quarta-feira, junho 17

Agir. Agilizar. Não?

A adopção é uma questão que me diz sempre muito. Muitíssimo.
Li na Visão sobre o caso do Martim. E, depois, por coincidência, através de um blogger que deixou aqui um comentário, descobri este blog. Gostei muito. Gostei bastante. De ler. Tantas reflexões pertinentes. Tanta falta de acção. Agir. Agilizar. Amar. Pelas crianças. Por nós. Não?


«Em Março de 2009, a Segurança Social Registava:
11 mil crianças em instituições
2154 crianças em situação de adoptabilidade
2541 candidatos seleccionados para adopção
101 em vias de integração na família»
imagem: Google
números, fonte: Visão

13 Comments:

Funes, o memorioso said...

Os seus números não impressionam. O tema da adopção presta-se à demagogia.
De um modo geral (sem prejuízo para muitas e honrosas excepções), os candidatos a pais adoptivos candidatam-se a pensar no seu próprio interesse egoístico e não no da criança. Não querem adoptar uma criança qualquer. Não querem doentes, feios, insubordinados, miúdos de rua com um passado pré-criminal. Querem miúdos perfeitos, bebés loirinhos e de olhos azuis, como costuma dizer-se.
Se pensar apenas nos miúdos com estas características (nos miúdos realmente adoptáveis) e nos candidatos a pais adoptivos dispostos a aceitar uma criança, quaisquer que sejam os seus defeitos, verá os seus números descerem quase até à irrelevância.

Susana said...

Muito obrigada, Marta pela dica!

Tudo que tenha a ver com as nossas queridas aldeias são bem vindas!

Vou já espreitar e falar com a nossa amiga!

Agora, apropósito das crianças, este episódio do Martim dá muito que pensar...tal como tantas crianças , como esta (não fazia ideia que eram tantas...)
Vamos ver como vai acabar esta história...

Um grande abraço, Susana

Maggie said...

Marta,

em primeiro lugar, obrigada pela comentário que deixaste ao meu texto sobre à aldeia da minha vida e por o teres referido à Susana.

Quanto à adopção, é um tema que me move e me revolta. Conheço um casal na casa dos 30 anos que há 2 anos se candidatou a adoptar uma criança (sem restrição de raça, diga-se, e julgo que propuseram a idade até 4 ou 5 anos). Passaram por todas as avaliações exigidas, expuseram a sua vida aos técnicos da Segurança Social e foram considerados aptos a adoptar. Entretanto, conseguiram ter o filho (biológico) que tanto desejavam. O menino já fez um ano. Mantiveram-se como candidatos a adopção, porque continuam a querer mais filhos. O tempo passa e há algures uma criança a crescer numa instituição, quando poderia ter uma família e ser amada.

Para mim, não são os laços de sangue que determinam a competência para se ser pai ou mãe. Felizmente a maioria das vezes são-no de facto, mas quando não o são, as crianças têm na mesma o direito a ser amadas.

Esta questão da adopção é ainda uma vergonha para este nosso país.

Bjs

Jorge Freitas Soares said...

Olá Marta

Cheguei até aqui seguindo os logs do meu blog..e tive uma bela surpresa, gostei muito do teu blog e de certeza absoluta que vou voltar.

Sou pai biológico e adoptivo e candidato à nova adopção, o tema da adopção é um tema que me toca e é por isso que ele é tratado muitas vezes no meu blog

Quanto ao primeiro comentário do Funes, falar de cor e repetir o que a comunicação social diz é muito fácil, eu participo num grupo de mail onde se discute a adopção, há mais de 200 inscritos, e garanto que a realidade não é essa, há uma grande percentagem de candidatos que não colocam restrição de raça, ou de idade, há pessoas que aceitam crianças com doenças, há pessoas que aceitam irmãos, e não, não são só a excepção.

Jorge Soares

catarina said...

é curioso... sempre pensei que, um dia, gostaria muito de adoptar. sem excluir a vontade de ter filhos biológicos, mas a acreditar que a adopção é importante para ambos os lados. há alguns meses, uma amiga próxima adoptou duas crianças. à partida, a ideia seria adoptar só uma, mas elas eram irmãs, havia a vontade de mantê-las juntas e... há pouco tempo, enquanto falava com ela, falou-me do desafio que é "manter na linha" duas crianças que passaram os primeiros anos de vida num completo abandono, físico, moral e emocional. mas o que me ficou bem marcado foi que, se a educação é um desafio, o amor não o é. com poucos meses de convivência, é possível amar-se como um filho uma criança com perturbações claras de atenção, uma imagem perfeitamente descontextualizada do corpo humano e demonstrações constantes de uma agressividade descontrolada e injustificável. reforcei o meu sonho, abafei os meus medos: um dia, haverão 2153 crianças para adopção. a 2154ª estará aqui, algures perto de mim.

Maria Emília said...

Tenho seguido o caso do Martim de perto até porque o assunto me interessa muito. Quem tiver lido o meu livro "As Bruxas da Serra da Fóia" perceberá porquê. Li agora com atenção os comentários e o que o Jorge Soares diz no seu blog.
Pergunto-me ou pergunto-vos: Pensam que o Martim deverá ser dado para adopção ou entregue à mãe? É que não entendi muito bem de que lado estão. Eu estou do lado do Martim e de todas as crianças na situação dele.
Um beijinho,
Maria Emília

Jorge Freitas Soares said...

Maria Emília

Em primeiro lugar, o que é que é estar do lado do Martim? Como ter a certeza que ele fica melhor com a mãe que só viu duas vezes nos últimos dois anos,ou com uma família que de certeza vai ter muito carinho para dar?

Este caso é muito delicado, só conhecemos uma parte da história, e mesmo assim, conhecemos pouco, ninguém explicou qual as condições de vida da mãe do Martim, de que vive, com quem vive, como são as suas condições de habitação? também ninguém explicou porque é que o pai do Martim nunca apareceu em lado nenhum até agora, nem porque é que os pais dele nunca se interessaram pela criança até ao dia em que foi definido o projecto de vida que passa pela adopção.

A maior critica que se faz aos juízes é que dão sempre primazia à família biológica, normalmente dão sempre o beneficio da duvida à família e só em ultimo caso definem o projecto de vida adopção, muitas vezes quando já a criança passou anos e anos à espera. Neste caso o juiz decidiu pela adopção.... de certeza que não o fez de animo leve.

Na verdade eu não tenho uma opinião formada, sei um bocadinho mais sobre o caso que a generalidade das pessoas, mas gostava de ouvir a versão da segurança social, ou de ver as condições de vida da mãe do Martim... não gosto de falar de cor, mas já vi muitos casos destes, e prefiro não omitir uma opinião clara sem saber toda a historia.

Jorge
PS:marta, desculpa estar-te a invadir o blog

Maggie said...

Apenas para esclarecer, por sugestão da Maria Emília,a minha posição face ao caso do Martim - não me pronuncio porque tenho poucos dados, não sei quem tem razão. Neste caso, estou do lado do Martim, o único que de certeza não tem culpa de nada. Que decidam o que facto for melhor para ele.

Marta said...

Prof. FUNES,

mais uma vez discordamos; ou mais uma vez discordo amplamente do seu ponto de vista.

A: esqueça os números. são meros indicadores; linhas brancas a definirem a definirem o meio da estrada, se quiser.

B: isto é demagogia: «os candidatos a pais adoptivos candidatam-se a pensar no seu próprio interesse egoístico e não no da criança. Não querem adoptar uma criança qualquer. Não querem doentes, feios, insubordinados, miúdos de rua com um passado pré-criminal. Querem miúdos perfeitos, bebés loirinhos e de olhos azuis, como costuma dizer-se».

a demagogia encontra eco em comentários como o seu. no caso.

quais são os pais biológicos que algum dia desejaram ter um filho feio, insubordinado, doente, etc,etc,etc?

é natural que quem queira adoptar,queira como filho, uma criança normal.

adoptar, não é ir às compras! é querer naturalmente o melhor, como se quer o melhor de e para um filho biológico.

no entanto, ainda bem que fala das excepções e, felizmente, não são tão raras quanto isso.

o grande problema, do meu ponto de vista, está no TEMPO. no agilizar de processos para que a crianças e as famílias não tenham de esperar pelo futuro, adiar o futuro. é isso que me incomóda.

SUSANA: este episódio do Martim, é mais um, cujo tempo me parece, mais uma vez, um factor de extrema importância. mas, de facto, não conheço o processo. Partilho inteiramente da visão do Jorge Soares. Seria necessário conhecer mais.

MAGGIE: obrigada por deixares a tua opinião. também partilho da opinião que os laços de sangue não ditam coisa nenhuma em matéria de amor filial.
aqui há uns anos li um livro, AMOR INCERTO, sobre o amor maternal, que talvez tenha reforçado o que sinto sobre essa matéria.

JORGE:
bem-vindo e obrigada pelo teu testemunho. gostei muito de ter encontrado o teu blog e voltarei com toda a certeza. aliás, ainda vamos ter muito para conversar. creio :) e...não peças desculpa pela invasão!
eu não construí as muralhas nem escolhi o ponto mais alto da blogosfera, de propósito!
- não, não foi por falta de orçamento! é mesmo para o blog ser invadido, tá? ;)

CATARINA: estamos no mesmo barco! :) independentemente de ter ou não filhos biológicos eu também gostaria MUITO de adoptar. aliás, para sem completamente sincera, sonho com isso há muitos anos. gostei TANTO, TUDO, íssimo do modo como experimiste o teu ponto de vista. conversaríamos longamente. estou certa :)

Maria Emília: sempre tão bom "ouvi-la"! eu, como disse o Jorge, tb não tenho os dados todos. No entanto interrogo-me:
-nestes anos os pais biológicos só viram a criança duas ou 3 vezes, porquê?
- os avós [pais da mãe biológica] andam agora a dizer na TV que sempre quiseram o Martim! e porque não o foram buscar?

Tenho paletes de dúvidas Maria Emília! IMENSAS. Custa.me sempre muito estes casos!
Tenho imensa pena que uma radiografia ao coração dos candidatos a pais não resolva o caso!!!!

sintam-se abraçados

entremares said...

Olá Marta...
Quando se toca na questão da adopção... parece um ninho de vespas, a julgar pelo despoletar das reacções...
Não sei o suficiente do caso Martim, nem ninguém sabe, como diz - e bem - o Jorge. A comunicação social nunca nos dá todos os ângulos da noticia, simplesmente os mais mediáticos. E assim, é muito fácil tomar "partido" a quente, levado pela emoção.

Vou acreditar ( por enquanto ) que o juiz esteja melhor informado que qualquer um de nós. A ver vamos se isto é verdade.

P.S. Obrigado pela simpática visita.

Teresa said...

Olá Marta
Que tema tão... tempestuoso se discute aqui, e tão pertinente! Conheço vários casos de famílias de adopção, com casos complicados e, no entanto, tratados com mais dedicação e amor do que alguns dos meus alunos que são atirados de um lado para o outro, sem qualquer preocupação pelo "superior interesse da criança". Na minha opinião, o que está a funcionar mal é a Justiça que, neste caso como noutros, demora demasiado tempo a tomar decisões. Depois, quando os casos chegam aos media, é melhor esquecer: a demagogia é tanta que nunca mais conseguimos destrinçar o trigo do joio.
Ninguém ainda falou das Comissões de Protecção de Menores. Eu acho, pela experiência escolar, que o mal começa logo aí, com um deficiente acompanhamento dos casos que, muitas vezes, são os professores os primeiros a sinalizar.
Como mãe, tudo o que diz respeito às crianças me toca muito. Ainda bem que levantou esta questão.
Um beijinho
Teresa

Zaclis Veiga said...

Querida, esse é um assunto que me toca muito. Aqui no Brasil os números de crianças esperando adoção são assustadores. Tenho duas alunas que fizeram um documentário no ano passado falando sobre o tema. Vou fazer uma cópia e colocar na mala.
beijo

Su said...

sem duvida.......uma questão que me toca..............sim


jocas maradas