Terça-feira, Janeiro 31
Domingo, Janeiro 29
a noite pede musica
...e agora outra voz portuguesa por quem caí de amores na passada sexta-feira,
quando a descobri no FB! "A música portuguesa a gostar dela própria" e eu a gostar de encontrar música portuguesa assim... anotem aí, por favor: Elisa Rodrigues!
...o CD acabou de sair! e eu já saí para o comprar!
...oh se a pudesse ouvir cantar...no aniversário de um amigo :)))
"Mi casa es tu casa" não poderia estender-se ao Porto, um dia destes ???
Escrito/editado por Marta 1 Terráqueos
Havia um homem que corria pelo orvalho dentro
O orvalho da muita manhã.
Corria de noite, como no meio da alegria,
pelo orvalho parado da noite.
Luzia no orvalho. Levava uma flecha
pelo orvalho dentro, como se estivesse a ser caçado
loucamente
por um caçador de que nada se sabia.
E era pelo orvalho dentro.
Brilhava.
Não havia animal que no seu pêlo brilhasse
assim na morte,
batendo nas ervas extasiadas por uma morte
tão bela.
Porque as ervas têm pálpebras abertas
sobre estas imagens tremendamente puras.
Pelo orvalho dentro.
De dia. De noite.
A sua cara batia nas candeias.
Batia nas coisas gerais da manhã.
Havia um homem que ia admiravelmente perseguido.
Tomava alegria no pensamento
do orvalho. Corria.
Ouvi dizer que os mortos respiram com luzes transformadas.
Que têm os olhos cegos como sangue.
Este corria, assombrado.
Os mortos devem ser puros.
Ouvi dizer que respiram.
Correm pelo orvalho dentro, e depois
estendem-se. Ajudam os vivos.
São doces equivalências, luzes, ideias puras.
Vejo que a morte é como romper uma palavra e passar
— a morte é passar, como rompendo uma palavra,
através da porta,
para uma nova palavra. E vejo
o mesmo ritmo geral. Como morte e ressurreição
através das portas de outros corpos.
Como uma qualidade ardente de uma coisa para
outra coisa, como os dedos passam fogo
à criação inteira, e o pensamento
pára e escurece
— como no meio do orvalho o amor é total.
Havia um homem que ficou deitado
com uma flecha na fantasia.
A sua água era antiga. Estava
tão morto que vivia unicamente.
Dentro dele batiam as portas, e ele corria
pelas portas dentro, de dia, de noite.
Passava para todos os corpos.
Como em alegria, batia nos olhos das ervas
que fixam estas coisas puras.
Renascia.
Herberto Helder in "A faca não corta o fogo" Assírio & Alvim, 2008
Escrito/editado por Marta 1 Terráqueos
Etiquetas: Herberto Helder
porque sim
...este blog fez ontem 3 anos!
... quero agradecer a quem não se esqueceu e também a quem, como eu, não se lembrou :)))
...e para assinalar a data, deixo este vídeo enviado pelo CP! um belíssimo poema do imenso Herberto Helder! Obrigada CP! Obrigada queridos terráqueos!
Escrito/editado por Marta 1 Terráqueos
Luísa Sobral: a cereja no bolo... de aniversário... da Dalila...
Foi uma surpresa deliciosa e inesperada!
Guimarães, todos sabemos, transborda de cultura. Lemos notícias aqui e ali. Ouvimos na rádio, vemos na televisão. Mas outra coisa é ir lá! E mesmo que não vamos com o intuito de ver algo programado pela Capital Europeia da Cultura isso pode acontecer! Mesmo!
O certo é que a partir de agora eu creio que tudo pode acontecer em Guimarães!
E mesmo que não nos mexamos, Guimarães mexe connosco!
Uma espécie de “se Maomé não vai à montanha, vai a montanha a Maomé”! Verdade que vai!
Eu explico: ontem fui ao aniversário de uma querida amiga.
Vimaranense com sangue azul. Pois é! Fui à sua festa de anos, como costumo ir. Mas, de repente, estava a assistir a um espectáculo da programação “Guimarães 2012”! Não, não fiz nenhum desvio nem desisti à última da hora da sua festa. Nem fui raptada, nem houve qualquer anomalia no caminho que sempre tomo para sua casa. Foi exactamente na sua casa que tudo aconteceu e me encantou.
Por muitos motivos e mais um. O mais um…chama-se… (já lá vou!)
Estávamos os amigos do costume e mais não sei quantos desconhecidos. Verdade! Muitas pessoas. Casa cheia. Literalmente! A casa dos meus amigos Ricardo e Dalila estava cheia como um ovo! Não cabia mais ninguém lá dentro. Só faltava que se pendurassem nos candeeiros! Velhos, novos, adolescentes, crianças. Uns sentados nos tapetes, como se fosse na relva, outros nas cadeiras e nos sofás da sala, outros de pé! Éramos nós, os que fomos ao aniversário e os outros, os que foram ao concerto!
Lá dentro os comentários eram muitos! Um que me chamou à atenção, na varanda, enquanto o concerto não começava foi: “isto é muito à frente! Mais parece uma iniciativa nórdica”! Outros diziam: “de facto…eu não sei se abria a porta a desconhecidos”… Mas que nos faz querer que o mundo pode ser perfeito, lá isso faz! “E porque é que a iniciativa foi baptizada com uma expressão idiomática estrangeira”, perguntavam uns! “Também já tinha pensado nisso”, diziam outros. Bem que podia chamar-se “A minha casa é a tua casa”, defendiam alguns! O certo é que se estava muito bem, fosse como fosse denominada a iniciativa. Porque o essencial estava lá! Uma iniciativa diferente a fazer querer que a cultura é mesmo humanidade, da humanidade, para a humanidade. Tão acessível a todos como ter um cantor na sala a dar um concerto íntimo para os amigos! É esse o património de valores que o berço da nacionalidade embala e cuida em episódios como este. A cultura devia ser assim, de acesso fácil, de proximidade...
A voz das crianças sobrepunha-se. Os adultos, conhecidos e desconhecidos falavam baixinho. Os adolescentes sorriam e perguntavam se a cantora já tinha chegado. Chegaram alguns adolescentes tímidos mas que na hora h sabiam de cor a letra das músicas cantadas! Eu, já disse e repito, estava encantada e ainda não imaginava que me iria encantar mais quando ouvisse Luísa e a sua caixa de música…
…o mais um… chama-se Luísa Sobral...
Da lista de artistas constavam nomes como Aldina Duarte e António Zambujo, Anaquim, At Freddy´s House, Best Youth, Capitão Fausto, Cavalheiro, Cipriano Mesquita, Guta Naku, Luísa Sobral, Mafalda Veiga, Marta Hugon, Nick Nicotine, Nuno Prata, Samuel Úria, Sandy Kilpatrick, Trio Pagú, Virgem Suta, We Trust.
Desta lista conheço, obviamente, alguns! Não os conheço a todos e – por mal que me fique, tenho de confessar, não conhecia a Luísa Sobral! É triste mas é (era) verdade!
O certo é que agora, até já sei de coisas que não sei de outros cantores de que gosto há muito tempo... Depois de a ouvir cantar, na sala da Dalila, que para nós tomou a dimensão do Olímpia de Paris, só tinha mesmo de deitar pés ao caminho, que é como quem diz, à internet, e tentar perceber quem é a menina jazzy que nos calhou na rifa. Uma rifa premiada, diga-se! Valeu mesmo a pena! Luísa Sobral não só é uma simpatia, uma perfeita comunicadora, como canta mesmo mesmo muito bem!
...E adorei a história de O Engraxador que nos contou...segura e divertida...
Depois, ainda no primeiro sete, ela disse que sempre gostou de caixas de música e explicou como fez a dela! Cantou a música onde brilhou a caixa de música e eu…rendi-me completamente! Voei! Lindo, lindo, lindo!
As adolescentes que lá estavam sabiam as letras de cor e salteado! Mesmo! Xico foi um sucesso com toda a gente a cantar em uníssono, menos eu, pasmada com tudo aquilo a acontecer à minha volta, inesperadamente.
Para a Dalila e para nós foi sem dúvida um dia memorável! Para os organizadores da iniciativa foi, sem dúvida, um sucesso. Esperemos que a Luísa Sobral também tenha gostado!
Não sei que dizer mais! Espreitem o site e encantem-se! De resto vou amanhã comprar o disco e aprender as letras! É que em breve, terei mais um aniversário e, sendo em Guimarães, não será de descartar a hipótese de a Luísa Sobral estar por lá, na sala do meu amigo Rui :)
Escrito/editado por Marta 3 Terráqueos
Etiquetas: coisas minhas
Domingo, Janeiro 1
Feliz Ano Novo!
Aqui fica uma excepção [à regra de Março :)] para vos desejar, no primeiro dia do novo ano, tudo de bom! Eu terei de continuar concentrada... [concentrar v. tr.v. tr. 1. Reunir num centro. 2. Fazer convergir. 3.Condensar. 4. Aplicar num só objecto (a imaginação ou algum sentimento)...in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa ]
Obrigada a todos pelas mensagens e e-mails. Pelo carinho e pela "blogoamizade" aqui criada :)
[querida Mafalda o teu postal deixou-me muito, muito, muito muito feliz! Gosto muito de ti. Saudades...]
e mais saudades de todos, marta.
Escrito/editado por Marta 4 Terráqueos
Etiquetas: coisas minhas... e vossas também
a noite pede musica
Bom ano para todos!
Muitas realizações pessoais e profissionais! Saúde!
Escrito/editado por Marta 0 Terráqueos
Domingo, Dezembro 11
Isto para dizer...
Há lugares e não-lugares, Marc Augé sustentou-o, no meu entender, muito bem.
O que é um blog? Certamente um lugar. Um lugar onde acontecem coisas tão estranhas como sentirmo-nos ligados a pessoas que não conhecemos. Entram no nosso quotidiano como a senhora demasiado real da lavandaria, ou o senhor risonho do café onde tomamos a bica [eu disse bica para não repetir café, porque eu digo café] todos os dias. Aqui, os afectos ganham uma nova dimensão - pelo menos para mim é nova - e pessoas a quem nunca ouvimos a voz ou olhamos nos olhos, passam a fazer parte do nosso dia-a-dia. Sabem de nós coisas simples que pessoas que trabalham connosco, que nos vêem todos os dias, não sabem. Ver não é conhecer, pois claro que não. Há pessoas com quem trabalho, por exemplo, que não imaginam que não vivo sem jazz. Nem têm de imaginar, é certo. Isto para dizer que um blog pode ser também um lugar de autenticidade, um lugar onde se é realmente. Onde encontramos pessoas deliciosamente reais.
Isto para dizer o que não me está a sair muito bem... porque ando há dias a pensar no que dizer e quando eu penso muito, nada me sai bem. Para dizer que aqui encontrei um espaço de partilha inigualável, que encontrei pessoas que me emocionam, que encontrei inspiração em traços e gestos que não consigo, agora, dizer o quanto significam para mim. Mas significam muitíssimo. Isto para dizer que tenho de pôr, aqui na porta "um volto já" que é como quem diz volto um dia destes. É que não gosto de dizer adeus, porque isto também não é um adeus, é mesmo uma forma de dizer vou porque tenho mesmo de ir e já estou com saudades. Isto para dizer obrigada a todos os que passam aqui, em silêncio ou não. E mandam e-mails e músicas e notícias e livros e desenhos. E vida e tudo.
Obrigada. De um fundo que não tem fundo.
Não é falta de tempo, é excesso de matéria. Acreditem! Tenho, de repente, ou quase, coisas para fazer acontecer. Com prazos umas, outras nem tanto. E um dia destes passo cá para vos contar o que tenho andado a fazer e vou bater à porta daqueles a quem conheço a porta. Isto para dizer que foram quase três anos absolutamente inesquecíveis aqui, convosco. E que aqui, convosco, me aconteceram coisas extraordináriamente boas e quase inacreditáveis. Algumas.
Isto para dizer que vos estou muito, mesmo muito, grata.
marta
P.S. Como disse J. Rentes de Carvalho, "um blog cria-nos a ilusão de estar alguém à nossa espera". E eu, pelo sim, pelo não, vou já dizendo que, se tudo correr bem, volto ...lá para Março.
P.S.2 Esta ideia que a Margarida me deu, por e-mail, pode resultar:
«Marta, quando tiver algo urgente a dizer, um livro para recomendar, por exemplo, acrescente um P.S ao último post. É mais prático».
Já estou a pôr em prática. Obrigada:)
Escrito/editado por Marta 32 Terráqueos
Etiquetas: coisas minhas... e vossas também
Estou perto do nó misterioso das coisas
Não cairei. Atingi o centro. Escuto o bater de não se sabe que relógio divino, através do delgado tapume carnal da vida cheia de sangue, de estremecimentos e de sopros. Estou perto do nó misterioso das coisas como à noite estamos por vezes perto de um coração.
Marguerite Yourcenar, in Fogos, pag.81, Difel, 1995
Escrito/editado por Marta 0 Terráqueos
Etiquetas: Marguerite Yourcenar
Há cidades cor de pérola onde as mulheres
Há cidades cor de pérola onde as mulheres
existem velozmente. Onde
às vezes param, e são morosas
por dentro. Há cidades absolutas,
trabalhadas interiormente pelo pensamento
das mulheres.
Lugares límpidos e depois nocturnos,
vistos ao alto como um fogo antigo,
ou como um fogo juvenil.
Vistos fixamente abaixados nas águas
celestes.
Há lugares de um esplendor virgem,
com mulheres puras cujas mãos
estremecem. Mulheres que imaginam
num supremo silêncio, elevando-se
sobre as pancadas da minha arte interior.
Há cidades esquecidas pelas semanas fora.
Emoções onde vivo sem orelhas
nem dedos. Onde consumo
uma amizade bárbara. Um amor
levitante. Zona
que se refere aos meus dons desconhecidos.
Há fervorosas e leves cidades sob os arcos
pensadores. Para que algumas mulheres
sejam cândidas. Para que alguém
bata em mim no alto da noite e me diga
o terror de semanas desaparecidas.
Eu durmo no ar dessas cidades femininas
cujos espinhos e sangues me inspiram
o fundo da vida.
Nelas queimo o mês que me pertence.
o minha loucura, escada
sobre escada.
MuIheres que eu amo com um des-
espero .fulminante, a quem beijo os pés
supostos entre pensamento e movimento.
Cujo nome belo e sufocante digo com terror,
com alegria. Em que toco levemente
Imente a boca brutal.
Há mulheres que colocam cidades doces
e formidáveis no espaço, dentro
de ténues pérolas.
Que racham a luz de alto a baixo
e criam uma insondável ilusão.
Dentro de minha idade, desde
a treva, de crime em crime - espero
a felicidade de loucas delicadas
mulheres.
Uma cidade voltada para dentro
do génio, aberta como uma boca
em cima do som.
Com estrelas secas.
Parada.
Subo as mulheres aos degraus.
Seus pedregulhos perante Deus.
É a vida futura tocando o sangue
de um amargo delírio.
Olho de cima a beleza genial
de sua cabeça
ardente: - E as altas cidades desenvolvem-se
no meu pensamento quente.
Herberto Helder
Escrito/editado por Marta 2 Terráqueos
Etiquetas: Herberto Helder
Feliz Natal! Bom ano!
Escrito/editado por Marta 3 Terráqueos
Etiquetas: Manuel Alegre
Casa cheia!
Mais uma vez, casa cheia na FNAC do Norteshopping, na passada sexta-feira, para mais uma apresentação do livro "Lúcio Feteira: das Origens à Glória". Pormenores aqui , no blog do autor.
Escrito/editado por Marta 0 Terráqueos
Etiquetas: Miguel Carvalho
O último Cineliterário !?
No próximo diz 16 de Dezembro, às 21.30 horas, na Biblioteca Municipal Camilo Castelo Branco,em Vila Nova de Famalicão, acontece o último Cineliterário! Alice no país das maravilhas do escritor britânico Lewis Carroll, adaptado ao cinema por Tim Burton, será o filme que nos espera!
Aproveito para brindar ao excelente trabalho que a Cláudia Sousa Dias tem feito como dinamizadora desta iniciativa que me levou muitas vezes aquela biblioteca tão especial para mim! Dizem-me que anda aí uma petição para que não acabe! Logo que me chegue assinarei e darei a assinar. Afinal, não são assim tantas as iniciativas que servem de exemplo: os debates, no fim dos filmes, foram sempre de uma qualidade inegável. E creio que isso se deve ao facto de a Cláudia Sousa Dias ser a pessoa certa para levar a bom porto esta iniciativa! Nota-se sempre um cuidado extremo na preparação e apresentação de cada filme/livro. Algo feito com uma entrega total e com absoluto conhecimento da causa! Não compreendo, palavra que não!
Escrito/editado por Marta 2 Terráqueos
Etiquetas: Cineliterário
porque sim
[...Catarina Machado...a pintora surfista... a inspiração que vem do mar...]
Escrito/editado por Marta 0 Terráqueos
Partilhar, com a CAIS!
Escrito/editado por Marta 0 Terráqueos
Etiquetas: CAIS
Sábado, Dezembro 10
Hoje, às 17 horas...
«Robert Walser (1878-1956) é um dos mais originais escritores do século XX. Mestre da prosa curta, romancista singular, os seus textos situam-se na fronteira entre o real e o fantástico, a vida e o sonho. Ou, para sermos mais rigorosos, situam-se num território literário para o qual ainda não foi inventado um nome.»
Será assim...
Escrito/editado por Marta 0 Terráqueos
Etiquetas: Robert Walser
Quinta-feira, Dezembro 8
"A invenção do dia claro"
Eu queria que os outros dissessem de mim: olha um homem! Como se diz : Olha o cão! quando passa um cão; como se diz: olha uma arvore! quando há uma arvore. Assim, inteiro, sem adjectivos, só de uma peça: UM homem!
[...]
As palavras dançam nos olhos das pessoas conforme o palco dos olhos de cada um.
José de Almada Negreiros in A Invenção do dia claro
Escrito/editado por Marta 0 Terráqueos
Etiquetas: Almada Negreiros, amigos
Os livros
É então isto um livro,
este, como dizer?, murmúrio,
este rosto virado para dentro de
alguma coisa escura que ainda não existe
que, se uma mão subitamente
inocente a toca,
se abre desamparadamente
como uma boca
falando com a nossa voz?
É isto um livro,
esta espécie de coração (o nosso coração)
dizendo 'eu' entre nós e nós?
Manuel António Pina in Como se desenha uma casa, pag.21, Assírio & Alvim, 2011
Escrito/editado por Marta 0 Terráqueos
Etiquetas: Manuel António Pina
Quarta-feira, Dezembro 7
Segunda-feira, Dezembro 5
Uma biblioteca é um labirinto
Li, numa das minhas tardes passadas no sótão, um conto de um escritor argentino chamado Borges, sobre um labirinto que é um deserto. Há inúmeros lugares onde um ser humano se pode perder, mas não há nenhum tão complexo como uma biblioteca. Mas um livro solitário é um local capaz de nos fazer errar, capaz de nos fazer perder. Era nisto que eu pensava enquanto me sentava no sótão entre tantos livros.
Afonso Cruz in Os livros que devoraram o meu pai, pag, 27, Caminho, 2011
Escrito/editado por Marta 5 Terráqueos
Etiquetas: Afonso Cruz
Quinta-feira, Dezembro 1
E os livros...
Escrito/editado por Marta 0 Terráqueos
Etiquetas: Gonçalo M. Tavares
Anotem aí na agenda, por favor...
Escrito/editado por Marta 0 Terráqueos
Etiquetas: José Rentes de Carvalho
Hot Clube de Portugal reabre a 21 de dezembro
A presidente do conselho diretor do HCP, Inês Cunha, disse à agência Lusa que a reabertura será assinalada com três dias de concertos, todos de entrada gratuita, entre 21 e 23 de dezembro.
«Serão três dias de concertos só com formações do Hot Clube», entre as quais a histórica formação do Quarteto do Hot Clube, que chegou a integrar, nos anos 1960, Justiniano Canelhas, Bernardo Moreira, Manuel Jorge Veloso e o saxofonista-barítono belga Jean-Pierre Gebler, já falecido.
Estão previstas ainda atuações do Septeto e da Big Band do Hot Clube de Portugal, assim como «jam sessions» com alunos da escola do clube.
Depois destes três dias de concertos, o Hot Clube de Portugal deverá iniciar em janeiro a programação regular, interrompida durante dois anos por causa da destruição do antigo espaço onde funcionou durante quase 60 anos.»
Fonte: aqui
Escrito/editado por Marta 0 Terráqueos
Quarta-feira, Novembro 30
Segue o teu destino
Segue o teu destino,
Rega as tuas plantas,
Ama as tuas rosas.
O resto é a sombra
De árvores alheias.
A realidade
Sempre é mais ou menos
Do que nós queremos.
Só nós somos sempre
Iguais a nós-próprios.
Suave é viver só.
Grande e nobre é sempre
Viver simplesmente.
Deixa a dor nas aras
Como ex-voto aos deuses.
Vê de longe a vida.
Nunca a interrogues.
Ela nada pode
Dizer-te. A resposta
Está além dos deuses.
Mas serenamente
Imita o Olimpo
No teu coração.
Os deuses são deuses
Porque não se pensam.
Ricardo Reis
Escrito/editado por Marta 2 Terráqueos
Etiquetas: Fernando Pessoa
Nesta vida...
Nesta vida – é um facto – estamos sempre
a desaprender coisas novas. O mundo
vai guardando a luz nas suas bainhas negras
e temos a melindrosa companhia dos fantasmas
que nos procuraram: eles governam rudemente
... os nossos pequenos reinos e há um ceptro novo
para cada coroação. De repente, com a volta
das estações, damos por nós muito mais velhos
nas fotografias. As razões que nos assistiam
empalidecem em paisagens cruelmente coagidas
pela luz. Fomos expulsos dos grandes palácios
da alegria? Onde estão os mapas que nos guiavam
lá dentro, exactos como o instinto? Não sabemos
responder: o caminho turva-se: são as incertezas
da maturidade. As palavras não nos iluminam
e o amor está condenado aos defeitos naturais
do coração, que ainda assim há-de voltar a arder
sem defesa nem socorro uma vez mais.
Rui Pires Cabral
Escrito/editado por Marta 0 Terráqueos
Etiquetas: Rui Pires Cabral
Terça-feira, Novembro 29
Porque é de ti
Então sento-me à tua mesa. Porque é de ti
que me vem o fogo.
Não há gesto ou verdade onde não dormissem
tua sombra e loucura,
não há vindima ou água
em que não estivesses pousando o silêncio criador.
Digo: olha, é o mar e a ilha dos mitos
originais.
Tu dás-me a tua mesa, descerras na vastidão da terra
a carne transcendente. E em ti
principiam o mar e o mundo.
Minha memória perde em sua espuma
o sinal e a vinha.
Plantas, bichos, águas cresceram como religião
sobre a vida – e eu nisso demorei
meu frágil instante. Porém,
teu sinal de fogo e leite repõe a força
maternal, e tudo circula entre teu sopro
e teu amor.
Herberto Helder
Escrito/editado por Marta 2 Terráqueos
Etiquetas: Herberto Helder
Segunda-feira, Novembro 28
O livro de que se fala
Escrito/editado por Marta 0 Terráqueos
Etiquetas: Miguel Carvalho
Domingo, Novembro 27
Apresentado livro sobre a vida de Lúcio Feteira
Escrito/editado por Marta 5 Terráqueos
Etiquetas: notícias
Quinta-feira, Novembro 24
Já está nas livrarias... e não se consegue parar de ler...
[...] Dos cabarets à pintura, do ballet ao cinema, da escultura à fotografia, a comunidade russa contamina a França, de Cannes a Paris, com seus talentos, encantos, misérias e cheiro a mofo.
A capital é a nova casa de mulheres fatais, sofisticadas, ex-condessas e ex-damas da corte russa.
Músicos russos seduzem os parisien...ses com as suas melodias tradicionais. Antigos generais czaristas, engalanados como no tempo do Império, são agora porteiros da lendária vida noturna de Paris.
Todas as noites gera-se uma azáfama considerável na margem direita do Sena.
Homens de fraque e mulheres copiando as roupas e trejeitos das atrizes famosas confluem para a Rua de Liége, 3, onde uma enorme porta de grossa madeira cravada na parede simula o imaginário de um castelo. Entre os habitués do Cabaret Shéhérazade está Lúcio Feteira.
A porta abre-se num estalido.
Lá dentro, um cenário oriental com o charme da decadência acolhe a alta sociedade cosmopolita de Paris.
Tecidos luxuosos forram os tetos, em balão, e descem pelas paredes.
Pelas mesas, envoltos em névoas de fumo de cigarros, repousam os melhores champanhes em baldes de gelo.
O ambiente é sumptuoso, desde os trajes típicos dos empregados ao mobiliário. A Rússia czarista sobrevive no Shéhérazade num cenário de ceias pantagruélicas, com orquestras e balalaicas em fundo.
Lúcio viveu os seus últimos anos de juventude sem compromissos, sem regras e sem perder muito tempo a pensar no futuro.
«Fui muito feliz em Paris», recordará, melancólico.
Naqueles loucos anos 20, diverte-se até ao amanhecer, rodeado de tentações e fazendo as amizades mais improváveis, entre elas a do príncipe Carol, da Roménia, cúmplice de madrugadas e perdições, pouco dado aos rigores do matrimónio e famoso pela sua desconcertante vida amorosa.
Embriagado de boémia e rodeado de companhias que desafiam a libido, Lúcio demorará ainda uns meses a cair na realidade.
Mas o pecúlio acumulado na odisseia africana estava a finar-se e Feteira começa a perceber o estreito caminho em que se havia metido.
Embora relutante em abandonar uma vida de fausto, toma a decisão de embarcar no Sud-Express e regressar a Portugal.
Despede-se dos amigos e dos romances, compra o bilhete e parte. [...]
Miguel Carvalho in Lúcio Feteira, A História Desconhecida, pag. 101, QuidNovi, 2011
Escrito/editado por Marta 1 Terráqueos
Etiquetas: Miguel Carvalho
já que sentir é primeiro
já que sentir é primeiro
quem presta alguma atenção
à sintaxe das coisas
nunca há-de beijar-te por inteiro;
por inteiro ensandecer
enquanto a Primavera está no mundo
o meu sangue aprova,
e beijos são melhor fado
que sabedoria
senhora eu juro por toda a flor: Não chores
—o melhor movimento do meu cérebro vales menos que
o teu palpitar de pálpebras que diz
somos um para o outro: então
ri, reclinada nos meus braços
que a vida não é um parágrafo
E a morte julgo nenhum parêntesis.
e. e. cummings
Escrito/editado por Marta 1 Terráqueos
Etiquetas: e. e. cummings
Visão Solidária
Esta edição da Visão diz-me especialmente...e por motivos que me trazem motivada :) Ainda não a li toda mas recomendo o que li: "Economia - A força do terceiro setor", por Alexandra Correia e Mário David Campos. E, ainda, uma mão cheia de "Histórias inspiradoras" por Patrícia Fonseca e Cesaltina Pinto. Logo, leio o resto! Para já, espreitem a Visão on-line e aproveitem para votar num destes 10 projectos. Não custa nada... ter ... não só uma visão como também uma acção... solidária...
Escrito/editado por Marta 1 Terráqueos
Etiquetas: Revistas
“Os dias lentíssimos” de Alexandra Monteiro
« A sessão do ciclo “Quintas de Leitura” do Teatro do Campo Alegre (TCA), promovido pela Câmara Municipal do Porto, através da Fundação Ciência e Desenvolvimento, dá a conhecer o resultado do “Prémio Literário Cadernos do Campo Alegre Novo Autor, Primeiro Livro”: lançamento de “Os dias lentíssimos” de Alexandra Monteiro.
O lançamento deste livro de poesia, 15º da colecção Cadernos do Campo Alegre, está marcado para a noite de 24 de Novembro, a partir das 22h00, e contará com um especial concerto dos Dead Combo, entre várias outras participações. Arnaldo Saraiva apresenta a obra.
Esta sessão marca a estreia absoluta do coletivo “Peixe Graúdo”. Três mulheres talentosas e desconcertantes – Marta Bernardes, Ana Celeste Ferreira e Tânia Dinis – acompanhadas ao piano pelo indómito Ricardo Caló, irão embalar-nos, noite fora, através de inusitados ambientes poéticos e musicais – Alexandra Monteiro, Adília Lopes, Ana Paula Inácio, Alberto Pimenta, Alexandre O’Neill, Abba, Queen, Aretha Franklin e Amália, entre outros. [...]
A não perder! »
Escrito/editado por Marta 0 Terráqueos
Etiquetas: Alexandra Monteiro
Terça-feira, Novembro 22
Fotografías que hablan solas
«Gonzalo Torrente Ballester e Jorge Luis Borges, dois dos literatos mais representativos a nível mundial do Séc. XX, a conversar em frente à Giralda, Sevilha, 1987, © Juantxu Rodriguez
A Exposição “Fotografías que hablan solas” (“Fotografias que falam por si”), foi criada para homenagear o percurso profissional de Juantxu Rodríguez, por parte dos seus amigos e colegas que quiseram fazer o merecido reconhecimento de uma obra que dignifica uma profissão.
A Exposição reúne uma selecção das melhores imagens incluídas no livro monográfico “Juantxu Rodríguez”, editado em 1990, sob a coordenação do seu irmão Javier Rodríguez, e com a inestimável colaboração de profissionais da Fotografia, empresas e entidades que financiaram o projecto.»
Exposições a não perder no Centro Português de Fotografia...
Escrito/editado por Marta 4 Terráqueos
Etiquetas: fotografia, Juantxu Rodriguez
As paredes têm ouvidos by Manuela Pimentel
Manuela Pimentel from Arte Institute on Vimeo.
Um querido terráqueo sabendo que aprecio muitíssimo o trabalho da Manuela Pimental, enviou-me este link que partilho convosco. "As paredes têm ouvidos" (Walls that tell stories)... espreitem e deliciem-se!
Escrito/editado por Marta 2 Terráqueos
Etiquetas: Manuela Pimentel
Domingo, Novembro 20
...e a data apróxima-se...
Escrito/editado por Marta 2 Terráqueos
Etiquetas: Miguel Carvalho
O que é cativar?
- Quem és tu? perguntou o principezinho.
Tu és bem bonita.
- Sou uma raposa, disse a raposa.
- Vem brincar comigo, propôs o princípe, estou tão triste...
- Eu não posso brincar contigo, disse a raposa.
Não me cativaram ainda.
- Ah! Desculpa, disse o principezinho.
Após uma reflexão, acrescentou:
- O que quer dizer cativar ?
- Tu não és daqui, disse a raposa. Que procuras?
- Procuro amigos, disse. Que quer dizer cativar?
- É uma coisa muito esquecida, disse a raposa.
Significa criar laços...
Antoine de Saint-Exupéry
Escrito/editado por Marta 1 Terráqueos
Etiquetas: Antoine de Saint-Exupéry
Sábado, Novembro 19
...o meu melhor retrato...
Escrito/editado por Marta 9 Terráqueos
Etiquetas: afectos, blogs que leio, tanto
«há a lista dos dias, como o índice numa obra»
«há a lista dos dias, como o índice numa obra» [Maria Gabriela Llansol]
Eis os velhos e a sua ementa nostálgica: a lista dos dias com ligações habituais a determinados sentimentos.
A vida como obra individual que escapa ao controlo do artista alheio que vem esculpir a sua vontade efémera sobre o nosso percurso.
Obra individual que respira e não só. Eis estar vivo.
Gonçalo M. Tavares in Breves notas sobre as Ligações, pag.17, relógio d'água, 2009
Escrito/editado por Marta 0 Terráqueos
Etiquetas: Gonçalo M. Tavares
...alguém me pode ajudar, por favor?
aparece esta mensagem:
A sua conta atual (marta1322@gmail.com) não possui acesso para ver esta página.
Clique aqui para terminar sessão e mudar de conta.
--------------------------------------------------------------------------------
Página inicial .Funcionalidades .Acerca de Buzz. Ajuda .Debater .Idioma .Criadores de aplicações
Termos de utilização Privacidade Política de Conteúdo Copyright © 1999 – 2011 Google
...inviabilizando o comentário...só consigo comentar via anonimato!!!
Alguém sabe como fazer para que tudo volte à normalidade?
Escrito/editado por Marta 7 Terráqueos
Etiquetas: blogs
Sexta-feira, Novembro 18
Quinta-feira, Novembro 17
Emigrados na terra, sem mar e sem espaço...
Preocupo-me com os deuses. O meu tridente não enxerga divindades. Mesmo no céu, no último reduto que julgava possível eles já o abandonaram. É novo mistério para explicar, para filósofos e religiosos penetrarem no poder das cogitações. Emigrados na terra, sem mar e sem espaço os deuses ficam mais limpos, mais puros, apeados da parafernália dos domingos e feriados.
Ruben A.
Escrito/editado por Marta 5 Terráqueos
Etiquetas: Ruben A.
«a corrida quieta da leitura» [Maria Filomena Molder]
Escrito/editado por Marta 0 Terráqueos
Etiquetas: Gonçalo M. Tavares
Traga_Mundos contra a corrente
Dei por eles no facebook! Fui espreitar e gostei muito ...de tudo o que vi e li. Hoje - ele há coincidências! - , recebi um simpático convite para a inauguração! Com pena minha, abre às 18! Pois amanhã estarei em Vila Real sim, mas muito mais cedo, às 9 horas em ponto!
De qualquer forma, desejo as maiores felicidades a este projecto tão interessante e tão contra a corrente...
Irei lá sim, um dia destes, com todo o tempo do mundo... tragar coisas e loisas!
Bem-hajam!
Escrito/editado por Marta 1 Terráqueos
Etiquetas: Traga_Mundos












































