sexta-feira, novembro 12

Nós, o lugar mais acolhedor

[para ti. para nós. outra vez]

Quando o nosso olhar se encontra e eu só preciso de estar como sou;

Quando estou longe e a minha voz, à primeira sílaba, te dá as coordenadas do meu coração;

Quando - choras antes aqui. estou à tua espera, faço-te um chá;

Quando - vou ter contigo, temos de brindar, o momento é único;

Quando no meio da conversa me dizes - ah, é verdade, tens de ler isto, vais adorar;

Quando me trazes um doce, de qualquer lugar - esquece a dieta;

Quando me escreves uma carta [de envelope e selo] a contar as férias e a contar-te a ti;

Quando - estou apaixonado, ela é linda, estás a ver... assim como... lembras-te...;

Quando - anda daí, vamos às compras;

Quando - vais lá cozinhar, divides a cozinha com o João;

Quando vais viajar e - dá de comer ao gato; olha a água, a porta, o alarme;

Quando sonhamos alto - um dia os nossos filhos vão brincar juntos;

Quando palmilhamos a geografia das nossas infâncias, para que nada nos falte;

Quando tomamos café e são cinco minutos uma tarde inteira;

Quando partilhamos todas as histórias de que somos feitos e, ainda, a tarte de maça;

Quando filmes, livros, tupperwares e tabuleiros andam por nossas casas, como se fossem uma;

Quando descobrimos que, afinal, fomos separados à nascença e, por dentro, nem a mãe nos distingue;

Quando ligas a banda sonora das nossas viagens, estrada fora, noite adentro;

Quando se faz mais um silêncio cúmplice ou inventamos um sorriso novo;

Quando a paz de nos termos é o cordão umbilical que nunca cortamos;

Quando se me esquecer, poderás dizer quem sou - o bom e o mau;

Quando dentro do nosso abraço estamos para sempre;

...sinto-me em casa.

É aí, exactamente aí, nesse pilar monossilábico que assenta o lugar mais acolhedor da minha gramática de afectos. Nós, é o pilar e o lugar. O pronome pessoal tónico que me faz sentir em casa. Que me fará chegar sem nunca partir. Partir, sem nunca me afastar.

[o dia 25 está a chegar, mano! e, hoje, mais do que ontem, ando às voltas connosco...]

6 Comments:

Maria de Fátima said...

ai Marta, Marta que me fizeste chorar

sem-se-ver said...

um grande abraço

Zaclis Veiga said...

você e esse teu jeito de amar...
tão linda!

Claudia Sousa Dias said...

a tradução em palavras da amizade composta pelos ingredientes do mais absoluto, belo e altruísta amor. Uma dimensão que o coloca num altar que nada tem a ver com o amor erótico ou o amor romântico. Ainda assim perfeito, porque nada pede ou exige em troca. E ainda te perguntas, tantas vezes, porque te invejam os meros mortais, amiga...


:-D

beijo

Anónimo said...

Tão profundamente comovente.
Beijo
Cris

PAS[Ç]SOS said...

Quando o NÓS são nós que não podemos desatar...

a mim, hoje, ficaram-me os olhos húmidos e atou-se-me um NÓ na garganta...