segunda-feira, agosto 3

O suplemento de economia do Expresso


A economia, enquanto disciplina das ciências sociais, seduziu-me. Mas não foi sempre assim. César das Neves foi o principal responsável pela mudança. Adam Smith e outros, também. E foi, também, essa economia que aprendi na faculdade me pôs a ler jornais e suplementos de economia com prazer. Eu explico. Aliás, não vou explicar tudo, se não, não saía daqui. Da caixa do post. Ocorre-me, agora mesmo, que não devia dizer isto -pior - escrevê-lo! Mas pronto. Agora, também não voltarei atrás. Dantes, já eu amava perdidamente jornais, [por isso foi mesmo há muitos, muitos anos] não havia suplemento de economia do Expresso que não fosse parar ao caixote do lixo! Minto! Ou quase. Como eu amava [e amo] jornais, não conseguia deitar o suplemento de economia do Expresso ao lixo e então amontoava-os até não se ver o chão - a parte que não tinha tapete - do meu quarto. E a minha mãe zangava-se comigo, porque havia suplementos de economia do Expresso por todo o lado, nomeadamente debaixo da minha cama. Quilos deles! E quando já não havia nem parede, nem chão para suplementos de economia, eles desapareciam, sem a minha intervenção directa. Era esse o intuito. A minha mãe, nunca percebeu porque é que eu os acumulava e, depois, quando desapareciam do quarto, eu não dizia rigorosamente nada! Eu, que dava conta e discutia, só porque me tiravam um livro do lugar!
Só agora assumo que não os deitava fora só porque a informação me chegava em forma de notícias, num jornal! E eu não tinha coragem! Tinha dezasseis anos!
Adorava ler o Expresso no chão do meu quarto ou no da sala, de barriga para baixo e quase a fazer uma semi-flexão para o desfolhar. O Expresso imenso, a cheirar imensamente a jornal, fazia as minhas delícias porque me oferecia leitura para a semana toda. Menos o suplemento de economia! Mudo e quedo, por ali.
E adorava levá-lo para o terraço. Deitava-me, de barriga para baixo [não tinha outra forma de o ler, até porque nenhuma outra me permitia atentar na paginação, que me fascinava] num puf em forma de pêra e lia-o, assim, num longo silêncio de Verão.

Hoje, começo a ler o Expresso pelo suplemento de economia. Pois é! Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades. E hoje [que é como quem diz, há já uns bons anos] ao lê-lo de fio a pavio, recordo-me desses tempos em que pilhas de suplementos eram paisagem constante no meu quarto, apesar de não me dizerem quase nada! E sabem porque me lembrei disto?

Porque ia [e vou] postar umas respostas de Mário Ferreira, presidente da Douro Azul, uma das empresas que efectua cruzeiros no Douro.


«- Qual é o segredo do negócio estar a crescer em plena crise?

Este será o melhor ano de sempre e 2010 promete manter a trajectória de crescimento. O segredo está nas páginas na "Newsweek, do "Washington Post" ou "Daily Telegraph" e até na capa da "Cruise Travel" e resume-se numa expressão: "the best value for your money". Surgem aí referências ao vale do Douro e à Douro Azul. [...]

- Como vende o Douro no exterior?

É fácil. É o único rio na fase final das 77 maravilhas naturais do mundo. Basta invocar o dramatismo e o valor cénico da paisagem. Os dois pontos que os turistas realçam sempre é a beleza natural dos terraços e vinhas e a cordialidade dos portugueses. [...]

- O que falta à região do Douro?

Tem défice de comunicação e promoção. Foi pouca e mal feita ao longo dos anos. Quer afirmar-se como um destino, mas falta-lhe dimensão para actuar isolada. Isto cria um circulo vicioso. Há descoordenação entre entidades públicas e privadas, mas neste domínio regista-se uma evolução favorável

Após o "vazio de poder" que tomou conta das regiões de turismo até, mais ou menos, Janeiro passado, espera-se que o Douro dê cartas e colmate aquela grande lacuna - comunicação e promoção - permitindo uma projecção eficiente e eficaz do Douro no mundo! No mundo e aqui, em Portugal! É que há tanto para fazer. Tanto. Não é suficiente colocar o Turismo do Douro num pólo à parte do Turismo Porto e Norte. É preciso agir. Agilizar. Comunicar. Promover. O Douro. Com profissionalismo. Acima de tudo.

É evidente que sim. Por muitos motivos e mais o facto de ser Património Mundial!

Estarei atenta ao desempenho desta "nova" equipa.

Apenas e só porque sou duriense! Galaico-duriense ;) e - ok - estas coisas do turismo, interessam-me. Muito.
imagem: Google

2 Comments:

João Menéres said...

E eu vou estar atento ao que postares também sobre o Douro!

Zaclis Veiga said...

Querida Marta,
vou postar algumas fotos que fiz no Douro. Foi uma experiência linda e que durará a vida. Beijo