segunda-feira, março 16

Pode um desejo imenso...

Pode um desejo imenso
Arder no peito tanto,
Que à branda e à viva alma o fogo intenso
Lhe gaste as nódoas do terreno manto,
E purifique em tanta alteza o espírito
Com olhos imortais,
Que faz que leia mais do que vê escrito.


Luís Vaz de Camões, Ode VI



[...e depois a pergunta certa no teste de Português: e o que é que o autor quer dizer com isto?
Paula, querida, esta é para ti... vá...e não fiques nervosa... ]

4 Comments:

PAS[Ç]SOS said...

Cada palavra, cada frase, cada verso, cada texto, cada poema, arrisca-se, à partida a ter pelo menos duas versões: a do autor e a do leitor. Quantas vezes o sistema das sensações, dos sentidos, dos sentimentos, das emoções, não permite leituras diversas? É, pois, natural, óbvio, justificável, e DESEJÁVEL que um desejo, imenso ou não, leia mais do que está escrito. O desejo é ‘a confissão da falta, do vazio’. ‘O desejo nunca está ali onde é esperado pelo outro; sempre alhures, deixa atrás de si apenas uma cera mole sobre a qual cada um, cada uma pode imprimir sua marca, à sua conveniência’.

Marta said...

Sim, Passos, as leituras são diversas! E é exactamente por isso, com base numa divertida conversa que eu e a Paula mantivemos, que surge o desafio de ela responder :)
Recordações do tempo em que os testes de português e matemática nos deixavam em pânico!

Para si, claro, isto são "pinuts", afinal, é um homem de palavras...
Bom dia :)

Anónimo said...

Só mesmo indo perguntar ao Luís, e se calhar nem ele sabe... ...

A outra alternativa é adivinhar o que o professor quer que (eu)responda...

Simplesmente "isto"

Anónimo said...

Cá para mim já leste o romance do Frederico Lourenço...
bjo
PS