segunda-feira, novembro 22

Mas que sei eu das folhas no outono

Mas que sei eu das folhas no outono

ao vento vorazmente arremessadas

quando eu passo pelas madrugadas

tal como passaria qualquer dono?

Eu sei que é vão o vento e lento o sono

e acabam coisas mal principiadas

no ínvio precipício das geadas

que pressinto no meu fundo abandono

Nenhum súbito lamenta

a dor de assim passar que me atormenta

e me ergue no ar como outra folha

qualquer. Mas eu sei que sei destas manhãs?

As coisas vêm vão e são tão vãs

como este olhar que ignoro que me olha.

Ruy Belo


[poema desviado do blog do Pedro Rolo Duarte, a quem sou imensamente grata]

2 Comments:

CCF said...

assim mesmo, o Outono...
~CC~

Pensando com a Arte said...

ADOREI o seu blog, tem textos muito bonitos publicados, pelo menos os iniciais que já vi, e sigo!
Se quiser passe pelo meu e comente meus textos (; beijinhos,
pensando com arte.