domingo, outubro 17

Abraça-me

Abraça-me. Quero ouvir o vento que vem da tua pele,

e ver o sol nascer do intenso calor dos nossos corpos.

Quando me perfumo assim, em ti, nada existe a não ser

este relâmpago feliz, esta maçã azul que foi colhida na

palidez de todos os caminhos, e que ambos mordemos

para provar o sabor que tem carne incandescente das estrelas.

Abraça-me. Veste o meu corpo de ti, para que em ti possa buscar

o sentido dos sentidos, o sentido da vida. Procura-me

com os teus antigos braços de criança

para desamarrar em mim a eternidade, a soma formidável

de todos os momentos livres que a um e a outro pertenceram.

Abraça-me. Quero morrer de ti em mim, espantado de amor.

Dá-me a beber, antes, a água dos teus beijos,

para que possa levá-la comigo e oferecê-la aos astros

pequeninos. Só essa água fará reconhecer

o mais profundo, o mais imenso amor do universo,

e eu quero que dele fiquem a saber

até as estrelas mais antigas e brilhantes.

Abraça-me. Uma vez só. Uma vez mais.

Uma vez que nem sei se tu existes.

Joaquim Pessoa
[Do livro a publicar, ANO COMUM]

2 Comments:

Carla Farinazzi said...

Lindíssimo, Marta

Fale-me mais sobre Joaquim Pessoa.

Beijo

Carla

Anónimo said...

Ai que poema mais feito de desejo, Marta!Bonito!
bjos
Cris