quarta-feira, outubro 20

Minas e armadilhas


«Quando ouço as notícias sobre os mineiros do Chile lembro-me do livro do Zola, “Germinal” (1885). Neste é descrita uma comunidade de mineiros, as suas miseráveis vidas e a consequente greve geral onde exigem melhores condições de trabalho e melhores remunerações (se é que se pode aplicar tal palavra neste caso). E como não podia deixar de ser também acontecem derrocadas e também há mineiros que ficam soterrados. No entanto, sendo um livro que relata as condições de trabalho dos mineiros no século XIX haveria nesta mina, se não me falha a memória já que o li há algum tempo, uma norma de segurança mais eficaz do que as existentes naquela mina no Chile. Por exemplo, várias saídas de emergência. Há inclusive um episódio em que um dos mineiros escapa à derrocada utilizando uma das saídas mais distante e mais antiga. Não quero com isto fazer comparações, porque as actuais serão, ou deveriam ser, sempre mais seguras. Mas fica aos interessados o convite para a leitura deste livro. Isto se ainda tiverem paciência para histórias de minas e armadilhas.

E como a desgraça alheia é sempre um apetecível alvo de negócio, parece que já estão na forja dois filmes sobre a situação vivida pelos mineiros chilenos. Assim, quem quiser aprofundar a temática pode fazer o aquecimento com este livro e respectivos filmes (um de Claude Berri, 1993 ou um mais antigo de Albert Capellani, 1913). E ainda temos o do John Ford ou o “Grande Carnaval” (Billy Wilder). Quer dizer, há mais alguns, mas agora só me apetece falar destes.»
by MCS
[roubei tudo ao Marco Santos do blog NO VAZIO DA ONDA. título, texto, fotografia. e só não trouxe a música toda... porque dava muito nas vistas, mesmo sendo de noite]

6 Comments:

MCS said...

Marta, obrigado pela referência e quanto à música pode levar tudo, está lá para isso mesmo, para partilhar.
cheers

Carla Farinazzi said...

Marta,

Você é ótima!!!

Adorei ter lido esse texto. Me lembro do filme... Germinal, com o Gerard D'epardieu. Maravilhoso e inesquecível. Deu vontade de assistir de novo. Faz tanto tempo...

Beijo

Carla

fallorca said...

Nada como andar à babugem e mainada...

Zaclis Veiga said...

Quando aconteceu o acidente lembrei-me imediatamente do filme "A montanha dos sete abutres" (ou Grande Carnaval).
Existe um fator dentro da comunicação chamado "fator Léo Minosa" que é o nome do rapaz que fica preso em uma montanha(dos sete abutres) e que se transforma em excelente notíica nas mãos de um jornalista oportunista e sem nenhum senso de ética e humanidade.
A história se transforma em um 'grande circo" (gosto da tradução portuguesa) para os meios de comunicação. O filme foi produzido em 1951. Atual, né?

Claudia Sousa Dias said...

Mas a história real vista em directo pela TV,com o envolvimento do Governo e várias entidades em cooperação é muito mais bonita do que qualquer filme.

eu chorei ao ver os primeiros a saírem. e comovi-me ao ver a mulher de um deles, apesar do aspecto rude de mulher do povo, a tentar compor o cabelo antes de beijar o marido a preocupação em aparecer bonita para premiar de tantos meses de privações de todo o tipo...


csd

csd

MCS said...

Cláudia, "a história real vista em directo pela TV"... aqui está uma frase inquinada.
Qualquer acto que permita salvar vidas humanas é de louvar e, neste caso, o envolvimento internacional torna as coisas mais "bonitas". Mas convém não esquecer que a empresa que explorava a mina (e os mineiros) declarou falência e abandonou os os trabalhadores à sorte divina. Esta história de cobardia e crueldade é que eu gostaria de ver em directo para que situações destas não se tornem a repetir. E os seus responsáveis onde estão? Sabe-se agora que os mineiros tinham alertado para o perigo de uma derrocada, mas mesmo assim foram obrigados a descer para a mina. Isto sim, quero que as televisões mostrem quem são estes crápulas. Esperemos que não caia no esquecimento dos media sempre à procura da próxima catástrofe.