terça-feira, novembro 23

Se eu te mandasse atirar de uma ponte

Se eu te mandasse atirar de uma ponte
atiravas-te?
claro
porque a água era límpida e tinha um tesouro no fundo
mas se fosse um viaduto?
é evidente que caía no colo de uma bruxa que me raptava
e tu ias
[buscar-me e tiravas-me do caldeirão e isso tudo
isso tudo?
pois
isso tudo
contigo é isso tudo
se me mandas morrer
vivo
se me fazes sofrer
é sem dor
se me traíres
vai ser contigo
se me amares
é com outro
dás-me um chuto
e vou de ioió
e se o cordel sair
volto num pião


não há maneira
não há forma
não há jeito


vou voltar para ti mesmo que não queiras
mesmo que não gostes
mesmo que não existas
mesmo que me finem as forças
mesmo que sejas a imagem de um filme a preto e branco em que eras o cinzento]


e não te conheço
e não te mereço


mas amo-te e isso basta
não basta?
basta
não basta?
o amor chega
não chega?
ou queres que leve flores?

João Negreiros, in O Cheiro da Sombra das Flores, pag.71 e 72, 2007


[parabéns querido João Negreiros. Tudo de bom hoje e sempre... e muitos, muitos mais poemas]

4 Comments:

CCF said...

Belo poema, diferente!
~CC~

Janaina Cruz said...

Salve Marta.
Amar é mesmo assim voltar sempre que for necessário, se não acontecer a volta, é porque o amor se desgastou... Amei teu blog!

sem-se-ver said...

gostei

(e concordo com a cc)

Anónimo said...

Eu tb gosto muito deste, muito bem repetdo por aqui :)
bjo
Cris