sexta-feira, setembro 25

Deixem os oxímoros para os poetas, senhores políticos


Ando eu a dizer - e tenho testemunhas - qual arruada, qual carapuça... Se ainda fosse uma arrozada...de tamboril, por exemplo...

Ora leiam...quem sabe, sabe... :)


”Arruada” e “asfixia democrática” inaceitáveis em português
A campanha eleitoral deu sinais de que o termo “arruada”poderá entrar em definitivo no léxico político-partidário. Vários “jornalistas-seniores” ouvidos pelo Página1 apontam para que a utilização do termo tenha surgido na década de 80, nas campanhas da CDU, mas “arruada”
consta hoje das agendas de todos os partidos. O linguista Salvato Trigo diz, contudo, ser errado o uso da expressão. Sendo certo que “muitas vezes, o uso acaba por consagrar normas”, o termo “arruada” é “canhestro” não estando sequer ”consagrado” nos dicionários.
O reitor da Universidade Fernando Pessoa diz que a alternativa correcta seria “passeata”, termo que não define apenas um passeio ligeiro, já que “também pode ter a significação de uma marcha colectiva”. Salvato Trigo deixa ao Página1 outro reparo sobre a expressão “asfixia democrática”, agora corrente. Trata-se, segundo Trigo, de uma expressão “semântica e sintacticamente errada”, porque “um termo anula o outro”.“Ou há democracia ou há asfixia”, sublinha o reitor da
Fernando Pessoa, defendendo que “não é aceitável conjugar dois termos que são a contradição um do outro, aquilo a que se chama, vulgarmente, em retórica um
oxímoro”. O oxímoro aceita-se “no discurso poético, mas não é possível usá-lo num discurso político sério”, uma vez que “o substantivo não é acompanhado por um adjectivo pertinente”.

Retirado do Página 1 com vénia ;)
imagem: The wall of no-words” © Alberto G. Baccelli

9 Comments:

Claudia Sousa Dias said...

o sr. salvato trigo tem a mania que é dono da verdade.


:-))


mas não é.


csd

JOSÉ RIBEIRO MARTO said...

andaram os elefantes saltintantes de folha em folha de nenúfar ....
abraço, marta

JOSÉ RIBEIRO MARTO said...

ah , passando a ironia , esta democracia é asfixante porque há níveis de liberdade e de vida estão de facto asfixiados , um deles é o direito ao trabalho em condições de trabalho ... ou não ? ou tão só ao trabalho ?
cordialmente
_________ jrmarto

Zaclis Veiga said...

Nas campanhas políticas brasileiras os adjetivos quase sempre são impertinentes.
:)

Tiago Taron said...

a palavra arruada deviam reservar-se para significar as mulheres a quem a rua faz o que a lua faz às outras, as aluadas.

Anónimo said...

Senhora Claudia Dias,

Garanto-lhe que a menina não sabe nem metade daquilo que o Professor Salvato Trigo sabe.

Leigo

Anónimo said...

Não sei quem é esse Trigo, mas a verdade é que nisso observou (e disse)muito bem.

Claudia Sousa Dias said...

subscrevo.


mas continuo a afirmar que não é dono da verdade.

nem eu.

cordialmente

csd

C. said...

"O homem que não diz que não não é o homem que diz que sim." - diz o A. em "o lado esquerdo". E eu concordo.

Há demasiada semântica política (o que, em si, tb pode ser uma contradição). Mas aos políticos, poder-se-á permitir dizer tudo?