quarta-feira, março 4

Apanhar um taxi...ou a arte de... hailing a taxi...


Quando se trata de apanhar um táxi no meio da rua, geralmente, nunca me acontece como nos filmes! Bem que estico a mão, o pé e nada! Nunca aparece um disponível, logo ali! A primeira vez que me aconteceu, pasmei. E ainda não sabia que estava para pasmar muito mais. Foi em Lisboa. Olhei para o lado esquerdo, estiquei a mão e o táxi parou logo ali. Esse dia foi de filme. Tão de filme que o motorista desse mesmo táxi foi detido 15 minutos depois! Assim, tipo sair da viatura à força e mãos atrás das costas! Dois carros de polícia um taxista e eu... e eu incrédula a pensar que era para os Apanhados. Eu à procura de uma câmara, para dizer, com um adeus envergonhado, "isto é só a brincar, mamã! Não te aflijas!!!" Mas era a sério. O polícia a mandar-me sair do carro. Saia, saia. Desculpe o incómodo. Mas saia. Que corria perigo... e eu a sair, atónita a pensar porquê a mim e a responder-me, como sempre, porque sim. Se não fosse a ti era a outro qualquer! Entretanto o Alfa já teria partido e eu rua Augusta fora, ou rua do Ouro ou outra qualquer, por ali fora. A pensar, a beliscar-me. À beira de um ataque de nervos. Nesse dia, lembro-me claramente, contra todas as previsões, cheguei ao Porto de avião! Foi, talvez, há cinco anos.
Isto para registar, imaginem só, que ontem, em Lisboa, pela segunda vez na vida, estiquei a mão, como nos filmes, e o taxista parou de imediato.Passados 15 minutos, nenhum carro da polícia nos perseguia e, o motorista, não foi detido. Nem eu ia para Santa Apolónia. Ontem, entrei no táxi para fazer uma viagem um pouco maior. E o taxista ouvia Antena 2. E perguntou se aquela música me incomodava? E eu, que não, que não, que até lhe agradecia. Que gostava. E ele a falar de música clássica. A mostrar-me, com delicadeza e certa timidez os seus discos de música clássica e a falar de Mozart. Com sabedoria. E a perguntar-me se podia pôr um disco, já que eu gostava...e se podia pôr mais alto. E eu que sim. Que podia. E a música toda dentro do carro, os vidros fechados e cristalinos. E Lisboa lá fora, aberta, carregada de gente em trânsito...como eu. Como nos filmes...
Imagem: Liv Tyler; Candid photos

12 Comments:

J Alexandre Sartorelli said...

A cidade passa
Como um filme.

E nós passamos,
Aparecemos
E alguém nos suprime.

saudações além-mar
Alexandre

Marta said...

...sinta-se saudado, estimado Alexandre :) sim, como nos filmes; como na vida. na vida 1º :)

Funes, o memorioso said...

A Marta é que tem sorte!
A mim nunca me calhou uma aventura dessas. O único taxista mais fora do comum que me apareceu foi um, em Coimbra, que às duas da manhã deu um tiro no semáforo vermelho, para poder avançar e que no final da viagem me deu um cartão de visita que dizia: "F, taxista, viagens em todo o país e no estrangeiro, designadamente Espanha, França, Alemanha, Bélgica, Vietname e Coreia do Sul. Arranjam-se rádios e televisões".
Depois, houve outro que, quando no aeroporto de Lisboa lhe indiquei como destino a Avenida da Liberdade, protestou enfurecido: "Foda-se! Há uma hora aqui à espera e sai-me um filho da puta para a Avenida da Liberdade!"
Quem me dera conhecer um taxista anormal que fosse preso a meio da viagem.

Claudia Sousa Dias said...

não és tu na foto...


csd

DomingonoMundo said...

A maior parte dos taxistas que conheci mereciam realmente ser perseguidos e presos, pelo que esta situação é menos de azar e mais de propensão para a justiça. Além do mais não sabemos se, a esta hora, o tal taxista erudito não se encontra a escrever um post sobre a única cliente que não recusou os ouvidos a Mozart...

Já este post é tão musical quanto cinematográfico; gostei!

CA said...

Lisboa é o mundo de aventuras, Hiro Nakamura havia de gostar desta história ;)

Devaneante said...

Por acaso não ficaste com o nome e o número de telefone do senhor?... é que eu nunca tive uma sorte dessas, depois de vários anos a andar de táxi em Lisboa. É verdade que também nunca passei por uma experiência parecida com o do teu primeiro caso...

Quanto à música, Mozart é um dos meus compositores de eleição. O Requiem dele é sublime!

Eduardo Trindade said...

Apanhar um táxi durante uma viagem rende, mesmo, boas histórias. Mas nunca passei por uma aventura policial como essa! (E tu querias algo ainda mais hollywoodiano que isso?)

Marta said...

Prof. Funes: sorte!?
Sorte com o segundo taxista! Porque com o primeiro, quase morri de susto! era procurado por agressão a uma mulher na noite no dia anterior!nem quis saber mais! eu, de facto, nem sei porque vou ao cinema :)
e se tivesse conhecido este taxista sui generis, escreveria, estou certa, um post brilhante, onde poria todos os seus odizinhos de estimação!

Claudia: desce à terra, princesa dos livros! claro que não sou eu!

Domingo no Mundo: mas que honrra! a frequência já terminou, finalmente:) E que ideia mais fabulosa! Vou-me dedicar a descobrir esse post do taxista que gosta de Mozart! Blogosfera fora...:) Eu, confesso, só não lhe pedi o número de telefone, pelo trauma do primeiro, que galgou os passeios, em fuga, comigo dentro do carro, a mandar-me calar, aos berros e que só se calou, quando os 2 carros de polícia, se atravessaram na rua :)

CA: Lisboa é... quase o que quisermos! :)

Devaneante: pois não fiquei!! pelo simples motivo, de ter apanhado o outro desvairado :) medos, a segurarem-nos os impulsos, é o que é ;)

Não Eduardo, não queria! O primeiro taxista fará parte das histórias de "terror" da minha vida! Dava um bom episódio de um fime de domingo à tarde...ou não :)

Elipse said...

Querida amiga; da próxima vez que vieres a Lisboa não te perdoo se não me disseres. É que no mesmo dia ver-te e ouvir música clássica num taxi seria coisa de ficar para a história.
Beijos.

Dalaila said...

as viagens de taxi são muitas vezes acontecimentos de arte, de livros, de histórias de vivências, e até de loucura.

Beijinhos linda

Anónimo said...

Prezados o evento da prisáo do cidadao de lisboa , nada teve haver com a profissào de taxista e sim por agressao de uma pessoa, em dia anterior. Nào vamos confundir acoes no exercio da profissào , com as da pessoa comum.

Motorista de Taxi Rio de Janeiro Brasil..
Harry