quarta-feira, setembro 16

Retrato


Eu não tinha este rosto de hoje,

Assim calmo, assim triste, assim magro,

Nem estes olhos tão vazios,

Nem o lábio amargo.

Eu não tinha estas mãos sem força,

Tão paradas e frias e mortas;

Eu não tinha este coração

Que nem se mostra.

Eu não dei por esta mudança,

Tão simples, tão certa, tão fácil:

- Em que espelho ficou perdida

A minha face?


Cecília Meireles

25 Comments:

Funes, o memorioso said...

Aqui não é a forma do poema que é má. Percebe-se tudo o que a autora quer dizer e di-lo com dignidade. Aqui o problema é o tema. O problema dd envelhecimento do rosto da narradora é assunto que lhe interessa a ela e, porventura, a dois ou três familiares. Ela devia abster-se de nos incomodar com tais assuntos. Se o problema a incomodava verdadeiramente, poupava uns tostões e fazia uma plástica. Agora vir pedir-nos piedade, solidariedade ou compreensão é que é um direito que não lhe assistia.

Claudia Sousa Dias said...

tanta gente assim...que já não é possível reconhecer nas fotografias...muitas vezes bastam dez anos...

Funes, o memorioso said...

Discordo, Clara Sousa Dias.
Se há coisa que desapareceu na nossa sociedade foi o envelhecimento.
Na minha infância havia muitas mulheres velhas, com o rosto cheio de rugas. Isso hoje quase desapareceu. Os cremes anti-rugas devem funcionar, de facto.
A última mulher velha de quem eu me recordo foi a actriz Isabel de Castro

james penido said...

Adorei o cara aí de cima.Será que ele nunca ouviu falar de Cecília Meireles?
Esse poema é prefeito tanto em forma quanto em conteúdo.Um dos meus favoritos.Obrigado por compartilhar.um abraço.

Gisela Rosa said...

É lindo!


Um beijinho Marta

Anónimo said...

Eu, que não percebo nada de poesia, até gostei!

bj
C

Zaclis Veiga said...

Para provocar: ela não está falando do envelhecimento que se pode resolver com plásticas ou cremes, já que é a alma que ficou velha.

beijos

El Viejo @gustín said...

hermoso poema.

1 abrazo

João Menéres said...

Concordo com o MESTRE Funes!...
Mas, em parte e só no 2º comentário dele.
ZACLIS VEIGA não está a provocar (e ele bem o sabe). Apenas sabe ler o que as palavras dizem...

Obra-prima de ARPAD realizada perante a interioridade de SOPHIA.

Se conveniente, traduzo:
Interioridade = a alma do Poeta no seu sublime momento criativo.

Um beijo, GISELA , e um muito obrigado por expores perante a blogosfera uma Poetisa Maior do Brasil e um húngaro casado com uma Pintora Maior, nascida portuguesa.

Funes, o memorioso said...

Desculpe, Zaclis Veiga, não me apercebi logo da sua provocação. Foi um lapso imperdoável, porque eu, em matéria de provocações, sou como os cães do Pavlov, salivo logo.
É evidente que a personagem que a Senhora Dona Meireles põe a falar no poema fala do envelhecimento físico que se trata com cremes. Porque do que não é físico já outros disseram tudo:
"outra mudança se faz de mor espanto,
Que não muda já como soía": lembra-se?
Na poesia, deve valer um princípio semelhante ao da navalha de Occam. Se um poeta novo vem dizer, pior, o que um poeta anterior disse melhor, o poema novo deve ser logo esquecido
É o caso da menina Meireles e da sua personagem: não diz nada que valha a pena ser recordado. Trata mal um tema gasto. Por isso, é que volto ao princípio: a tal personagem está preocupada com a mudança que se regista no seu ser e a envelhece e torna azeda e sem forças? Paciência. Todos nós passamos por aí. Só que não costumamos incomodar os outros com as nossas ridículas lamúrias poéticas sobre o assunto.
E não me diga que a Dona Cecília não me obriga a ler os seus poemas e que eu posso passar ao lado deles. É que quem escreve o que quer que seja (a começar por este comentário, por exemplo) quer impor aos outros a leitura do que escreveu, acha-se digno de ser lido. E o problema é que nós só descobrimos que um texto não merecia ser lido, depois de o lermos. É por isso que eu digo que, nesses casos, o autor se arrogou o direito de nos incomodar.
Claro está que o meu comentário não exclui a má fé, porque quem, porventura, o ler até aqui, descobrirá agora que não valia a pena tê-lo lido e sentir-se-á incomodado por eu lho ter imposto. Mas essa é a suprema vingança do autor.
:-))

João Menéres said...

LEITORES

Como é habitual em mim, cometi um erro que muito lastimo: mandei um beijo e as felicitações à GISELA, quando, no caso presente, era para a M A R T A !!!

Leila Pugnaloni said...

Marta
Escolhendo Cecília Meirelles, neste poema, você fez uma linda escolha, sim.
Por outro lado, quanto ao aspecto da mudança, dos sinais do tempo, penso mais nos sinais que o tempo teima em deixar em nossas almas : ilusões que parecem evaporar-se, saudades, etc..
Mas, sou otimista. Acho que nem o tempo pode estragar a coração de quem vive intensamente.
É a coragem de viver o lado claro da vida que nos mantém ,senão jovens, ao menos belos...de alguma forma...
Beijo a todos, aqui de Curitiba, Paraná, Brasil

made in ♥ love said...

Digam o que disserem... eu gostei....


Um beijinho
made in ♥ love

TERESA SANTOS said...

Olá Marta,

Penso que a infância de C. Meireles (a morte prematura dos pais) a marcou profundamente. Sinceramente, não aprecio, de forma particular, a sua poesia, mas amigo Funes, não batas mais!!
De facto a Senhora faz um retrato um pouco trágico, quer seja visto à luz da metáfora ou da realidade do seu envelhecimento.
E depois desta visita à Marta, Funes, não posso deixar de te visitar. Vou ver o que passa pelo teu "espaço"!
Beijinho, Marta.

Anónimo said...

Prof. Funes e(aluna?) Marta eu adoraria vê-los juntos a discutir no mundo real(é que nem sei se se conhecem realmente) pois apesar de caricato preenchem o meu imaginário de casal perfeito!!!!!!!!eheheheheheh

mfc said...

Todos os dias perdemos algo...

Marta said...

vou fingir que não li.

Funes, o memorioso said...

Vou fingir que li.

Funes, o memorioso said...

Eu até gostava de conhecer a Marta pessoalmente, mas ela mora numa cidade muito longe da minha terra.

João Menéres said...

Vamos todos fingir que tudo isto não aconteceu e que MESTRE FUNES nem por cá passou hoje?

Marta said...

olhe lá Prof. Funes, tanta terra aproxima-o do Torga... ou pensa que lá por "encarnar" Funes eu não tenho boa memória...

Marta said...

Estimado João,

eu faço quase sempre de conta que Prof. Funes não passa cá;
só não consigo fazer de conta que o visito todos os dias, no seu blog... fraquezas!
mas tb é só para ver se ele seguiu sempre em frente, num paredão daqueles que tem um farol ao fundo...desligado. sonhos!

;)

PAS[Ç]SOS said...

Perdoe-me Marta ;) o elogio, mas acho divina a terceira intervenção do Funes!
Quanto ao texto de Cecília Meireles, todos nós perdemos os rostos de ontem que se esfumam no entardecer da vida.

Claudia Sousa Dias said...

caro prf Funes: isso é para aquelas que podem.

e porque o sr. não atende mulheres que têm menos dez anos do que eu - que nunca fiz plásticas - e que parecem já estar quase na menopausa.

com fotografias nos documentis de há meia dúzia de anos a emoldurar rostos irreconhecíveis.


csd

Claudia Sousa Dias said...

e, já agora, o meu nome é Claudia e não Clara.