quarta-feira, setembro 2

Ramos Rosa para João Rui de Sousa


Quarteto para as Próximas Chuvas de João Rui de Sousa vence Prémio Nacional António Ramos Rosa.

Sou este azul que me convida.

E transcrevo a paz, o sol dos dias.

E também, parto. E também ardo.

Depois disso desse suposto eu abreviado,

tão transparente e nítido, mas

tão transitivo

apenas gestos rasos que são cardos,

apenas pedras fundas que sao sombras,

pequenos meteoritos que são conchas

de deuses antiquissimos e cansados.

João Rui de Sousa in Antologia da Poesia Portuguesa Contemporânea, Um Panorama, Organização de Alberto da Costa e Silva e Alexei Bueno, Lacerda Editores
imagem: Picasso

4 Comments:

mfc said...

Quase uma súplica...

Claudia Sousa Dias said...

muito bonito.

mas eu queria que fosse teu...

há muito que não vejo um poema saída da tua mente ou útero da imaginação.~


csd

Funes, o memorioso said...

"o sol dos dias"; "E também, parto. E também ardo"; "apenas gestos rasos que são cardos" são versos péssimos, difíceis de piorar. O resto do poema é sofrível. Vê-se que João Rui de Sousa não é um génio. Merece o prémio.

Gisela Rosa said...

É verdade Marta o prémio foi em entregue, felizmente. O poeta está muito feliz por isso. João Rui de Sousa um de seus melhores e mais antigos amigos. Um beijinho