terça-feira, outubro 12

depois do amor


às vezes, depois do amor,

quando feras dóceis rondam o nosso sono,

e afastam os passos dos teus amantes,



às vezes, quando me encosto à nudez, exausto,

e tomo o peso às tuas palavras,

e fico sempre devedor,



às vezes, quando me inventas um nome

para que a madrugada chegue

e eu não tenha de morrer nunca mais,



às vezes, penso no deus que te perdeu,

beijo-o e choro, às escondidas,

por ele.

Mancelos, João de. “depois do amor”. O Prisma de muitas Cores: Poesia de Amor Portuguesa e Brasileira. Org. Victor Oliveira Mateus. Pref. António Carlos Cortez. Fafe: Labirinto, 2010. 87.

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