terça-feira, setembro 29

Sei muito bem


(Sei muito bem que na infância de toda

[a gente houve um jardim

Particular ou público, ou do vizinho.

Sei muito bem que brincarmos

[era o dono dele.

E que a tristeza é de hoje.)


Sei isso muitas vezes,

Mas se eu pedi amor, porque é que me

[trouxeram

Dobrada à moda do Porto fria?

Não é prato que se possa comer frio.

Não me queixei, mas estava frio,

Nunca se pode comer frio, mas veio frio.


Fernando Pessoa
imagem: Google

7 Comments:

Voar sem Hasas said...

Na infância de todos há um jardim.... real ou ficticio, mas florido....

Na vida de todos há um amor esquecido... que não foi servido! e será sempre recordado como um prato frio ...

Há já,,,,, livros de reclamações! Mas, afinal para onde reclamamos.............

Claudia Sousa Dias said...

boa pergunta...e será que adianta reclamar?

csd

K said...

Realmente! Um prato frio não dá prazer nenhum!

PAS[Ç]SOS said...

O amor é para se consumir quente, para lhe sorver todos os sabores escondidos nos mais recônditos detalhes, como as cores dum jardim da infância, no qual ainda não desabrochara o paladar da tristeza.

... como o de um amor que esfria.

António Conceição said...

Na minha infância não há jardim nenhum. Só uma horta. Na minha adolescência, sim, há jardins, mas não é um só.
Um dos poemas mais fraquitos que tenho lido. Que seja de um génio, não me impressiona.

Angélica Lins ツ said...

Na minha infância há jasmins...Cheiro que aquece minha alma até hoje.

Beijos perfumados pra você.

Dalaila said...

gosto tanto deste poema de fernando pessoa