terça-feira, novembro 2

"Aproximo-me apenas daquilo que admiro"


«As minhas aproximações são sempre amorosas, aproximo-me apenas daquilo que admiro.»

«O escritor tem uma responsabilidade, não apenas em relação ao momento presente e ao que aí vem, mas, antes de mais, em relação ao passado. As gerações passadas deixaram-nos muitos sinais. É responsabilidade do escritor contemporâneo estar atento aos sinais que os escritores clássicos nos deixaram...»

«"Os Lusíadas" é uma obra fabulosa, de uma grande riqueza; e ainda hoje dá enorme prazer ficar diante daquilo que percebemos que não envelhece. O meu prazer na leitura, ainda mais em relação aos clássicos, é, acima do mais, estético, e não ideológico...»


«"Uma Viagem à Índia" acompanha passo a passo, fragmento a fragmento, por vezes linha a linha, os conflitos físicos, os relatos sobre o passado, os tumultos, os enganos, as entradas em cena do narrador, etc, de "Os Lusíadas".»

«A experiência tem um forte valor moral e intelectual. Mas a modernidade alterou um pouco o valor e os termos dessa experiência. Classicamente a experiência pressupunha deslocação física. Se possível, a grande viagem. Na modernidade, a experiência é muitas vezes mental e, neste sentido, esta epopeia ou anti-epopeia é muito mais mental do que física.»

«Uma personagem sem qualidades, mas em queda. E o que parece é que é uma personagem que se entedia com a queda. Não tem medo, não fica desesperado, não faz um balanço último da sua vida. Não passa tanto por questões políticas, colectivas, por eventuais falhanços ideológicos ou do capitalismo. É muito mais uma questão centrada no indivíduo. O grande movimento do século XXI parece-me, é o da queda.»

«A tradição romântica do amor coloca-o numa espécie de círculo em redor de duas declarações - amo-te/eu também te amo ou amo-te/não te amo - e estas duas declarações impõem-se a tudo o resto: o mundo desaparece. Esta embriaguez não permite o desvio do olhar, nem a desatenção mínima. E estarmos obcecados por uma parte é estarmos desatentos a tudo o resto.»
Fonte: AQUI, uma entrevista de Pedro Mexia a Gonçalo M. Tavares

4 Comments:

João Menéres said...

Voltarei com mais calma.

Um beijo, MARTA.

Anónimo said...

Já não vinha ao teu blog há umas semanitas.
Gosto deste rapaz ou melhor dos 2 livros dele que li, este ainda não.
Mas vim aqui para te dizer uma coisa que não tive tempo de te dizer: estás com o cabelo enorme! Já há imenso tempo que não te via com o cabelo tão cumprido. Gostei tanto de te ver e de estar contigo sem contarmos.
xi, Isabel

Marta said...

oh Isabel! :) :) :) :) valha-me deus, então vais deixar aqui um comentário destes, logo no post do Senhor Escritor!
mandavas uma mensagem, sei lá!
eu tb gostei. muito.
...e olha, não reisto a dizer-te, tb por aqui, que são as saudades.
as saudades, Isabel, fazem crescer o cabelo... :)
bjo

Anónimo said...

rsrsrsrsrsrs

Realmente, Marta!!!! Mas não te preocupes que o Senhor Escritor, como dizes, não vem cá ver!
Fica só entre nós :)
bjo, Isabel