sábado, maio 16

As gavetas


Não deves abrir as gavetas

fechadas: por alguma razão as trancaram,

e teres descoberto agora

a chave é um acaso que podes ignorar.

Dentro das gavetas sabes o que encontras:

mentiras. Muitas mentiras de papel,

fotografias, objectos.

Dentro das gavetas está a imperfeição

do mundo, a inalterável imperfeição,

a mágoa com que repetidamente te desiludes.

As gavetas foram sendo preenchidas

por gente tão fraca como tu

e foram fechadas por alguém mais sábio que tu.

Há um mês ou um século, não importa.
Pedro Mexia, in Anos 90 e Agora, pag. 215, Quasi, 2001
imagem: desenho de Salvador Dali

13 Comments:

Claudia Sousa Dias said...

não mexer num passado se se pretende morto.

é favor.


:-)

compreendo-te perfeitamente.


beijo

Marta said...

Compreendes o poeta que o escreveu...queres tu dizer!!!!

Eu sei!

Há uma tendência para nos indentificarem com o que postamos! A nós e aos nossos sentimentos.
Tipo: o poema é alegre, quem o postou está alegre! :)
Não tem de ser assim. Obrigatoriamente.
Neste caso, a imagem encontrada, fez-me recordar deste poema. E juntei-os!
...que cá para nós, que ninguém nos ouve :), eu até acho que o passado nunca morre. Apenas passa.

bjos, linda

nefertiti said...

... eu ouvi, Marta, e concordo contigo.
Eu não resisto a uma gaveta, principalmente se estiver fechada há muito tempo, tenho que abrir.

A conjugação poema/desenho está interessante.

Paulo - Intemporal said...

assertivamente assertivo.

amei.

um beijo Marta.

mfc said...

Mas temos que conviver com as memórias!
Não há gavetões que escondam tudo...

SILÊNCIO CULPADO said...

Marta

Esta é a grande máxima sobre gavetas fechadas onde se vendem verdades fabricadas para saciarem curiosidades mórbidas.

Cada um com a sua e esse é o melhor lema.


Abraço

Tiago Taron said...

obrigado por me ter dado vontade de ler o que esse senhor escreve, vou procurar.

vaandando said...

....provavelmente , Marta, por pura implicância eu gosto mais da fotografia do que do poema , embora saiba lê-lo muito bem , bom, se destas coisas podemos dizer que o sabemos fazer!

abraço , Marta

Su said...

pois eu ando spre com as gavetas entreabertas.........enfim

mas ultimamente tive de abri.las...foi forçoso faze.lo



jocas maradas de terapia:)

rui said...

Eu sou o Rui...e estou promovendo...
O "o templo do amor"...se se sente triste..ou com dores de coraçäo..
Se a sua alma..tem arrepios..ou a sua boca já näo tem sabor a desejos...
Tenho.. para lhe oferecer.. abraços..beijos e emoçöes...........
Na compra dum beijo.......lhe ofereço dois
se comprar um abraço.... lhe ofereço dois pares de mäos com ou sem luvas
por causa dos vestigios..
Mas a grande promoçäo da semana.....é Emoçöes...
Na compra de uma emoçäo......lhe ofereco uma Flor " Made China"
Tambem leva um pacote de lenços de papel ...para as lágrimas.."Made India"
Pode tambem se candidatar ao " Coraçäo Fraco"
E habilita-se a um Grandioso Premio......O Coraçäo de Ouro "Made Germany"

Vá de que está a espera.....Näo seja a ultima..... venha me visitar

Promoçoes Rui.......ao seu dispor

bom domingo....seja de chuva ou de sol ......

sonja valentina said...

gavetas fechadas... só depois de bem arrumadas. e aí sim, quando passou já tempo suficiente, volto a abri-las sem medos nem receios. nem sempre... mas a ser, tem que se assim!

comboio turbulento said...

As gavetas são como as portas: por vezes, o o que encontramos leva-nos a abrir outras e assim sucessivamente até nos perdermos no labirinto do nosso percurso de vida

Zaclis Veiga said...

Acho que a ilustração é perfeita. Não podemos nos manter em pé sem essas gavetas. E é importante revisitá-las de vez em quando para esclacer a nossa consciência sobre quem somos e como conseguimos sobreviver, até agora.
Grande beijo