terça-feira, junho 30

O que o dia deve à noite


Foi o título que me agarrou ao livro. Não gosto da capa. Não conhecia o autor. Peguei nele, sem sentir o peso da grande história que tem dentro. Paguei e saí da livraria. Juntei-o aos outros dois que levei para férias. Li este e outro. E já há muito tempo que não tinha a sensação de ter efectuado duas viagens tão fantásticas. Seguidas. Uma massagem, duas refeições e umas braçadas na piscina foram a escala para sair de um livro e entrar noutro. Para sair da Colômbia e entrar na Argélia colonial [1936/1962]. Para conhecer a escrita poderosa de Yasmina Khadra. No fim do livro senti que tinha vivido intensamente aquelas vidas todas. Estava cansada, muito cansada mas muitíssimo satisfeita e triste e feliz. E então pensei que se quando morresse, [velha, sábia e serena] sentisse algo semelhante relativo à vida que vivi, era bom. Muito.
E, claro, no meio de toda a história política, contendas violentíssimas, desolação e paixão, religiões e culturas, desenrola-se a história de amor de Younes ou Jonas e Émilie. Tão incrível que ninguém - nem o próprio autor - me demoveria de acreditar que tudo o que li aconteceu. Aconteceu e Yasmina Khadra teve o dom de o converter em literatura. Pura.
Não consigo dizer mais. Só lendo. Só sentindo. E senti tanto que ainda me dói aqui. No peito. Tamanha foi a sofreguidão com que o li.

12 Comments:

C. said...

Bem vinda, a Marte(a)!

É bom, quando achamos que os livros foram mesmo escritos para nós...:))

Jinhos

YeuxdeFemme said...

Acho que quero ler este livro...

Claudia Sousa Dias said...

só o nome dela já seduz.

não posso por o nome Yasmin ou Yasmina a uma filha, infelizmente...

csd

Teresa said...

OLá Marta!
Bem vinda de volta à blogosfera!
É esse um livro a ler, portanto. Eu agora ando mais virada para os escritores lusófonos (acabei o Pepetela) e livros de viagens, que me apetecem sempre, nesta altura do ano.
Bjs

Patti said...

Mais um para a minha lista, pois então!
A menina manda. :)

Funes, o memorioso said...

Obrigado por mais esta recensão. Se não fosse ela - em embora a capa tenha, de facto, o mesmo efeito sobre o leitor que um repelente de mosquitos sobre os ditos - corria o risco de poder vir a ler a abjecção que descreve.

Su said...

vou ler.............

jocas maradas

PAS[Ç]SOS said...

O problema maior é conseguir ler ao ritmo das sugestões que por aqui ficam. Sobre o poder de convencer não há muito a dizer quanto ao que se lê neste 'planeta'. Acompanhar esta velocidade é que...

Paula said...

Fiquei curiosa...
;)

Tucha said...

Os bons livros têm esta magia, de nos fazer participantes da história, viver cada aventura com os personagens.
Boas férias!!!

Anónimo said...

Livro belissimo sobre a Amizade e o Amor (a uma mulher a a um país).

Cecília said...

Estou a lêr o livro.
Vou na parte Rio Salgado...