domingo, junho 21

Queria tanto entender


« [...] No Santo Sepulcro não sentes nada. Eu não senti nada. As pessoas beijam uma lage que foi ali colocada no princípio do século XIX. Beijam a laje como se ela fosse o local exacto onde o corpo de Cristo foi depositado. Não acredito. As diferentes igrejas de índole cristã disputam o espaço do Santo Sepulcro, há uma custódia repartida, como se o espaço fosse uma criança e as igrejas os seus pais separados. Chamam-lhes Status Quo. Para que não haja lutas e desavenças as chaves do Santo Sepulcro, duas chaves, foram entregues a duas famílias muçulmanas há novecentos anos. Todos os dias, às cinco da manhã, abrem a porta velha e vão à sua vida, deixando os peregrinos e os padres fazerem a sua. Regressam às sete e fecham a igreja da discórdia.

É aqui também que se crê estar o Centro do Mundo, simbolizado por uma bacia com água. Olhei-a longamente e, aí sim, senti que perante aquela bacia tosca, de pedra velha, podia estar uma ideia maior que o Homem. O centro do mundo deveria concentrar tudo o que temos de melhor. Os turistas acotovelam-se para ver. Os franciscanos cantavam qualquer coisa. E eu fiquei ali. Queria tanto entender[...].Chegas ao Muro. Homens do lado esquerdo com os kippa na cabeça, mulheres do lado direito. As mulheres são muito novas. Andam de trás para a frente e enfiam o rosto no «Livro das Lamentações» e não lêem, debitam, e é um choro constante que impressiona e arrepia. Os cânticos fúnebres, kinot,enchem-me os olhos de lágrimas. Lembro-me da minha mãe. Saio da zona do Muro às arrecuas, para não ofender a Deus.

Deixo um recado no Muro. Trabalhei nele uma noite inteira. Não sabia o que dizer. Escrevi: Perdoa-me, devolve-me a paz que tinha quando estava no teu regaço, no seio da minha mãe. Deixa-me. Encontra-me. Não posso continuar assim. Ouve-me hoje. Ajuda.me amanhã. Não sei se acredito. Não te minto. Mas hoje ouve o meu coração e junta-o ao teu [...].

Nota 1.[excertos do e-mail que Sara envia à sua amiga Madalena, dando-lhe conta das suas impressões sobre o que viu e sentiu em Israel]

Nota 2. [livro a ler até 11 de Julho, data agendada para o jantar-tertúlia-abrótea-com-maionese-de-toranja. Senhoras e senhores é favor lerem :) Gracinha, eu já sei que o tens...alguém ofereceu ;)]

5 Comments:

Anónimo said...

Se ler o livro cujos excertos pedem leitura e cuja autora desconheço onde faço a inscrição para o jantar tertúlia?

Ricardo CB
1º comentário no teu blog, depois de tantas vezes te ler ;)

Claudia Sousa Dias said...

subscrevo a pergunta do Ricardo

:-)


csd

Anónimo said...

Eu já estou inscrita nesse jantar do livro.
Este e-mail também gostei muito, Marta. O livro é muito interessante e a abrótea é logo no início ;)
Cristina M.
beijinhos

Dalaila said...

Marta eu já lá estive no santo sepulcro, e senti tanto e senti tudo, senti um arrepio em tudo aquilo que acredito. O Muro não senti tanta, ou quase nada de facto. O tumulo de David como era mulher só lhe consegui ver uma parte, mas o que mais me impressionou foi mesmo o santo sepulcro, as pedras no tumulo de Shindler, e as oliveiras com mais de 2000 mil anos.

Beijinhos

Anónimo said...

Marta, seja como for, se há jantar também vou! Posso? Levo os putos, o miguel carvalho, se achar bem, e um livro, A fera na Selva de Henry James. Beijos P