESÁRIO VERDE - ANTOLOGIA POÉTICA", com a presença do ilustrador,
 JOSÉ MANUEL SARAIVA,  amanhã, 2 de dezembro, 21h30, na Livraria Papa-Livros, no Porto.

[...se estiverem pelo Porto, não percam! eu não estarei : ( vale mesmo a pena! o livro está tão lindo!]

a noite pede musica

E os livros...


[...um belo fim de tarde, este...]


E os livros são um contributo válido para esse aumento de lucidez?

GMT: Acredito que sim. Gosto muito de cinema ou artes plásticas, por exemplo, mas os livros pertencem a outra ordem. São uma máquina de lentidão mas também de isolamento, pensamento e silêncio. O que os livros têm de extraordinário é que podemos estar no meio de uma multidão de um milhar de pessoas e, mesmo assim, estarmos totalme...nte isolados. Não há nenhuma máquina capaz de fazer isso. Quando levamos um livro no bolso é como se carregássemos um templo. O que fazemos quando abrimos um livro é muito semelhante à atitude que adoptamos ao entrar numa igreja. Em ambas as situações, baixamos logo o tom de voz. A igreja também é uma máquina de desacelerar e reflectir. Se alguém se limitasse a ler apenas, recusando as outras artes, seria, ainda assim, uma pessoa densa. O cinema, o teatro, as artes plásticas dão-nos muito - mas a literatura é talvez algo de mais estrutural.

Fonte: aqui

imagem: Artur Machado

Anotem aí na agenda, por favor...


Dia 10 de Dezembro, às 18 horas, na Biblioteca Municipal Almeida Garrett, no Porto

porque sim



[...parabéns JD! tudo de bom hoje e sempre :) ]

Hot Clube de Portugal reabre a 21 de dezembro


Hot Clube de Portugal reabre a 21 de dezembro


«O clube de jazz Hot Clube de Portugal (HCP) reabrirá ao público, num espaço renovado na Praça da Alegria, em Lisboa, no dia 21 de dezembro, dois anos depois da destruição da antiga cave onde funcionou.

A presidente do conselho diretor do HCP, Inês Cunha, disse à agência Lusa que a reabertura será assinalada com três dias de concertos, todos de entrada gratuita, entre 21 e 23 de dezembro.
«Serão três dias de concertos só com formações do Hot Clube», entre as quais a histórica formação do Quarteto do Hot Clube, que chegou a integrar, nos anos 1960, Justiniano Canelhas, Bernardo Moreira, Manuel Jorge Veloso e o saxofonista-barítono belga Jean-Pierre Gebler, já falecido.
Estão previstas ainda atuações do Septeto e da Big Band do Hot Clube de Portugal, assim como «jam sessions» com alunos da escola do clube.
Depois destes três dias de concertos, o Hot Clube de Portugal deverá iniciar em janeiro a programação regular, interrompida durante dois anos por causa da destruição do antigo espaço onde funcionou durante quase 60 anos.»

Fonte: aqui

Quarta-feira, Novembro 30

Segue o teu destino


Segue o teu destino,


Rega as tuas plantas,

Ama as tuas rosas.

O resto é a sombra

De árvores alheias.



A realidade

Sempre é mais ou menos

Do que nós queremos.

Só nós somos sempre

Iguais a nós-próprios.



Suave é viver só.

Grande e nobre é sempre

Viver simplesmente.

Deixa a dor nas aras

Como ex-voto aos deuses.


Vê de longe a vida.

Nunca a interrogues.

Ela nada pode

Dizer-te. A resposta

Está além dos deuses.



Mas serenamente

Imita o Olimpo

No teu coração.

Os deuses são deuses

Porque não se pensam.


Ricardo Reis

Nesta vida...




Nesta vida – é um facto – estamos sempre

a desaprender coisas novas. O mundo

vai guardando a luz nas suas bainhas negras

e temos a melindrosa companhia dos fantasmas

que nos procuraram: eles governam rudemente

... os nossos pequenos reinos e há um ceptro novo



para cada coroação. De repente, com a volta

das estações, damos por nós muito mais velhos

nas fotografias. As razões que nos assistiam

empalidecem em paisagens cruelmente coagidas

pela luz. Fomos expulsos dos grandes palácios



da alegria? Onde estão os mapas que nos guiavam

lá dentro, exactos como o instinto? Não sabemos

responder: o caminho turva-se: são as incertezas

da maturidade. As palavras não nos iluminam

e o amor está condenado aos defeitos naturais

do coração, que ainda assim há-de voltar a arder


sem defesa nem socorro uma vez mais.



Rui Pires Cabral

Anotem aí na agenda, por favor...


Apresentação do livro
 Lúcio Feteira: A História Desconhecida - das Origens à Glória, Vol. I
Miguel Carvalho

Lisboa - FNAC Chiado, dia 4 de Dezembro, às horas

Porto - FANC Norteshopping, dia 9 de Dezembro, às 22 horas

Património da Humanidade

fado e fado e mais fado

Klee


imagem: Paul Klee

a noite pede música

Terça-feira, Novembro 29

Porque é de ti





Então sento-me à tua mesa. Porque é de ti


que me vem o fogo.

Não há gesto ou verdade onde não dormissem

tua sombra e loucura,

não há vindima ou água

em que não estivesses pousando o silêncio criador.

Digo: olha, é o mar e a ilha dos mitos

originais.

Tu dás-me a tua mesa, descerras na vastidão da terra

a carne transcendente. E em ti

principiam o mar e o mundo.

Minha memória perde em sua espuma

o sinal e a vinha.

Plantas, bichos, águas cresceram como religião

sobre a vida – e eu nisso demorei

meu frágil instante. Porém,

teu sinal de fogo e leite repõe a força

maternal, e tudo circula entre teu sopro

e teu amor.


Herberto Helder

a noite pede música

People are tired of simple things...

a noite pede música

Segunda-feira, Novembro 28

O livro de que se fala


Estava uma tarde de sol em Vieira de Leiria. Boa para passear pela praia do Liz! E, mesmo assim, o auditório estava lotado no dia em que o livro Lúcio Feteira - A História Desconhecida: Das origens à Glória [ Volume I] deu à estampa. Interessante observar as pessoas que o compravam. Abriam-no de imediato como quem procura com urgência algo que lhes pertence. Alguns estacavam na árvore genealógica. Outros, retiam-se nas imagens. Outros, ainda, enquanto a sessão de apresentação não começava, encostavam-se a um canto, com luz, a ler. O certo, é que a vontade de entrar naquela história transbordava. Procuravam falar com o autor e pediam autógrafos antes e depois de todos os oradores falarem. Primeiro, Paulo Vicente, vice-presidente da Câmara da Marinha Grande, um discurso sentido que emocionou. Depois, Francisco Oneto Nunes, antropólogo, "filho da terra", como disseram, após ter feito o trabalho monográfico sobre Vieira. Conhecedor do terreno, falou de cátedra sobre as relações de poder e do poder simbólico naquela comunidade. Pelo meio, a pedido do autor, leu-se o fax enviado por Olímpia Feteira, filha do milionário e cabeça-de-casal da herança.  E, por fim, Miguel Carvalho falou. Agradeceu, explicou como tinha chegado ali, ao livro de que se fala. É um retrato, disse. Fruto de uma investigação jornalística e de uma curiosidade natural pela figura de Tomé Feteira, que se foi adensando. De resto, quando a revista Visão o enviou a primeira vez a Vieira  de Leiria, até foi a contragosto! Explicou que este livro é também uma forma de devolver aquela terra uma parte das suas memórias. E isso era tão visível, logo ali, só pela avidez com que muitos se atiraram às páginas, sem precisarem do conforto do sofá. E não eram apenas mãos macias, eram também mãos calejadas, muitas mãos abertas pelo trabalho mais duro.
Miguel Carvalho terminou a sua intervenção, reiterando o convite a todos que queiram dar o seu contributo para o próximo volume.E, mais uma vez e sempre, com a coluna vertebral que em nenhuma situação deixa no cabide, disse: "para já têm o primeiro volume. Tirem as vossas conclusões e mais do que julgarem um homem e um tempo julguem-me a mim".

Domingo, Novembro 27

Apresentado livro sobre a vida de Lúcio Feteira

Quinta-feira, Novembro 24

Já está nas livrarias... e não se consegue parar de ler...


[...]  Dos cabarets à pintura, do ballet ao cinema, da escultura à fotografia, a comunidade russa contamina a França, de Cannes a Paris, com seus talentos, encantos, misérias e cheiro a mofo.


A capital é a nova casa de mulheres fatais, sofisticadas, ex-condessas e ex-damas da corte russa.

Músicos russos seduzem os parisien...ses com as suas melodias tradicionais. Antigos generais czaristas, engalanados como no tempo do Império, são agora porteiros da lendária vida noturna de Paris.

Todas as noites gera-se uma azáfama considerável na margem direita do Sena.

Homens de fraque e mulheres copiando as roupas e trejeitos das atrizes famosas confluem para a Rua de Liége, 3, onde uma enorme porta de grossa madeira cravada na parede simula o imaginário de um castelo. Entre os habitués do Cabaret Shéhérazade está Lúcio Feteira.

A porta abre-se num estalido.

Lá dentro, um cenário oriental com o charme da decadência acolhe a alta sociedade cosmopolita de Paris.

Tecidos luxuosos forram os tetos, em balão, e descem pelas paredes.

Pelas mesas, envoltos em névoas de fumo de cigarros, repousam os melhores champanhes em baldes de gelo.

O ambiente é sumptuoso, desde os trajes típicos dos empregados ao mobiliário. A Rússia czarista sobrevive no Shéhérazade num cenário de ceias pantagruélicas, com orquestras e balalaicas em fundo.

Lúcio viveu os seus últimos anos de juventude sem compromissos, sem regras e sem perder muito tempo a pensar no futuro.

«Fui muito feliz em Paris», recordará, melancólico.

Naqueles loucos anos 20, diverte-se até ao amanhecer, rodeado de tentações e fazendo as amizades mais improváveis, entre elas a do príncipe Carol, da Roménia, cúmplice de madrugadas e perdições, pouco dado aos rigores do matrimónio e famoso pela sua desconcertante vida amorosa.

Embriagado de boémia e rodeado de companhias que desafiam a libido, Lúcio demorará ainda uns meses a cair na realidade.

Mas o pecúlio acumulado na odisseia africana estava a finar-se e Feteira começa a perceber o estreito caminho em que se havia metido.

Embora relutante em abandonar uma vida de fausto, toma a decisão de embarcar no Sud-Express e regressar a Portugal.

Despede-se dos amigos e dos romances, compra o bilhete e parte. [...]

Miguel Carvalho in Lúcio Feteira, A História Desconhecida, pag. 101, QuidNovi, 2011

já que sentir é primeiro





já que sentir é primeiro

quem presta alguma atenção

à sintaxe das coisas

nunca há-de beijar-te por inteiro;


por inteiro ensandecer

enquanto a Primavera está no mundo

o meu sangue aprova,

e beijos são melhor fado

que sabedoria

senhora eu juro por toda a flor: Não chores

—o melhor movimento do meu cérebro vales menos que

o teu palpitar de pálpebras que diz


somos um para o outro: então

ri, reclinada nos meus braços

que a vida não é um parágrafo


E a morte julgo nenhum parêntesis.

e. e. cummings

[tradução Jorge Fazenda Lourenço, Assírio & Alvim]


a noite pede música

Visão Solidária


Esta edição da Visão diz-me especialmente...e por motivos que me trazem motivada :) Ainda não a li toda mas recomendo o que li: "Economia - A força do terceiro setor", por Alexandra Correia e Mário David Campos. E, ainda, uma mão cheia de "Histórias inspiradoras" por Patrícia Fonseca e Cesaltina Pinto. Logo, leio o resto! Para já, espreitem a Visão on-line e aproveitem para votar num destes 10 projectos. Não custa nada... ter ... não só uma visão como também uma acção... solidária...

“Os dias lentíssimos” de Alexandra Monteiro


Hoje, sessão de lançamento do livro vencedor do Prémio Literário Cadernos do Campo Alegre


« A sessão do ciclo “Quintas de Leitura” do Teatro do Campo Alegre (TCA), promovido pela Câmara Municipal do Porto, através da Fundação Ciência e Desenvolvimento, dá a conhecer o resultado do “Prémio Literário Cadernos do Campo Alegre Novo Autor, Primeiro Livro”: lançamento de “Os dias lentíssimos” de Alexandra Monteiro.

O lançamento deste livro de poesia, 15º da colecção Cadernos do Campo Alegre, está marcado para a noite de 24 de Novembro, a partir das 22h00, e contará com um especial concerto dos Dead Combo, entre várias outras participações. Arnaldo Saraiva apresenta a obra.

Esta sessão marca a estreia absoluta do coletivo “Peixe Graúdo”. Três mulheres talentosas e desconcertantes – Marta Bernardes, Ana Celeste Ferreira e Tânia Dinis – acompanhadas ao piano pelo indómito Ricardo Caló, irão embalar-nos, noite fora, através de inusitados ambientes poéticos e musicais – Alexandra Monteiro, Adília Lopes, Ana Paula Inácio, Alberto Pimenta, Alexandre O’Neill, Abba, Queen, Aretha Franklin e Amália, entre outros. [...]

A não perder! »

Terça-feira, Novembro 22

Fotografías que hablan solas


“Fotografias que falam por si/Fotografías que hablan solas


«Gonzalo Torrente Ballester e Jorge Luis Borges, dois dos literatos mais representativos a nível mundial do Séc. XX, a conversar em frente à Giralda, Sevilha, 1987, © Juantxu Rodriguez

A Exposição “Fotografías que hablan solas” (“Fotografias que falam por si”), foi criada para homenagear o percurso profissional de Juantxu Rodríguez, por parte dos seus amigos e colegas que quiseram fazer o merecido reconhecimento de uma obra que dignifica uma profissão.
A Exposição reúne uma selecção das melhores imagens incluídas no livro monográfico “Juantxu Rodríguez”, editado em 1990, sob a coordenação do seu irmão Javier Rodríguez, e com a inestimável colaboração de profissionais da Fotografia, empresas e entidades que financiaram o projecto.»

Exposições a não perder no Centro Português de Fotografia...

As paredes têm ouvidos by Manuela Pimentel




Manuela Pimentel from Arte Institute on Vimeo.


Um querido terráqueo sabendo que aprecio muitíssimo o trabalho da Manuela Pimental, enviou-me este link que partilho convosco. "As paredes têm ouvidos" (Walls that tell stories)... espreitem e deliciem-se!

a noite pede música

Domingo, Novembro 20

...e a data apróxima-se...


[...pré-lançamento nacional, Vieira de Leiria, já no próximo dia 26...]

...sobre o livro pode ler-se aqui, por exemplo...

O que é cativar?



- Quem és tu? perguntou o principezinho.


Tu és bem bonita.

- Sou uma raposa, disse a raposa.

- Vem brincar comigo, propôs o princípe, estou tão triste...

- Eu não posso brincar contigo, disse a raposa.

Não me cativaram ainda.

- Ah! Desculpa, disse o principezinho.

Após uma reflexão, acrescentou:

- O que quer dizer cativar ?

- Tu não és daqui, disse a raposa. Que procuras?

- Procuro amigos, disse. Que quer dizer cativar?

- É uma coisa muito esquecida, disse a raposa.

Significa criar laços...

Antoine de Saint-Exupéry




[...para a Sininho...no dia de hoje... :)]

Sábado, Novembro 19

a noite pede música

...o meu melhor retrato...




comovida e grata. e, para já, sem mais palavras.

«há a lista dos dias, como o índice numa obra»


«há a lista dos dias, como o índice numa obra» [Maria Gabriela Llansol]

Eis os velhos e a sua ementa nostálgica: a lista dos dias com ligações habituais a determinados sentimentos.

A vida como obra individual que escapa ao controlo do artista alheio que vem esculpir a sua vontade efémera sobre o nosso percurso.

Obra individual que respira e não só. Eis estar vivo.



Gonçalo M. Tavares in Breves notas sobre as Ligações, pag.17, relógio d'água, 2009



imagem: Matisse por Robert Capa

porque sim

...alguém me pode ajudar, por favor?

De há dois meses para cá, na maior parte dos blogues, sempre que eu tento comentar,
aparece esta mensagem:

A sua conta atual (marta1322@gmail.com) não possui acesso para ver esta página.

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...inviabilizando o comentário...só consigo comentar via anonimato!!!

Alguém sabe como fazer para que tudo volte à normalidade?

Sexta-feira, Novembro 18

a noite pede música

Quinta-feira, Novembro 17

Emigrados na terra, sem mar e sem espaço...


‎Preocupo-me com os deuses. O meu tridente não enxerga divindades. Mesmo no céu, no último reduto que julgava possível eles já o abandonaram. É novo mistério para explicar, para filósofos e religiosos penetrarem no poder das cogitações. Emigrados na terra, sem mar e sem espaço os deuses ficam mais limpos, mais puros, apeados da parafernália dos domingos e feriados.


Ruben A.

a noite pede música

«a corrida quieta da leitura» [Maria Filomena Molder]


Cada livro dá uma velocidade de leitura; como um carro; um livro deveria ter na capa ou na contracapa indicações de velocidade máxima e mínima de leitura: não ler a menos do que vinte páginas por hora, não ler a mais do que quarenta páginas por hora. ( ideia a desenvolver).

Claro que a velocidade engana: livros imbecis, mas também livros perfeitos, podem ser lidos à mesma velocidade, suponhamos: cem páginas por hora. Não é tanto a velocidade potencial de leitura de um livro que dá a sua qualidade, é mais o local aonde se chega com essa velocidade.

E que importa estar num carro que vai a um grande velocidade, se ele chega a um sítio que eu não desejo (rapidamente, é certo)?

E que importa estar num carro que vai a uma velocidade para que os seus passageiros possam apreciar a paisagem, se a paisagem não é relevante?

Contemplar quando estamos em viagem se a coisa contemplada for interessante.

Claro, dirão, ler é bom para os sentimentos, para os abanar: por favor, não introduza dados quantitativos no prazer da leitura.

Porém, não esquecer: o que fez cada um com o que leu à velocidade que leu?

Paisagens e sítios de chegada.

Contabilidade económica da leitura.

(Não podemos ler tudo. Somos mortais, meu caro.)


Gonçalo M. Tavares, in Breves notas sobre as Ligações, pag. 65,  relógio d'água, 2009

imagem: Novak

Traga_Mundos contra a corrente


Dei por eles no facebook! Fui espreitar e gostei muito ...de tudo o que vi e li. Hoje - ele há coincidências! - , recebi um simpático convite para a inauguração! Com pena minha, abre às 18! Pois amanhã estarei em Vila Real sim, mas muito mais cedo, às 9 horas em ponto!
De qualquer forma, desejo as maiores felicidades a este projecto tão interessante e tão contra a corrente...
Irei lá sim, um dia destes, com todo o tempo do mundo... tragar coisas e loisas!
Bem-hajam!
Fiquem a saber tudo, tim-tim por tim-tim... aqui :)