Domingo, Fevereiro 19

porque sim



«Exposição dedicada a Fernando Pessoa e aos seus heterónimos, que pretende mostrar toda a multiplicidade da obra do grande poeta de língua portuguesa, conduzindo o visitante numa viagem sensorial pelo universo de Pessoa, para que leia, veja, sinta e ouça a materialidade das suas palavras. Com curadoria de Carlos Felipe Moisés e Richard Zenith, nesta exposição encontra-se um espaço repleto de poemas, textos, documentos, fotografias e pintura, onde se incluem raridades como a primeira edição do livro Mensagem, com uma dedicatória escrita pelo poeta.
Nascida de uma colaboração entre a Fundação Roberto Marinho (Brasil) e o Museu da Língua Portuguesa de São Paulo, com o apoio da Fundação Gulbenkian, esta exposição foi inaugurada em São Paulo, em 2010, e apresentada no Rio de Janeiro em 2011.
Em Lisboa, na Fundação Gulbenkian, a exposição assinala o Ano do Brasil em Portugal.»

...também vos acontece?


...provar que não são um robot... quando querem comentar...

Teoria do caranguejo


Tinham construído a casa no limite da selva, orientada para o sul evitando assim que a umidade dos ventos de março se somasse ao calor que a sombra das árvores atenuava um pouco.


Quando Winnie chegava

Deixou o parágrafo no meio, empurrou a máquina de escrever e acendeu o cachimbo. Winnie. O problema, como sempre, era Winnie. Quando tratava dela a fluidez se coagulava numa espécie de

Suspirando, apagou numa espécie de, porque detestava as facilidades do idioma, e pensou que não poderia continuar trabalhando até depois do jantar; as crianças logo iam chegar da escola e ele teria que preparar o banho, fazer a comida e ajudá-las nos seus

Por que no meio de uma enumeração tão simples havia como um buraco, uma impossibilidade de continuar? Era incompreensível, pois tinha passagens muito mais árduas que se construíam sem nenhum esforço, como se de algum modo já estivessem prontas para incidir na linguagem. Obviamente, nesses casos o melhor era

Largando o lápis, pensou que tudo se tornava abstrato demais; os obviamente os nesses casos, a velha tendência a fugir de situações definidas. Tinha a impressão de estar se afastando cada vez mais das fontes, de organizar quebra-cabeças de palavras que por sua vez

Fechou abruptamente o caderno e saiu para a varanda.

Impossível deixar essa palavra, varanda.

Julio Cortázar in Papéis inesperados, Editora Civilização Brasileira, Rio de Janeiro, 2010
Tradução de Paulina Wacht e Ari Roitman.



Oana Chaplin

Short list

a noite pede música

Puro Lusitano


Chama-se Rubi. Está entre os 50 cavalos melhores do mundo! Promete nos próximos Jogos Olímpicos! E é lindo...tão lindo este puro lusitano...

Dá-me a tua mão...





Dá-me a tua mão


Deixa que a minha solidão

prolongue mais a tua

- para aqui os dois de mãos dadas

nas noites estreladas,

a ver os fantasmas a dançar na lua.

[...]

José Gomes Ferreira, in Poemas de Amor,  pag 123, Publicações D. Quixote,2002


imagem: Denis Nolet

Sábado, Fevereiro 18

o mundo...hoje...

a noite pede música

...um pouco tarde!


Das 9 às 13 aulas. Almoço e, depois, ainda me rodeei dos livros. Dos que preciso para um dos trabalhos. Mas adormeci. Verdade! E lá se foi o chá das 5 que tinha combinado! E o cinema ao fim da tarde!
Cansada. Ando um pouco cansada é o que é. E os dias não sobram. Não param. Não esperam...

porque sim

Sexta-feira, Fevereiro 17

A espantosa realidade das coisas



A espantosa realidade das cousas

É a minha descoberta de todos os dias.

Cada cousa é o que é,

E é difícil explicar a alguém quanto isso me alegra,

E quanto isso me basta.


Basta existir para se ser completo.


Tenho escrito bastantes poemas.

Hei de escrever muitos mais. naturalmente.


Cada poema meu diz isto,

E todos os meus poemas são diferentes,

Porque cada cousa que há é uma maneira de dizer isto.


Às vezes ponho-me a olhar para uma pedra.

Não me ponho a pensar se ela sente.

Não me perco a chamar-lhe minha irmã.

Mas gosto dela por ela ser uma pedra,

Gosto dela porque ela não sente nada.

Gosto dela porque ela não tem parentesco nenhum comigo.


Outras vezes oiço passar o vento,

E acho que só para ouvir passar o vento vale a pena ter nascido.


Eu não sei o que é que os outros pensarão lendo isto;

Mas acho que isto deve estar bem porque o penso sem estorvo,

Nem idéia de outras pessoas a ouvir-me pensar;

Porque o penso sem pensamentos

Porque o digo como as minhas palavras o dizem.


Uma vez chamaram-me poeta materialista,

E eu admirei-me, porque não julgava

Que se me pudesse chamar qualquer cousa.

Eu nem sequer sou poeta: vejo.

Se o que escrevo tem valor, não sou eu que o tenho:

O valor está ali, nos meus versos.

Tudo isso é absolutamente independente da minha vontade.


Alberto Caeiro in Poesia, pag.104, Assírio & Alvim

a noite pede música

A ti que não tens nome...


[...]

A ti que não tens nome e que os outros ignoram,

O mar diz-te: sobre mim, o céu diz-te: sobre mim,

Os astros adivinham-te, as nuvens imaginam-te

E o sangue espalhado nos melhores momentos,

O sangue da generosidade

Transporta-te com delícias.


Canto a grande alegria de te cantar,

A grande alegria de te ter ou te não ter,

A candura de te esperar,  [...]


Paul Eluard, in Algumas das Palavras, Tradução de António Ramos Rosa


imagem: Paul Eluard por Henri Cartier-Bresson 

urgente!

Quinta-feira, Fevereiro 16

porque sim

Quarta-feira, Fevereiro 15

Não disse nada, amor,





Não disse nada, amor, não disse nada:

foi o rio que falou ...com a minha voz

a dizer que era noite e é madrugada

a dizer que eras tu e somos nós.


A dizer os mil rostos e Lisboa

ao longo do teu rosto se te beijo.

À luz de um pombo chamo Madragoa

e Bairro Alto ao mar se te desejo.


Não disse nada, amor. Juro, calei-me:

foi uma voz que ao longe se perdeu.

Cuidei que era Lisboa e enganei-me

pensei que éramos dois e sou só eu.


António Lobo Antunes
imagem: Peter Turnley

diário de Paris / Júlio Resende


diário de Paris JÚLIO RESENDE

18 de Fevereiro a 29 de Abril

Galeria de Exposições Temporárias
 

Terça-feira, Fevereiro 14

o efeito dos dias


"Tão pouco do que pode acontecer acontece..."

Salvador Dali

a noite pede música

A Curva dos Teus Olhos



A curva dos teus olhos dá a volta ao meu peito


É uma dança de roda e de doçura.

Berço nocturno e auréola do tempo,

Se já não sei tudo o que vivi

É que os teus olhos não me viram sempre.



Folhas do dia e musgos do orvalho,

Hastes de brisas, sorrisos de perfume,

Asas de luz cobrindo o mundo inteiro,

Barcos de céu e barcos do mar,

Caçadores dos sons e nascentes das cores.



Perfume esparso de um manancial de auroras

Abandonado sobre a palha dos astros,

Como o dia depende da inocência

O mundo inteiro depende dos teus olhos

E todo o meu sangue corre no teu olhar.



Paul Eluard, in Algumas das Palavras, Tradução de António Ramos Rosa

Segunda-feira, Fevereiro 13

a noite pede música

Dia Mundial da Rádio


«Segundo alguns autores, a tecnologia de transmissão de som por ondas de rádio foi desenvolvida pelo italiano Guglielmo Marconi, no fim do século XIX, mas a Suprema Corte Americana concedeu a Nikola Tesla o mérito da criação do rádio, tendo em vista que Marconi usara 19 patentes de Tesla em seu projeto.


Na mesma época em 1893, no Brasil, o padre Roberto Landell de Moura também buscava resultados semelhantes, em experiências feitas em Porto Alegre, no bairro Medianeira, onde ficava sua paróquia. Ele fez as primeiras transmissões de rádio no mundo, entre a Medianeira e o morro Santa Teresa.

As primeiras radioemissões
O início da história do rádio foi marcado pelas transmissões radiofônicas, sendo a transcepção utilizada quase na mesma época. Consideram alguns que a primeira transmissão radiofónica do mundo foi realizada em 1906, nos EUA por Lee de Forest experimentalmente para testar a válvula tríodo.
No Brasil, a primeira transmissão foi realizada no centenário da Independência do Brasil, em 7 de setembro de 1922, em que o presidente Epitácio Pessoa, acompanhado pelos reis da Bélgica, Alberto I e Isabel, abriu a Exposição do Centenário no Rio de Janeiro. O discurso de abertura de Epitácio Pessoa foi transmitido para receptores instalados em Niterói, Petrópolis e São Paulo, através de uma antena instalada no Corcovado. No mesmo dia, à noite, a ópera O Guarani, de Carlos Gomes, foi transmitida do Teatro Municipal para alto-falantes instalados na exposição, assombrando a população ali presente. Era o começo da primeira estação de rádio do Brasil: a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro». Fonte: aqui



Em Portugal
«Em Portugal, eram já muitos os que tentavam, às suas custas receber emissões, criando receptores que na maioria dos casos não funcionavam. Mas em tudo há excepções, e um desses curiosos merece o devido destaque, já que conseguiu ultrapassar e vencer a incompreensão e desanimo de muitos, até chegar à montagem de uma verdadeira estação de Rádio.


Abilio Nunes dos Santos foi esse homem. Dirigiu a estação que passaria à história sob a denominação CT1 AA. O seu esforço valeu bem a pena já que este projecto viria a ser desenvolvido e prosseguido por Américo dos Santos, que conseguiria constituir uma das mais populares estações emissoras na altura: A Rádio Graça.

Alguns interrogam-se sobre a origem do nome desta estação já que os seus maiores momentos foram passados e vividos não no velho bairro Graça mas sim numa vivenda do Restelo. No entanto foi na Graça que o seu fundador criou todas as condições para emitir e daí a denominação.

25 de Outubro de 1925 surgiram as primeiras emissões que eram preenchidas por mensagens de saudação ao auditório desconhecido.

Afinal até onde chegaria o sinal de rádio que era enviado? Nem o próprio Américo Santos sabia. Só algum tempo depois, recebeu uma carta de Tomar informando-o da recepção do sinal com qualidade razoável. Até finais dos anos 40 a loucura radiofónica traduzia-se na montagem desenfreada de emissores e de estações que, em disputa, poderiam ter posto em perigo o normal desenvolvimento das mesmas.
Incluído nesta onda de euforia, o Porto via nascer, em Maio de 1930, a primeira estação do norte: A Rádio Sonora. A iniciativa surgiu, na altura, de 3 irmãos. Um deles, Antero Calheirosa Lobo. Instalou-se no nº249 da rua Sá de Bandeira, num edificio que viria a ser totalmente ocupado pela emissora. Pena foi que o emissor fosse bastante fraco, já que ao nível de instalações a rádio Sonora era das melhores». [...]

Fonte: continua aqui

Sentar para ouvir rádio


Ao ler isto, chegaram saudades de um tempo em que me sentava para ouvir rádio. Verdade!

Domingo, Fevereiro 12

a noite pede música

Tu estás aqui




[...]

Estás aqui comigo e tenho pena acredita de ser só isto

pena até mesmo de dizer que sou só isto como se fosse também outra coisa

uma coisa para além disto que não isto

Estás aqui comigo deixa-te estar aqui comigo

é das tuas mãos que saem alguns destes ruídos domésticos

mas até nos teus gestos domésticos tu és mais que os teus gestos domésticos

tu és em cada gesto todos os teus gestos

e neste momento eu sei eu sinto ao certo o que significam certas palavras como

a palavra paz

Deixa-te estar aqui perdoa que o tempo te fique na face na forma de rugas

perdoa pagares tão alto preço por estar aqui

perdoa eu revelar que há muito pagas tão alto preço por estar aqui

prossegue nos gestos não pares procura permanecer sempre presente

deixa docemente desvanecerem-se um por um os dias

e eu saber que aqui estás de maneira a poder dizer

sou isto é certo mas sei que tu estás aqui

Ruy Belo

...saia desse livro com as mãos para cima!

Clicklight!

O sabor do cinema regressa a Serralves


«A programação do Momento Treze do Ciclo O SABOR DO CINEMA - que pelo sétimo ano consecutivo se propõe chamar e cativar novos públicos para o Cinema - obedece ao duplo imperativo de reflectir sobre a função / o funcionamento das imagens - em consonância com o quadro temático que anima este ano o trabalho do Serviço Educativo - e de estudar a transformação do olhar sobre os objectos em olhar objectivado - numa tentativa de agarrar a imperdível oportunidade de estabelecer um diálogo com a exposição Robert Rauschenberg, patente no museu até finais de Março.

Apostados em honrar públicos já fidelizados e em chamar ao nosso círculo de espectadores-conversadores os muitos mais olhares que gostaríamos de trazer a este ciclos, é nossa preocupação prosseguir e aperfeiçoar o dispositivo de projecção-conversa, por um lado, e privilegiar não apenas a divulgação de obras de referência como a apresentação de experiências cinematográficas cujos resultados são menos conhecidos porque pouco ou nada difundidos nos circuitos de distribuição comercial, por outro. Na estimulante companhia de cineastas fora do baralho como Mekas, Vertov, Deren, Allen, Erice, Godard, descobriremos o trabalho de geniais experimentadores como Léger, Cunningham, Cage e Keersmaeker, questionando ainda e sempre, através de imagens-pensamento, a triste via do pensamento único.
Programação: Os Filhos de Lumière

Fonte: aqui

porque sim



...no passado dia 26 de Janeiro encontrei este filme fantástico...
guardei para partilhar, aqui, convosco :)

:)))

Quinta-feira, Fevereiro 9

O voo dos livros


Os meus chegaram e eu estou muito grata e feliz! Está aqui o sinal, como prometido :) Também sei que alguns já chegaram a Porto Alegre e a Niterói! Falta Curitiba e Rio de Janeiro. Os  livros fazem voar e voam. Literalmente! Só que alguns não estão a voar para o lugar certo! Parece-me...

Férias em Roma

Verde de inveja ;) Nem sei como lhe emprestei o meu guia :))) Amanhã, já estará em Roma. De férias.
Mas ela merece. Oh se merece! A minha mana merece tudo! Eu é que já estou para aqui nas recordações. Nas boas recordações de um Outubro em Roma. E no coração verde de Itália. Suspira-se!
Amanhã, lá estarei. No meu local de trabalho. Tão contente como se estivesse perdida numa rua estreita de Roma, a comer uma fatia de pizza e a beber um copo de vinho etrusco. Boa viagem :)

a noite pede música

Falta de abstracção


Não era falta de atenção. Não! Era falta de abstracção! 
Bem sei que a tendência, quando se perde algo é a de olhar para o chão. No caso, um pouco de azul excluiria de imediato essa possibilidade absurda.  Era para o ar, para cima, em direcção ao céu que ele deveria olhar. Como se procurasse uma janela alta, um papagaio de papel, um salto de golfinho. Nunca para o chão, onde caem moedas e rolam para sítios onde ninguém vai. Onde quase ninguém vai.
Onde quase nada se recupera.
Faltava-lhe muito azul. Azul e abstracção.

O que há de novo no amor?

Quarta-feira, Fevereiro 8

Resumindo...

...simples preconceito aritmético...


"A velhice é um simples preconceito aritmético, e todos nós seríamos mais jovens se não tivéssemos o péssimo hábito de contar os anos que vivemos. "


Júlio Dantas

Trabalhar até aos 75 anos...


«O chefe do governo sueco, Fredrik Reinfeldt, defendeu que os cidadãos trabalhem até aos 75 anos, em vez de o fazerem aos 65.
Fredrik Reinfeldt (na foto), primeiro-ministro da Suécia, quer que a idade de reforma no país passe dos actuais 65 anos para os 75. A proposta está a gerar controvérsia.


As declarações de Reinfeldt foram feitas numa conferência sobre o emprego, refere a Reuters. Posteriormente, numa entrevista ao jornal sueco "Dagens Nyheter", citada pela agência noticiosa, o primeiro-ministro sustentou a sua tese: "A questão é se um empregador terá uma atitude diferente perante alguém que tem 55 anos se este disser que está a pensar trabalhar mais 20 anos".

O governante, que preside à coligação de centro-direita, afirmou que a Suécia tem de enfrentar o facto de as pessoas estarem a viver mais anos e que, para se manterem os actuais níveis de bem-estar social e de pensões, deverão trabalhar mais tempo.»

Fonte aqui

"Temos cá dentro as idades todas"


«As circunstâncias podem mudar uma pessoa? Talvez residualmente. Mas, na verdade, somos aquilo que somos. Depois há a vida, para que possamos descobrir o que é isso, afinal.


Vou contar-lhe uma história. Quando tinha para aí uns 10 anos fui avaliar-me à frente de um espelho. Franzi o sobrolho, os olhos, a cara, e logo nesse momento pude contar onze rugazinhas. Ainda hoje tenho essas mesmas rugas no mesmo sítio. Já me sentia velha quando era mais nova. E agora que sou mais velha, sinto-me ainda uma menina. Todos nós somos assim.  Somos os velhos em que nos íamos transformar quando ainda éramos novos.»

Meryl Streep [numa entrevista ao Expresso]
 
Desviadíssimo daqui

a noite pede música

Anotem aí na agenda, por favor...


« "CoraSons" reúne um grupo de amigos, músicos e atores da Galiza, Portugal e Brasil, num concerto único, onde o tema do coração pulsa. Uxía, Sérgio Tannus, Aline Frazão, Najla Shami, Inês Salselas, Manuel Salselas, Ana Senlle, Chus Dominguez, Belen Cid, Magin Blanco, Tatán, Carlos Blanco, Xoán Curiel, Quiné, Bruno Cardoso, Pablo vidal Mendoza, Rui David e Isabel Leal são aqueles que dão som ao coração. Uma noite de afetos, onde brindaremos ao símbolo universal que nos une… CoraSons!
17 de fevereiro 23 horas Maus Hábitos Rua Passos Manuel 178, 4º 4000-382 Porto - Portugal »

imagem: Isabel Leal

...é assustador!


...85 mil só [sós] em Lisboa!

Notícia aqui

Pausa...


...para um café!

Chegou a Outra...


Encerrada em casa faz hoje 3 dias!
As melhoras são visíveis. Graças ao antibiótico!
A sala está cheia de sol. Na varanda secam sementes de abóbora.
E eu sorrio à ideia de as semear num jardim público...
A Almedina acabou de me enviar uma SMS a dizer que a Outra já chegou!
No Sábado tenho mais uma avaliação.
Também tenho o meu trabalho todo atrasado!
Na varanda, as sementes.
Na sala, o sol.
Cá dentro, saudades.
No vaso, a borboleta de papel faz 3 anos.
E eu, vou  continuar a estudar. Pelo menos, por mais um.

Terça-feira, Fevereiro 7

Follow them...

Tirem o me e coloquem o them! Se estiverem por Lisboa, metam pernas ao caminho...
e sigam-nas... até ao Instituto Cervantes.
Eu se estivesse  por lá, contava os dias...

a noite pede música

...o hemisfério direito do cérebro...


(...) " As pessoas numa sociedade criativa são utilizadores preferenciais do hemisfério direito do cérebro, que trabalham em sectores criativos, como as ciências, as artes ou os serviços profissionais. Este tipo de sociedade, segundo a obra A Whole New Mind, de Daniel Pink, é o nível mais elevado de desevolvimento social na civilização humana. Este autor retrata a evolução humana desde o caçador primitivo, o agricultor e trabalhador manual que dependem dos seus músculos e que, em seguida, evoluem para executivos de escritório, que usam sobretudo o hemisfério cerebral esquerdo para, por fim, progredirem para artistas que recorrem principalmente ao hemisfério direito. A tecnologia é uma vez mais o motor primário desta evolução". (...)

Philip Kotler, Hermawan Kartajaya e Iwan Setiwan in Marketing 3.0, Actual, 2011

...a whole new mind...

Voltei à escola!


Voltei à escola! Pois é! É esse um dos motivos maiores que me traz arredada da blogosfera! O saber, diz a voz do povo, não ocupa lugar. Mas, digo eu, ocupa tempo! Lá isso ocupa! Muito tempo! E só tenho aulas às sextas e aos sábados, mas tenho tanto para ler, tantos trabalhos para fazer que não sei para que lado me vire! Retida em casa, com uma gripe imensa, que  até me tirou a voz, não resisti, claro, a vir aqui dizer:
- olá! saudades de andar por aí, de blog em blog... e por aqui, de post em post :)

porque sim

Terça-feira, Janeiro 31

...o que andam a ler?

                                                     

What they are reading?

Domingo, Janeiro 29

a noite pede musica



...e agora outra voz portuguesa por quem caí de amores na passada sexta-feira,
quando a descobri no FB! "A música portuguesa a gostar dela própria" e eu a gostar de encontrar música portuguesa assim... anotem aí, por favor: Elisa Rodrigues!

...o CD acabou de sair! e eu já saí para o comprar!

...oh se a pudesse ouvir cantar...no aniversário de um amigo :)))

"Mi casa es tu casa" não poderia estender-se ao Porto, um dia destes ???

Havia um homem que corria pelo orvalho dentro

Havia um homem que corria pelo orvalho dentro.


O orvalho da muita manhã.

Corria de noite, como no meio da alegria,

pelo orvalho parado da noite.

Luzia no orvalho. Levava uma flecha

pelo orvalho dentro, como se estivesse a ser caçado

loucamente

por um caçador de que nada se sabia.

E era pelo orvalho dentro.

Brilhava.



Não havia animal que no seu pêlo brilhasse

assim na morte,

batendo nas ervas extasiadas por uma morte

tão bela.

Porque as ervas têm pálpebras abertas

sobre estas imagens tremendamente puras.



Pelo orvalho dentro.

De dia. De noite.

A sua cara batia nas candeias.

Batia nas coisas gerais da manhã.

Havia um homem que ia admiravelmente perseguido.

Tomava alegria no pensamento

do orvalho. Corria.



Ouvi dizer que os mortos respiram com luzes transformadas.

Que têm os olhos cegos como sangue.

Este corria, assombrado.

Os mortos devem ser puros.

Ouvi dizer que respiram.

Correm pelo orvalho dentro, e depois

estendem-se. Ajudam os vivos.

São doces equivalências, luzes, ideias puras.

Vejo que a morte é como romper uma palavra e passar



— a morte é passar, como rompendo uma palavra,

através da porta,

para uma nova palavra. E vejo

o mesmo ritmo geral. Como morte e ressurreição

através das portas de outros corpos.

Como uma qualidade ardente de uma coisa para

outra coisa, como os dedos passam fogo

à criação inteira, e o pensamento

pára e escurece



— como no meio do orvalho o amor é total.

Havia um homem que ficou deitado

com uma flecha na fantasia.

A sua água era antiga. Estava

tão morto que vivia unicamente.

Dentro dele batiam as portas, e ele corria

pelas portas dentro, de dia, de noite.

Passava para todos os corpos.

Como em alegria, batia nos olhos das ervas

que fixam estas coisas puras.

Renascia.


Herberto Helder in "A faca não corta o fogo" Assírio & Alvim, 2008

porque sim



...este blog fez ontem 3 anos!
... quero agradecer a quem não se esqueceu e também a quem, como eu, não se lembrou :)))
...e para assinalar a data, deixo este vídeo enviado pelo CP! um belíssimo poema do imenso Herberto Helder! Obrigada CP! Obrigada queridos terráqueos!

Luísa Sobral: a cereja no bolo... de aniversário... da Dalila...

Tenho mesmo de partilhar isto convosco!
Foi uma surpresa deliciosa e inesperada!
Guimarães, todos sabemos, transborda de cultura. Lemos notícias aqui e ali. Ouvimos na rádio, vemos na televisão. Mas outra coisa é ir lá! E mesmo que não vamos com o intuito de ver algo programado pela Capital Europeia da Cultura isso pode acontecer! Mesmo!
O certo é que a partir de agora eu creio que tudo pode acontecer em Guimarães!
E mesmo que não nos mexamos, Guimarães mexe connosco!
Uma espécie de “se Maomé não vai à montanha, vai a montanha a Maomé”! Verdade que vai!
Eu explico: ontem fui ao aniversário de uma querida amiga.
Vimaranense com sangue azul. Pois é! Fui à sua festa de anos, como costumo ir. Mas, de repente, estava a assistir a um espectáculo da programação “Guimarães 2012”! Não, não fiz nenhum desvio nem desisti à última da hora da sua festa. Nem fui raptada, nem houve qualquer anomalia no caminho que sempre tomo para sua casa. Foi exactamente na sua casa que tudo aconteceu e me encantou.
Por muitos motivos e mais um. O mais um…chama-se… (já lá vou!)

Estávamos os amigos do costume e mais não sei quantos desconhecidos. Verdade! Muitas pessoas. Casa cheia. Literalmente! A casa dos meus amigos Ricardo e Dalila estava cheia como um ovo! Não cabia mais ninguém lá dentro. Só faltava que se pendurassem nos candeeiros! Velhos, novos, adolescentes, crianças. Uns sentados nos tapetes, como se fosse na relva, outros nas cadeiras e nos sofás da sala, outros de pé! Éramos nós, os que fomos ao aniversário e os outros, os que foram ao concerto!
Eu explico melhor: “Mi casa es tu casa”. Chama-se assim a iniciativa que levou vários concertos (e muitos desconhecidos!) às casas dos vimaranenses. Os domicílios foram convertidos em salas de espectáculos, em mini casas da música, se quiserem. E entrava quem queria. Daí estarem lá os tais ilustres anónimos, que ninguém sabia quem eram, na casa da aniversariante, a partilharem a sala e a mesa connosco!
Parece que a ideia - brilhante, eu acho – foi do Fernando Alvim! E, ao que me dizem, foi um sucesso. O que aconteceu na casa dos meus amigos, aconteceu noutras casas entre as 12 e as 24 horas do dia de ontem! As pessoas andavam de mapa na mão à procura das casas que recebiam os artistas! À porta estava um distintivo de que aquele domicílio tinha aderido à iniciativa. As pessoas tocavam à campainha e pediam para entrar. E os donos da casa abriam a porta até à lotação esgotada! Verdade!
Lá dentro os comentários eram muitos! Um que me chamou à atenção, na varanda, enquanto o concerto não começava foi: “isto é muito à frente! Mais parece uma iniciativa nórdica”! Outros diziam: “de facto…eu não sei se abria a porta a desconhecidos”… Mas que nos faz querer que o mundo pode ser perfeito, lá isso faz! “E porque é que a iniciativa foi baptizada com uma expressão idiomática estrangeira”, perguntavam uns! “Também já tinha pensado nisso”, diziam outros. Bem que podia chamar-se “A minha casa é a tua casa”, defendiam alguns! O certo é que se estava muito bem, fosse como fosse denominada a iniciativa. Porque o essencial estava lá! Uma iniciativa diferente a fazer querer que a cultura é mesmo humanidade, da humanidade, para a humanidade. Tão acessível a todos como ter um cantor na sala a dar um concerto íntimo para os amigos! É esse o património de valores que o berço da nacionalidade embala e cuida em episódios como este. A cultura devia ser assim, de acesso fácil, de proximidade...
A voz das crianças sobrepunha-se. Os adultos, conhecidos e desconhecidos falavam baixinho. Os adolescentes sorriam e perguntavam se a cantora já tinha chegado. Chegaram alguns adolescentes tímidos mas que na hora h sabiam de cor a letra das músicas cantadas! Eu, já disse e repito, estava encantada e ainda não imaginava que me iria encantar mais quando ouvisse Luísa e a sua caixa de música…


…o mais um… chama-se Luísa Sobral...

Da lista de artistas constavam nomes como Aldina Duarte e António Zambujo, Anaquim, At Freddy´s House, Best Youth, Capitão Fausto, Cavalheiro, Cipriano Mesquita, Guta Naku, Luísa Sobral, Mafalda Veiga, Marta Hugon, Nick Nicotine, Nuno Prata, Samuel Úria, Sandy Kilpatrick, Trio Pagú, Virgem Suta, We Trust.
Desta lista conheço, obviamente, alguns! Não os conheço a todos e – por mal que me fique, tenho de confessar, não conhecia a Luísa Sobral! É triste mas é (era) verdade!
O certo é que agora, até já sei de coisas que não sei de outros cantores de que gosto há muito tempo... Depois de a ouvir cantar, na sala da Dalila, que para nós tomou a dimensão do Olímpia de Paris, só tinha mesmo de deitar pés ao caminho, que é como quem diz, à internet, e tentar perceber quem é a menina jazzy que nos calhou na rifa. Uma rifa premiada, diga-se! Valeu mesmo a pena! Luísa Sobral não só é uma simpatia, uma perfeita comunicadora, como canta mesmo mesmo muito bem!
...E adorei a história de O Engraxador que nos contou...segura e divertida...
Depois, ainda no primeiro sete, ela disse que sempre gostou de caixas de música e explicou como fez a dela! Cantou a música onde brilhou a caixa de música e eu…rendi-me completamente! Voei! Lindo, lindo, lindo!
As adolescentes que lá estavam sabiam as letras de cor e salteado! Mesmo! Xico foi um sucesso com toda a gente a cantar em uníssono, menos eu, pasmada com tudo aquilo a acontecer à minha volta, inesperadamente.
Para a Dalila e para nós foi sem dúvida um dia memorável! Para os organizadores da iniciativa foi, sem dúvida, um sucesso. Esperemos que a Luísa Sobral também tenha gostado!
Não sei que dizer mais! Espreitem o site e encantem-se! De resto vou amanhã comprar o disco e aprender as letras! É que em breve, terei mais um aniversário e, sendo em Guimarães, não será de descartar a hipótese de a Luísa Sobral estar por lá, na sala do meu amigo Rui :)

Domingo, Janeiro 1

Happy New Year Jazz

Feliz Ano Novo!


Aqui fica uma excepção [à regra de Março :)] para vos desejar, no primeiro dia do novo ano, tudo de bom! Eu terei de continuar concentrada... [concentrar v. tr.v. tr. 1. Reunir num centro. 2. Fazer convergir. 3.Condensar. 4. Aplicar num só objecto (a imaginação ou algum sentimento)...in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa ]
Obrigada a todos pelas mensagens e e-mails. Pelo carinho e pela "blogoamizade" aqui criada :)
[querida Mafalda o teu postal deixou-me muito, muito, muito muito feliz! Gosto muito de ti. Saudades...]
e mais saudades de todos, marta.

a noite pede musica




Bom ano para todos!
Muitas realizações pessoais e profissionais! Saúde!

Domingo, Dezembro 11

Isto para dizer...


Há lugares e não-lugares, Marc Augé sustentou-o, no meu entender, muito bem.
O que é um blog? Certamente um lugar. Um lugar onde acontecem coisas tão estranhas como sentirmo-nos ligados a pessoas que não conhecemos. Entram no nosso quotidiano como a senhora demasiado real da lavandaria, ou o senhor risonho do café onde tomamos a bica [eu disse bica para não repetir café, porque eu digo café] todos os dias. Aqui, os afectos ganham uma nova dimensão - pelo menos para mim é nova - e pessoas a quem nunca ouvimos a voz ou olhamos nos olhos, passam a fazer parte do nosso dia-a-dia. Sabem de nós coisas simples que pessoas que trabalham connosco, que nos vêem todos os dias, não sabem. Ver não é conhecer, pois claro que não. Há pessoas com quem trabalho, por exemplo, que não imaginam que não vivo sem jazz. Nem têm de imaginar, é certo. Isto para dizer que um blog pode ser também um lugar de autenticidade, um lugar onde se é realmente. Onde encontramos pessoas deliciosamente reais.
Isto para dizer o que não me está a sair muito bem... porque ando há dias a pensar no que dizer e quando eu penso muito, nada me sai bem. Para dizer que aqui encontrei um espaço de partilha inigualável, que encontrei pessoas que me emocionam, que encontrei inspiração em traços e gestos que não consigo, agora, dizer o quanto significam para mim. Mas significam muitíssimo. Isto para dizer que tenho de pôr, aqui na porta "um volto já" que é como quem diz volto um dia destes. É que não gosto de dizer adeus, porque isto também não é um adeus, é mesmo uma forma de dizer vou porque tenho mesmo de ir e já estou com saudades. Isto para dizer obrigada a todos os que passam aqui, em silêncio ou não. E mandam e-mails e músicas e notícias e livros e desenhos. E vida e tudo.
Obrigada. De um fundo que não tem fundo.
Não é falta de tempo, é excesso de matéria. Acreditem! Tenho, de repente, ou quase, coisas para fazer acontecer. Com prazos umas, outras nem tanto. E um dia destes passo cá para vos contar o que tenho andado a fazer e vou bater à porta daqueles a quem conheço a porta. Isto para dizer que foram quase três anos absolutamente inesquecíveis aqui, convosco. E que aqui, convosco, me aconteceram coisas extraordináriamente boas e quase inacreditáveis. Algumas.
Isto para dizer que vos estou muito, mesmo muito, grata.

marta

P.S. Como disse J. Rentes de Carvalho, "um blog cria-nos a ilusão de estar alguém à nossa espera". E eu, pelo sim, pelo não, vou já dizendo que, se tudo correr bem, volto ...lá para Março.

P.S.2 Esta ideia que a Margarida me deu, por e-mail, pode resultar:
 «Marta, quando tiver algo urgente a dizer, um livro para recomendar, por exemplo, acrescente um P.S ao último post. É mais prático».
Já estou a pôr em prática. Obrigada:)

Estou perto do nó misterioso das coisas


Não cairei. Atingi o centro. Escuto o bater de não se sabe que relógio divino, através do delgado tapume carnal da vida cheia de sangue, de estremecimentos e de sopros. Estou perto do nó misterioso das coisas como à noite estamos por vezes perto de um coração.

Marguerite Yourcenar, in Fogos, pag.81, Difel, 1995

imagem: Tiago Taron

Há cidades cor de pérola onde as mulheres



Há cidades cor de pérola onde as mulheres

existem velozmente. Onde

às vezes param, e são morosas

por dentro. Há cidades absolutas,

trabalhadas interiormente pelo pensamento

das mulheres.

Lugares límpidos e depois nocturnos,

vistos ao alto como um fogo antigo,

ou como um fogo juvenil.

Vistos fixamente abaixados nas águas

celestes.

Há lugares de um esplendor virgem,

com mulheres puras cujas mãos

estremecem. Mulheres que imaginam

num supremo silêncio, elevando-se

sobre as pancadas da minha arte interior.


Há cidades esquecidas pelas semanas fora.

Emoções onde vivo sem orelhas

nem dedos. Onde consumo

uma amizade bárbara. Um amor

levitante. Zona

que se refere aos meus dons desconhecidos.

Há fervorosas e leves cidades sob os arcos

pensadores. Para que algumas mulheres

sejam cândidas. Para que alguém

bata em mim no alto da noite e me diga

o terror de semanas desaparecidas.

Eu durmo no ar dessas cidades femininas

cujos espinhos e sangues me inspiram

o fundo da vida.

Nelas queimo o mês que me pertence.

o minha loucura, escada

sobre escada.


MuIheres que eu amo com um des-

espero .fulminante, a quem beijo os pés

supostos entre pensamento e movimento.

Cujo nome belo e sufocante digo com terror,

com alegria. Em que toco levemente

Imente a boca brutal.

Há mulheres que colocam cidades doces

e formidáveis no espaço, dentro

de ténues pérolas.

Que racham a luz de alto a baixo

e criam uma insondável ilusão.


Dentro de minha idade, desde

a treva, de crime em crime - espero

a felicidade de loucas delicadas

mulheres.

Uma cidade voltada para dentro

do génio, aberta como uma boca

em cima do som.

Com estrelas secas.

Parada.


Subo as mulheres aos degraus.

Seus pedregulhos perante Deus.

É a vida futura tocando o sangue

de um amargo delírio.

Olho de cima a beleza genial

de sua cabeça

ardente: - E as altas cidades desenvolvem-se

no meu pensamento quente.

Herberto Helder

Um século, dez lápis, cem desenhos


 A visitar, na Biblioteca Almeida Garrett, no Porto: um século, dez lápis, cem desenhos

Feliz Natal! Bom ano!


[um feliz Natal e um excelente ano novo
para todos os queridíssimos terráqueos que passam por este planeta]





Acontecia. No vento. Na chuva. Acontecia.

Era gente a correr pela música acima.

Uma onda uma festa. Palavras a saltar.

...

Eram carpas ou mãos. Um soluço uma rima.

Guitarras guitarras. Ou talvez mar.

E acontecia. No vento. Na chuva. Acontecia.



Na tua boca. No teu rosto. No teu corpo acontecia.

No teu ritmo nos teus ritos.

No teu sono nos teus gestos. (Liturgia liturgia).

Nos teus gritos. Nos teus olhos quase aflitos.

E nos silêncios infinitos. Na tua noite e no teu dia.

No teu sol acontecia.



Era um sopro. Era um salmo. (Nostalgia nostalgia).

Todo o tempo num só tempo: andamento

de poesia. Era um susto. Ou sobressalto. E acontecia.

Na cidade lavada pela chuva. Em cada curva

acontecia. E em cada acaso. Como um pouco de água turva

na cidade agitada pelo vento.



Natal Natal (diziam). E acontecia.

Como se fosse na palavra a rosa brava

acontecia. E era Dezembro que floria.

Era um vulcão. E no teu corpo a flor e a lava.

E era na lava a rosa e a palavra.

Todo o tempo num só tempo: nascimento de poesia.


Manuel Alegre

a noite pede música

Casa cheia!


Mais uma vez, casa cheia na FNAC do Norteshopping, na passada sexta-feira, para mais uma apresentação do livro "Lúcio Feteira: das Origens à Glória". Pormenores aqui , no blog do autor.