domingo, agosto 3

Não quero adultos nem chatos

"Não quero adultos nem chatos.
Quero-os metade infância e outra metade velhice!
Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto;
e velhos, para que nunca tenham pressa" 


 Oscar Wilde

A noite pede música

The">http://vimeo.com/68655071">The Soaked Lamb - Palhaços
from Nuno">http://vimeo.com/nunodias">Nuno Dias on Vimeo.

...ai se os apanho a jeito


A imprecisão sempre me irritou

 
 
A imprecisão sempre me irritou.
- Sim, mas eu disse-lhe que não fiz outra coisa senão pensar em si - respondi. Não me disse que pensou em mim.
Decorreu um instante. Por fim ela respondeu:
- Disse-lhe que pensei em tudo.
- Não deu pormenores....
- É que tudo é tão estranho, foi tão estanho...estou tão perturbada...Claro que pensei em si...
O meu coração bateu com força. Precisava de pormenores. O que me emociona são os pormenores, não as generalidades.

Ernesto Sabato in O Túnel, pag.44, Relógio D'Água

No fim de contas são poucas as palavras

No fim de contas são poucas as palavras
que nos doem de verdade, e muito poucas
as que conseguem alegrar a alma.
E são também muito poucas as pessoas
que nos fazem bater o coração, e menos
ainda com o correr do tempo.
No fim de contas, são pouquíssimas as coisas
que na verdade importam nesta vida:
poder amar alguém e ser amado,
não morrer depois dos nossoa filhos.

Amalia Bautista

sexta-feira, abril 4

Até sempre Jorge Fallorca


 
 
Sabes Jorge, a repartição de finanças não é o melhor sítio para chorar. Também não levava lenços. De papel. Tinha nas mãos folhas a que chamam modelos. Modelos a que dão números e tive de os pousar para atender o telefone. E eu, como te disse, choro e rio com a mesma facilidade. Não tenho um coração contido. O inconveniente de chorar nas Finanças é que está tudo com cara cerrada, tudo atento a nada, num quase silêncio e as lágrimas rolam e ouvem-se a cair no chão. O chão, Jorge, era de mármore. Acho que era mármore. Se ainda fosse de cortiça ou um chão de terra batida – era melhor que fosse de terra batida – as lágrimas eram absorvidas e subiam pelo caule das árvores. Tu gostavas de terra e de árvores e de outras coisas que eu não sei. Não tivemos tempo nenhum. Tivemos pouco tempo para que eu pudesse ouvir-te mais, saber mais, aprender mais. É estranho. Ou não. Há pessoas que vejo todos os dias, com quem me cruzo todos os dias e de quem não sei rigorosamente nada. O nome. Às vezes, nem isso. Mas não faz mal ser assim. O que eu te quero dizer Jorge, é que jantamos uma vez, ficamos noite adentro, na conversa, uma vez, fui levar-te à estação uma vez, vimo-nos uma vez e, agora, não voltaremos a vermo-nos. E isto, momentos inesquecíveis, em slide, a passarem-me pela cabeça, no meio da repartição das finanças, é ainda mais absurdo. Se eu te dissesse que ainda a semana passada disse, vou ligar ao Jorge. Se eu te dissesse que, meses depois, voltei a ler o conto e ainda gostei mais das tuas sugestões. Se eu te dissesse Jorge, como a Senhora das Finanças está atenta ao que eu não digo; como me perguntou se eu queria lenços de papel. Haverias de sorrir, creio. E eu, já sentada, protegida por um biombo só consegui dizer, desculpe. Já nem sabia bem ao que ia. Entreguei-lhe os papéis, os modelos, e pensava no modo cerimonioso com que nos chegamos a tratar. Obrigada, Jorge por ter lido. Obrigado, Marta, por me fazer regressar ao Porto após 17 anos. Voltarei com a Nico. E as fotografias que não cheguei a enviar, e o e-mail de que me esqueci a palavra passe. E a tua infância contada por ti, no Gato Vadio, a prender-nos a todos. E a Claudia a passear-nos pelos teus livros, e a Francisca muito atenta, ainda desconhecida, a um canto do bar. E eu, apaixonada, a enviar a Cicatriz do Ar e a Mulher Descalça para o Brasil. A Lelena e o Marcelo, quando souberem. Até o Miguel. Eles gostaram tanto de te ler. A Senhora das Finanças disse que já estava tratado. Que sentia muito. E eu calada, a levantar-me com Cossery, John Berger, Mohamed Choukri, Sebald, Walser, Piglia, David Malouf, Cormac, Salinger, Saint-John Perse, Imre Kertész, Vila-Matas, Llansol, Almeida Faria, Carlos de Oliveira e Luiza Neto Jorge. Saímos das Finanças ao mesmo tempo. Não é o melhor sítio para chorar. Mas quando a Claudia ligou a dizer-me que tinhas morrido, não sabia onde eu estava.

  Até sempre Jorge Fallorca.
 

sexta-feira, fevereiro 7

A Insegurança do Escritor


É certo que tudo o que concebi antecipadamente, mesmo quando estava com boa disposição, quer com todo o pormenor, quer casualmente, mas em palavras específicas, aparece seco, errado, inflexível, embaraçado para todos os que me rodeiam, tímido, mas acima de tudo incompleto, quando tento escrever tudo isso à minha secretária, embora eu não tenha esquecido nada da concepção original. Isto está naturalmente relacionado em grande parte com o facto de eu conceber uma coisa boa longe do papel durante apenas um momento de exaltação mais temido do que desejado, embora eu muito o deseje; mas então a plenitude é tal que eu tenho de ceder. Às cegas e arbitrariamente agarro pedaços da corrente, de modo que, quando escrevo calmamente, a minha aquisição não é nada comparada com a plenitude em que viveu, é incapaz de restaurar essa plenitude, e assim é má e perturbadora, por ser uma inútil tentação.

Franz Kafka, in 'Diário (15 Nov 1911)'


Termina este fim-de-semana!


quinta-feira, janeiro 16

Tempo de tomar decisões!



Tempo de tomar decisões!
 

quarta-feira, janeiro 15

Eu escrevi um poema triste


Eu escrevi um poema triste


E belo, apenas da sua tristeza.

...

Não vem de ti essa tristeza


Mas das mudanças do Tempo,


Que ora nos traz esperanças


Ora nos dá incerteza…


Nem importa, ao velho Tempo,


Que sejas fiel ou infiel…


Eu fico, junto à correnteza,


Olhando as horas tão breves…


E das cartas que me escreves


Faço barcos de papel!

 
 
 
Mário Quintana
 
 

 

A noite pede música


Lema


O jardineiro


(...) O jardineiro, como aqueles de que falo, não se dá bem com a luxúria das flores, os seus peristilos e estames, a sua fecundação e até o seu perfume. O jardineiro é um asceta da tesoura, um catedrático da uniformidade. Talha a sebe como quem folheia palimpsestos. Desvia os olhos da carnação da rosa; (...)
Agustina Bessa-Luís in A Quinta Essência, pag. 8, Guimarães

Fotografia: Paulo José S. Ferraz

Eu não tenho gato...

 
(...)

Eu não tenho gato, mas se o tivesse
quem lhe abriria a porta quando eu morresse?


António Gedeão
 

domingo, janeiro 12

A noite pede música


Porque o amor é o ponto onde se encontram a verdade e a magia.



Vivemos uma vida normal, verdadeira, e no entanto – e por isso – temos aspirações. Terráqueos, conseguimos às vezes chegar tão longe como os deuses. Alguns elevam-se com a arte, outros com a religião; a maioria com o amor. Mas quando subimos também podemos despenhar-nos. Há poucas aterragens suaves. Podemos dar connosco aos saltos pelo chão, com uma força capaz de partir pernas, arrastados para u...ma qualquer via-férrea estrangeira. Todas as histórias de amor são potenciais histórias de dor. Se não no princípio, depois. Se não para um, para o outro. Às vezes para ambos.
Então por que aspiramos continuamente a amar? Porque o amor é o ponto onde se encontram a verdade e a magia.

Julian Barnes in "Os Níveis da Vida", Quetzal
 
 

sábado, janeiro 11

A noite pede música


sexta-feira, janeiro 10

Não há mais sublime sedução do que saber esperar alguém



Não há mais sublime sedução do que saber esperar alguém.
Compor o corpo, os objectos em sua função, sejam eles
A boca, os olhos, ou os lábios. Treinar-se a respirar
Florescentemente. Sorrir pelo ângulo da malícia.
Aspergir de solução libidinal os corredores e a porta.
Velar as janelas com um suspiro próprio. Conceder
Às cortinas o dom de sombrear. Pegar então num
Objecto contundente e amaciá-lo com a cor. Rasgar
Num livro uma página estrategicamente aberta.
Entregar-se a espaços vacilantes. Ficar na dureza
Firme. Conter. Arrancar ao meu sexo de ler a palavra
Que te quer. Soprá-la para dentro de ti -------------------
----------------------------- até que a dor alegre recomece.


Maria Gabriela Llansol 

Tonto, Morto, Bastardo e Invisível

Opinião  

Juan José Millás nasceu em Valência, em 1946, mas tem passado a maior parte da sua vida em Madrid, onde alterna a actividade literária com o jornalismos, aparecendo regularmente nas páginas do diário El País. Está traduzido em diversas línguas, principalmente europeias, e foi já galardoado com diversos prémios no país vizinho, o Primavera, o Sésamo e, um dos mais prestigiados, o Nadal (este último com o romance Assim Era a Solidão).
Quanto a Tonto, Morto, Bastardo e Invisível, o tonto, o morto, o bastardo e o invisível, afinal, são apenas um. Jesus, de seu nome – o que talvez fosse de estranhar se a história acontecesse em Portugal e não em Espanha, onde a ninguém faz espécie que um homem se chame Jesus –, é tudo isso e muito mais, após ser informado pelo chefe de pessoal da empresa onde trabalha de que irá ser despedido. Do mal o menos, terá direito a um ano de salário e a umas palmadinhas nas costas; e depois, conta a certa altura Jesus, «Laura trabalhava, era médica-legista, portanto o horizonte de indigência encontrava-se ainda um pouco afastado». Mas Jesus não consegue encarar a mulher e o filho, sente-se invadido pelo medo e refugia-se na casa de banho. «... deixei que toda a cobardia adiada desde que entrou na empresa uma equipa social-democrata, autorizada a vendê-la em partes, se reunisse de chofre na percepção do espaço (...) fechei várias vezes as torneiras para transmitir a sensação de actividade, confiante de que a angústia se retiraria ao atingir determinada magnitude. Então, lembrei-me do bigode.» Será assim, com a ajuda do bigode, que Jesus vai começar uma vida nova, num mundo bem diferente daquele a que estava habituado e onde as regras são ditadas pela sua imaginação. Juan José Millás, um dos mais destacados nomes do actual panorama literário espanhol, consegue com as aventuras de Jesus levar o humor aos limites do absurdo, sem nunca sair dos ambientes quotidianos da vida moderna. Afinal, a vida que leva a sua personagem a empreender uma espantosa fuga, mesmo que para as terras da imaginação. Quantos de nós não terão já estado à beira de fazer o mesmo?

Fonte: http://www.citador.pt/biblio.php?op=21&book_id=394
 

quinta-feira, janeiro 9

A noite pede música


quarta-feira, janeiro 8

Soneto

    Não pode Amor por mais que as falas mude
    exprimir quanto pesa ou quanto mede.
    Se acaso a comoção falar concede
    é tão mesquinho o tom que o desilude.
   
    Busca no rosto a cor que mais o ajude,
    magoado parecer aos olhos pede,
    pois quando a fala a tudo o mais excede
    não pode ser Amor com tal virtude.
   
    Também eu das palavras me arreceio,
    também sofro do mal sem saber onde
    busque a expressão maior do meu anseio.
   
    E acaso perde, o Amor que a fala esconde,
    em verdade, em beleza, em doce enleio?
    Olha bem os meus olhos, e responde.



António Gedeão

Das interrogações


O que é bom...



"O que é bom deve ser tratado como se não fosse provisório, mas eterno." 

Agustina Bessa-Luís in 'Caderno de Significados'
 

Do amor, novamente


terça-feira, janeiro 7

A mulher tinha a certeza. E escreveu

A mulher tinha a certeza. E escreveu.
Se ao menos não tivesse escrito.
Se ao menos tivesse inventado.
Trata-se de uma mulher que gosta de inventar.

Se ao menos não gostasse de escrever.
Se ao menos não soubesse sonhar.
Se não gostasse de escrever não existia.
Se não soubesse sonhar não escrevia.

O certo é que a mulher tinha a certeza. E escreveu.
Se ao menos não tivesse certeza, como é seu hábito.
Se ao menos tivesse aquele dia mais um dia. 
Trata-se de uma mulher que gosta de imaginar.

Deram-lhe estrelas e tiraram-lhe o céu.
Se ao menos a mulher soubesse chorar.

[coisas minhas]

A noite pede música


Num dia de Maio chegou o carteiro

 

Eu não abro as cartas do banco com o corta-papéis. Só o uso para abrir cartas e livros. O corta-papéis é mais antigo do que que o teu sorriso, como o livro do Adolfo Casais Monteiro é mais antigo do que os meus olhos abertos. Hoje, chegaram três livros pelo correio. Obrigada Elsa. Obrigada Zá. Zá, a tua carta também a abri com o corta-papéis. Muito devagar, como quem abre um coração pelo lado esquerdo. E ainda bem porque o teu estava lá, rente ao envelope, cheio de ruas estreitas e espirais de silêncio.
Regresso ao livro das poesias completas de Adolfo Casais Monteiro. Coisas minhas. As páginas aqui e ali juntas a pedirem serão com o corta-papéis, como há muito tempo não acontecia. Noite adentro sob a luz do meu candeeiro novo. Um disco muito baixinho, um tom acima do deslizar da lâmina no papel e a flor aqui pousada, tão perto de um jardim distante. Gosto tanto de conversar contigo, faltou dizer-te. Sim, adormeci noites a fio no teu sorriso. E sim, hoje pode voltar a acontecer. Boa noite.

Do amor


A ver...urgentemente

"THE">http://vimeo.com/64293289">"THE PAST" by Asghar Farhadi - TRAILER
from Memento">http://vimeo.com/user2694101">Memento Films International on Vimeo.https://vimeo.com">Vimeo.>

Mais sobre o filme aqui e aqui

Mulher Triste


Eu só troco a nossa história por uma melhor


Eu só troco a nossa história por uma melhor.

Por um bando de pássaros que nunca abandone o voo,

Por um jardim onde não morram flores,

Por uma lua que nunca mude de tamanho.

Eu já disse que não troco a nossa história por mais nenhuma?

Talvez a troque por um bonsai no lugar do coração.

Para cuidar com arte. Distraidamente.
 
 
Marta Vaz

segunda-feira, janeiro 6

Not today


A noite pede música


Soneto da fidelidade



De tudo, ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em louvor hei de espalhar meu canto...
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.


Vinícius de Moraes

Da determinação


Do tempo


Assim seja!


domingo, janeiro 5

Não é só futebol...


 
Havia nele a máxima tensão
Como um clássico ordenava a própria força
Sabia a contenção e era explosão
Não era só instinto era ciência
Magia e teoria já só prática
Havia nele a arte e a inteligência...
Do puro e sua matemática
Buscava o golo mais que golo – só palavra
Abstracção ponto no espaço teorema
Despido do supérfluo rematava
E então não era golo – era poema.
 
Manuel Alegre

quinta-feira, janeiro 2

Sei esperar mas ainda não sei estar em sossego


Hoje o professor Geraldo não precisava de me explicar porque me deu 200 anos. Na altura, eu tinha 25 e pedi explicações. Por esses dias eu não sentia o peso que o tempo tem. Hoje sinto. Ontem no escritório, meia dúzia de pastas de arquivo e eu vergada aos anos, incrédula, a contá-los pelos dedos para que não houvesse engano. E contei duas vezes os dedos das mãos, muito lenta, como se fossem de chumbo. Um peso tremendo, cheio de questões e urgências. Eu não era assim, aflita com o peso dos ponteiros do relógio, silenciosos como uma nave no espaço. Não era assim, a transbordar de espanto como se nunca tivesse permanecido aqui e não soubesse do tempo a passar por detrás de todos os relógios da casa grande, rostos sem nenhum ruído de desespero. Não era assim, tão inquieta e, no entanto, não sabia esperar. Agora que aprendi, devia estar mais sossegada. Mas não. Há um desajuste muito sério nesta minha aprendizagem. Sei esperar mas ainda não sei estar em sossego. Agora, ando com o tempo mão na mão, nascido muito mais alto e muito mais leve do que eu, a minguar-me todos os dias, como se fosse uma criança a crescer ao contrário. Ando assim, em cuidados com o tempo, cheia de vontade de não lhe voltar a tocar, nem em bicos dos pés, nem em cima do banco, como quando fazia para lhe dar corda.
Marta

Das releituras


A noite pede música



banda sonora para um sonho

quarta-feira, janeiro 1

Das coisas mal combinadas


Do que não se vê


Da alegria genuína


Do silêncio confortável


Que quer dizer um ano, ou um mês?

 
 
Que quer dizer um ano, ou um mês?
Que a minha mão não está no teu cabelo
- nem tê-lo
é ter de vez.
...

 
 
 
 
Pedro Tamen
 
 
Desenho: Leila Pugnaloni

Das noites claras


Da imprescindível confiança


Das resoluções de ano novo


Das coisas que mudam em 365 dias


Da vontade de dançar

Da orientação certa


Lhasa - El Desierto

Da lembrança e da homenagem


Fui a dois concertos dela. Num deles consegui falar-lhe. Trocamos meia dúzia de palavras. Eu só queria dizer-lhe o quanto a admirava. A admiro. O quanto me faz sentir muito, o quanto me inspira.
Morreu no dia 1 de Janeiro de 2010. Eu ia no carro. Ouvi a notícia no rádio. Na berma da estrada liguei os quatros piscas. Coloquei um dos seus três CDs e deixei-me chorar. Enorme! Imensa Lhasa.

Notícia aqui

A noite pede música

Tom">http://vimeo.com/82901521">Tom Waits - New Year's Eve
from Puerto">http://vimeo.com/puertolibre">Puerto Libre on Vimeo.https://vimeo.com">Vimeo.>

Do fazer bem sem olhar a quem


Dos dias assim... com imagem e som

Dos dias assim


Da necessária lucidez


Dos escritores que ando a ler


Do que está a acontecer


Da utilidadde do Inverno


Da situação ideal


Da filosofia


Dos cafés [em atraso e não só] com os amigos


Das músicas ao piano


Das árvores que temos no peito


De 1 dos 12 desejos


Do dia que se celebra hoje

Pela verdade, pelo riso, pela luz, pela beleza,

Pelas aves que voam no olhar de uma criança,

Pela limpeza do vento, pelos actos de pureza,

Pela alegria, pelo vinho, pela música, pela dança,

Pela branda melodia do rumor dos regatos,
...
Pelo fulgor do estio, pelo azul do claro dia,

Pelas flores que esmaltam os campos, pelo sossego dos pastos,

Pela exactidão das rosas, pela Sabedoria,

Pelas pérolas que gotejam dos olhos dos amantes,

Pelos prodígios que são verdadeiros nos sonhos,

Pelo amor, pela liberdade, pelas coisas radiantes,

Pelos aromas maduros de suaves outonos,

Pela futura manhã dos grandes transparentes,

Pelas entranhas maternas e fecundas da terra,

Pelas lágrimas das mães a quem nuvens sangrentas

Arrebatam os filhos para a torpeza da guerra,

Eu te conjuro ó paz, eu te invoco ó benigna,

Ó Santa, ó talismã contra a indústria feroz.

Com tuas mãos que abatem as bandeiras da ira,

Com o teu esconjuro da bomba e do algoz,

Abre as portas da História,

deixa passar a Vida!

Natália Correia, in "Inéditos (1985/1990)"

Da rota inevitável


Da actualidade sem reticências


Das histórias por escrever