domingo, março 29

Esplanada (poema perfeito)



Naquele tempo falavas muito de perfeição,

da prosa dos versos irregulares

onde cantam os sentimentos irregulares.


Envelhecemos todos, tu, eu e a discussão,

agora lês saramagos & coisas assim

e eu já não fico a ouvir-te como antigamente

olhando as tuas pernas que subiam lentamente

até um sítio escuro dentro de mim.


O café agora é um banco, tu professora de liceu;

Bob Dylan encheu-se de dinheiro, o Che morreu.

Agora as tuas pernas são coisas úteis, andantes,

e não caminhos por andar como dantes.


Manuel António Pina


imagem: tenho imensa pena de não saber o seu autor; recebi-a por mail, com este poema perfeito

4 Comments:

Eduardo Baltar Soares said...

olá Marta! só para deixar um beijinho de parabéns pelo teu blog que leio quase todos os dias. E embora não seja um grande fã de citações, deixar-te uma da Anais Nin "Nous écrivons pour goûter la vie à deux reprises, dans le moment et en rétrospective". Para o teu cantinho.

Marta said...

Eduardo!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Que imenso sorriso me fizeste ir, agora, buscar...nem sei bem onde...
Tão bom saber-te por perto!

um beijo

Claudia Sousa Dias said...

tb gostei...


csd

Dalaila said...

e assim crescemos todos... lindo e perfeito