terça-feira, setembro 7

Um eléctrico chamado desejo

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«A peça – que é já um clássico da dramaturgia do século XX e legitimou Tennessee Williams (1911-1983) como um dos maiores autores norte-americanos – retrata o confronto entre os valores tradicionais dos Estados norte-americanos do sul e o materialismo agressivo da América moderna.

A história é conhecida e tem sido profusamente encenada: Blanche Dubois, uma frágil e solitária mulher sulista que perdeu já o fulgor da juventude e tudo o resto que tinha, vai visitar a irmã, Stella (Lúcia Moniz), que vive num bairro pobre de Nova Orleães, acabando por entrar em confronto com o marido desta, Stanley Kowalski (Albano Jerónimo), um homem rude que lhe provoca simultaneamente desejo e repulsa.

Encenada por Diogo Infante, director artístico do D. Maria II, Alexandra Lencastre volta a pisar um palco após 12 anos de ausência, vestindo a pele de uma mulher de meia-idade, uma mulher em queda, que não quer ser exposta à luz «impiedosa» das lâmpadas e que afirma: «Eu, às vezes, digo umas mentirinhas. Mas afinal de contas, o encanto de uma mulher é 50 por cento de ilusão (…) Eu não quero realismo, quero magia. Às vezes, falseio um bocadinho a verdade, digo o que deveria ser a verdade».

Sobre a escolha da actriz para protagonizar esta peça, diz Diogo Infante que «era a personagem ideal» na altura certa.

«A Blanche é certa para a Alexandra, porque ela está numa fase da vida, como mulher e como actriz, em que atingiu um ponto de maturidade que lhe permite enfrentar uma personagem com a dimensão da Blanche, uma dimensão quase mítica, porque é uma personagem riquíssima, cheia de matizes, de contrastes, de ambiguidades e que só uma atriz com perfeito domínio da sua técnica e do seu ‘métier’ é que pode atacar de uma forma segura», defendeu.

«Tratou-se de conciliar duas vontades: por um lado, proporcionar à Alexandra um texto e uma personagem que a desafiasse e, por outro lado, eu poder rever um autor fantástico», disse o encenador.

Os atores José Neves, Paula Mora, André Patrício, Estêvão Antunes, Marques d’Arede e Sofia Correia completam o elenco desta peça, que estará em cena na sala Garrett do Teatro Nacional D. Maria II até 31 de Outubro, de quarta-feira a sábado às 21h30 e ao domingo às 16h.»

Fonte: Lusa / SOL
[mais uma "coisa" para rumar a sul :)]

8 Comments:

Angélica Lins said...

Passei para te deixar meu carinho e te desejar um maravilhoso feriado Marta.

Beijo

Carlos Azevedo said...

Já somos dois!

(Gostei muito de ler a entrevista, no Y da passada sexta-feira, à Alexandra Lencastre.)

Anónimo said...

Espreitei. Fabulosa encenação. Quase cinematográfica. Hoje, ensaio aberto. Espreitem.

Marta said...

bela sugestão Senhor Anónimo, para quem não pode espreitar!
está em Lisboa, seguramente, para se dar a esses luxos :)

Marta said...

Eu tb gostei, Carlos. muito.
e sou fã da Alexandra Lencastre :)

Marta said...

Adorava Angélica, que fosse feriado, AQUI. já estaria em Lisboa :)

beijo

Carlos Eduardo Leal said...

Oi Marta,
Adoro esta peça e o filme tb. Sobre as mulheres dizerem uma mentirinha de vez em quando', o poeta brasileiro Manoel de Barros, disse uma coisa muito linda: "90% do que escrevo é mentira, só 10% é ilusão". Há um documentário agora por aqui sobre ele. É um poeta lindo de seus 83 anos que mora no Pantanal Matogrossense. abçs

Marta said...

Carlos,
os seus comentários são caminhos :)
gosto muito de os ler e aprender.
abraço