quarta-feira, fevereiro 25

Ilhas: lugares extremos


Infelizmente não me acontece muitas vezes. Daquela vez calhou bem. Li Crónicas do Porto Santo, da editora Campo das Letras, no Porto Santo! E, apesar de a praia não ser o meu local de eleição para ler - nem pouco mais ou menos - gostei de o fazer, ali, na areia dourada.
[que saudades daquele mar, que absolutas saudades...daquela água]
Crónicas do Porto Santo «é o lugar onde a história se cruza, e se enriquece, com a ficção».
«Descobri que, em tempos, houve um caracol malhado, perdido de amores por uma caracolita de casta menor, romance que acabou em tragédia, mas não impediu os sonhos...(...) Descobri, ainda, de forma encantadora que «para os que vivem embarcados, a ilha constitui uma parábola concentrada na vastidão dos continentes. Cabe nela fatalmente o mundo inteiro. É por isso que, num fim-de-semana alargado, no Porto Santo, as famílias se passeiam longamente pela estrada que liga à Calheta da mesma maneira que no Continente se percorrem dezenas ou centenas de quilómetros para visitar outra cidade ou país longínquo. Combinam-se piqueniques na Terra Chã como lá se preparam excursões à Serra da Estrela. Por paradoxo, quanto mais pequena for a ilha, maior a dimensão relativa das suas ocorrências: o mundo inteiro sabe quem nasce, quem casa, quem morre. Por certo tudo se passa ao pé da porta, com um vizinho ou parente. É precisamente isto que faz das ilhas lugares extremos. Amados ou odiados. Espaços de convivência e de infinito horizonte ou, pelo contrário, sítios exíguos e fechados, claustrofóbicos becos sem saída onde todos se espreitam de forma doentia ou ignoram prudentemente, sustentando uma máscara de papelão. Num caso ou noutro, não se vive impunemente a insularidade. (...).» Gostei de ler José Maria Cibrão Campinho. E as suas Crónicas do Porto Santo, no Porto Santo.
[à queridíssima WOB. Ela sabe porquê.]

5 Comments:

Woman Once a Bird said...

Sítio adequadíssimo para um livro delicioso. Há que voltar (e avisar). :)

Funes, o memorioso said...

Mas então não se diz WOAB ou, no mínimo WOaB?
A Vossa opinião consensual sobre o livro convenceu-me. Mesmo que o encontre por aí, não me sentirei tentado a lê-lo.
Preconceituoso?
Claro! Com a esperança de vida que me resta, não posso ler tudo. E vocês são rés confessas do crime de amor a Torga, a Sartre e a outros ainda piores.

CA said...

Essa associação do lugar ao livro sobre o lugar é fantástica; uma vez estava eu num local improvável (Karlsrhue, na Alemanha) e à noite no hotel lia um livro em que de repente se descreve profusamente a cidade de ...Karlsrhue, sem que eu o soubesse previamente.

Acasos e impulsos comandam tudo.

Bj

Marta said...

Claro, WOB!

bjo



Eu comprei o livro, lá na ilha. Fiquei mais tempo do que o previsto e esgotou-se-me a literatura de viagem que levava comigo. E gostei bastante destas crónicas :)

bjo, Ca

Gostar não é amar.
E amar um livro, não é amar o seu autor.
Mas há autores e livros que amo.

De qualquer modo, Senhore Prof. Funes, os seus excessos, extremismos e outros ismos i rri tam-me... tem esse dom!
Por outro lado, o brilhantismo de alguns raciocínios que converte em textos..., já confessei,seduzem-me! é uma relação de amor - ódio que mantenho com o seu blog. nada a fazer...

Funes, o memorioso said...

"De qualquer modo, Senhore Prof. Funes, os seus excessos, extremismos e outros ismos i rri tam-me... tem esse dom!
Por outro lado, o brilhantismo de alguns raciocínios que converte em textos..., já confessei,seduzem-me! é uma relação de amor - ódio que mantenho com o seu blog. nada a fazer..."

Sorte a sua, que só mantém essa relação de amor-ódio com o meu blogue.
Eu mantenho essa relação permanente comigo mesmo. Há mais de 40 anos. E tenho que me aturar mesmo quando não tenho paciência.