quinta-feira, novembro 25

mano do meu coração


mano do meu coração: foi a correr o meu dia. para não variar muito. ainda corro. contigo presente desde o primeiro minuto da manhã. e, ainda, sem presente para te dar. uma agonia, não imaginas. sei que não te importas, se não for hoje. mas eu gostava. não me ocorre nada, nada. diferente, especial, lindo, lindo como tu. sim, não me esqueci do bolo, às 18. mas isso não conta. ainda quero cortar o cabelo e já não sei se irei a tempo. a tempo de estar bonita no jantar. o bolo, o presente e o cabelo. por esta ordem. a ver se consigo.
ainda não te disse e logo também não te vou maçar com isto. tive um sonho absolutamente estapafúrdio contigo: um louco, um desmiolado qualquer, alucinado dos tempos que correm, abordou-me. estava a escrever-te uma carta e - não imaginas - só me deixava escrever-te dez linhas ou menos. eu escrevia, ele apagava. eu escrevia, ele apagava. até que me passei, claro. e lhe disse-lhe: sabe de quem estamos a falar? tem noção? como quer que eu escreva dez linhas ou menos sobre este rapaz? e ele, idiota, a fazer de conta. como se não soubesse que há pessoas impossíveis de meter em dez linhas ou menos. e eu furiosa furiosa, insistia em escrever-te e ele sempre a apagar. pior! a dado momento desatou a tecer considerações e mais considerações sobre o assunto. e que as pessoas criativas, originais , iluminadas e luminosas e, ainda, que gostem genuinamente de alguém, não precisam de muito mais do que uma dúzia de linhas para dizer seja o que for. ainda fiz de conta e tal, que não o ouvia mas a dado momento saltou-me a tampa. e tu sabes que quando me salta a tampa, não é bonito. nem em sonhos. longa discussão e ele a bater no ceguinho e que se eu não me despachasse o carta não seguia e não chegava a tempo e depois - queria ver - eu com as linhas mais uma vez enfiadas na gaveta. e eu pressionadíssima e impressionadíssima com a convicção dele escrevi:
Nietzsche não tem razão numa coisa. eu depois explico-te. amo-te muito. e tu sabes que nós não dizemos isto por dá cá aquela palha. não imagino sequer como será viver sem admirar o teu carácter, a tua verticalidade, a tua alegria. o teu sorriso, o teu profissionalismo, a tua bondade, os teus abraços... o despertador tocou e eu fiquei com a sensação de que foi o imbecil que fez de propósito para eu não escrever mesmo mais. de qualquer forma, não estranhes se receberes uma carta assim. às vezes o que sonhamos acontece-nos. eu, por exemplo, sonhei ter um irmão como tu. vou programar isto para que o post saia lá para as oito. hora a que estarás em casa. à nossa espera. à espera de todos os mimos a que tens direito. hoje, especialmente.

11 Comments:

Carla Farinazzi said...

Marta, lindo o texto em homenagem ao seu irmão!

Adorei o sonho, embora este a tenha deixado talvez nervosa, rsrsr. Aliás, eu adoro quando lembro do que eu sonhei.
Beijo pra você e pro seu irmão

Carla

Anónimo said...

Marta :)

I do not believe!

E eu quero uma irmã como tu...

K said...

Lindo!Manos de sorte!!!!


beijo

Claudia Sousa Dias said...

é verdade...Eu já me contentava que fossem ambos meus primos...

Anónimo said...

Mas só quem sabe, sabe o quanto isto é profundamente inédito e belo.
bjo aos dois
Cris

Sininho said...

Como expressar o que senti, assim de forma breve?
Bonito!!( muito breve, mesmo!)

Que inveja boa!! ;))

Anónimo said...

Marta,
Mais uma vez.
NÃO EXISTES!!!!!
Não sei como te passam estas coisas pela cabeça...
E pior como as consegues escrever tâo bem.
Esse teu (ini)amigo do sonho, deveria ter sido meu professor de Portugês(ou Filosofia).
Redações no máximo com 10 linhas!!!
Teria sido muito mais feliz, na escola.
Mas. claro gente que nasce a saber escrever "assim", tem que ter direito a escrver as linhas que quiser.
Bj PARABÉNS ao Mano

João Menéres said...

É por estas e por outras que te não esqueço, MARTA...
Mesmo que ignores uns apelos que te tenho deixado...

Um beijo para ti e o abraço "à distância" para esse MANO teu !

PAS[Ç]SOS said...

Quando o despertador toca, quantas linhas ficam por escrever... e agarra-se a vontade de não deixar fugir o sonho. Quantas linhas ficam por escrever no abortar dum sonho? Regressa-se e percebe-se que foram muito mais de dez linhas, num só sonho. E acorda-se... à espera de que o sonho seja prenda e nos prenda ao escrever...

Anónimo said...

AGORA percebi!
Tão lindo, Marta...

adevidacomedia said...

Mana...tu sabes. Um dia que me faltes nem sei. Adoro-te