segunda-feira, março 16

Bom-dia segunda-feira...






Em Londres tudo acontece! Numa estação de comboios a surpresa e a animação foi total! Setenta bailarinos misturados com passageiros! Alguns não resistiram à interacção! O espectáculo foi planeado e ensaiado durante 8 semanas! E o resultado foi magnífico!

[obrigada Cata...e sim, é melhor do que publicidade! ideias simples que funcionam! um beijo e saudades]

7 Comments:

Funes, o memorioso said...

Minha cara,
Há dois ou três meses, no Porto, a Casa da Música levou os músicos da orquestra do Porto para as estações do metro, onde tocaram várias peças. Foi simpático e agradável. Só. Ponto final.
Numa estação de metro ou de comboio, uma orquestra a tocar, um coro a cantar (como vi em Helsínquia) ou um grupo de bailarinos a dançar são só isso: uma orquestra a tocar, um coro a cantar (ou um grupo de bailarinos a dançar. Pode ser agradável, mas não tornam nenhuma urbe numa referência cultural. Por muito que isto seja politicamente incorrecto de se dizer nos tempos que correm, a cultura é uma coisa séria. Exige estudo, dedicação, espírito de sacrifício, esforço pessoal. Não anda por aí ao alcance qualquer passante que vai apanhar o comboio.

Marta said...

Caríssimo Professor,

e onde leu que a cultura não é uma coisa séria?
e onde leu que uma iniciativa destas «tornam nenhuma urbe numa referência cultural«?

Esta e as que citou são do meu ponto de vista, louváveis.

Su said...

já conhecia

mas gostei de rever

eis um modo da arte chegar aos "simples passantes"......


jocas maradas

PAS[Ç]SOS said...

Entrando na discussão, permito-me chamar a atenção para que levar a cabo uma acção destas, ainda que publicitária, requer bailarinos [no caso serão os que iniciaram o movimento] e alguém que tenha coreografado o movimento [sim porque esses mesmos bailarinos não estão a improvisar! precisam dum coreógrafo]. E uma acção como estas não se faz 'em cima do joelho'!!! Será bom saber que se exige a mesma dedicação, espírito de sacríficio e esforço pessoal do que se fosse levada a cabo num teatro. A cultura [neste caso focalizada na dança] não tem de ficar restrita aos palcos dos teatros!!! Obviamente não é uma acção destas que tornará Londres uma urbe de referência! Teria Londres necessidade de recorrer a tal para sê-lo?

Dalaila said...

ideias simples, que funcionam.... sempre

Funes, o memorioso said...

Teria Londres necessidade de recorrer a tal para sê-lo?

Teria, PAS[Ç]SOS. Teria sempre, porque não há urbes de referência. Há cidadãos de referência.
E a a tentação perigosa que envolve falar em urbes de referência (que eu pretendi denunciar no meu comentário) é que eu, simples passante preguiçoso, me possa considerar muito da cultura, da arte e da ciência, pelo simples facto de na sua cidade se organizarem sonatas na estação do metro. E pretender que, por ver os bailarinos a dançar, o esforço de ensaio e coreografia que muito bem refere, o trabalho sério e honesto dos artistas, também é meu e que, para isso, eu nem sequer preciso de fazer um esforço de interpretação desse trabalho. Basta-me vê-los quando vou apanhar o metro.
É verdade que nada disto está dito expressamente no post da Marta. Mas estes eventos públicos (que não estão em causa e, em si mesmos, são louváveis, porque, num milhão de passantes, podem convocar o talento adormecido de um) envolvem sempre esta tentação.
Conheço cada vez mais gente que nunca leu um livro na vida; que nunca gastou um neurónio do seu pequeno cérebro a pensar nos valores estéticos; que quando vê um filme tudo o que é capaz de dizer criticamente sobre o mesmo é que o adorou e, quando pergunto da razão dessa adoração me respondem simplesmente: "sei lá, porque é fantástico", mas que se julga muito da cultura, porque toma café no estabelecimento art déco lá da terra e se empanturra de sushi no festival gastronómico do oriente, organizado pela Fundação da Cultura Local.
Desculpem lá o elitismo, mas há coisas que não são compatíveis com o povão.
A minha tristeza é que, cada vez há mais povão. Conceito que não se confunde com o de cidadania, mesmo humilde. A cultura não consiste em saber muito. Consistem em ter consciência da própria ignorância.

PAS[Ç]SOS said...

Prof. Funes,
Não tenho muito a rebater relativamente à resposta que me deu. Mas considero que, nem sempre, a cultura [mais correcto será dizer o espectáculo] consegue atrair o povão aos seus locais de apresentação mais formal. E aí é necessário serem os espectáculos a ir perto do povão. Fazer com que o povão seja cada vez mais numeroso a gostar e acreditar que chegando a cada vez mais pessoas, os 'criadores' sejam capazes de desenvolver, no povão, a capacidade analítica, a qual muitas vezes, acredito que esteja apenas adormecida.
... e como não poderia deixar de ser, com a colaboração de quem decide, por exemplo, sobre educação.