quarta-feira, setembro 8

II Soneto para Cesário


Se te encontrasse, agora, na paisagem
nocturna dos fantasmas da cidade,
contava-te dos nossos pobres versos
no teu rasto de sombra e claridade

Contava-te do frio que há em medir
a distância entre as mãos e as estrelas,
com lágrimas de pedra nos sapatos
e um cansaço impossível de escondê-las

Contava-te – sei lá! – desta rotina
de embalarmos a morte nas paredes,
de tecermos o destino nas valetas


De uma história de luas e de esquinas,
com retratos e flores da madrugada
a boiarem na água das sarjetas.

Dinis Machado
imagem: António Henriques

4 Comments:

Angélica Lins said...

Fiquei arrepiada de tão belo que é.


Beijo Marta

Anónimo said...

Marta, Martinha do meu coração que coisa mai linda, poema e foto!!!!
Amiga, creio que há um novo sopro de VIDA em MARTA, depois de nos deixares um bocadinho abandonados, os que vimos aqui diariamente... Estás VIDA :)
Beijos

P.S. e VIVA também esse namoro com o Professor Funes... eh eh eh eh...ADORO.
P.

Anónimo said...

Dinis Machado é imbatível quando fala da sua cidade... filipe

Dalaila said...

ESTE TOCA FUNDO MINHA LINDA