Se eu pudesse trincar a terra toda
E sentir-lhe um paladar,
E se a terra fosse uma coisa para trincar
Seria mais feliz um momento...
Mas eu nem sempre quero ser feliz,
É preciso ser de vez em quando infeliz
Para se poder ser natural...
Nem tudo é dias de sol,
E a chuva, quando falta muito, pede-se.
Por isso tomo a infelicidade com a felicidade
Naturalmente, como quem não estranha
Que haja montanhas e planícies
E que haja rochedos e erva...
O que é preciso é ser-se natural e calmo
Na felicidade e na infelicidade
Sentir como quem olha,
Pensar como quem anda,
E quando se vai morrer, lembrar-se de que o dia morre,
E que o poente é belo e é bela a noite que fica...
Assim é e assim seja...
Alberto Caeiro in Poesia,pag.55, Assírio & Alvim
Sexta-feira, Janeiro 15
Se eu pudesse trincar a terra toda
imagem: José P. Dionisio
Etiquetas: Alberto Caeiro, Poemas que sinto
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3 Comments:
Óptima imagem de JOSÉ P. DIONÍSIO a traduzir muito bem este poema do Alberto Caeiro.
Felicito-te pela sábia conjugação.
Um beijo.
Marta,
Lindo poema do Alberto Caeiro!
"É preciso ser de vez em quando infeliz
Para se poder ser natural..."
Sábias palavras...
Se me é permitida a ousadia de ir mais longe do que o POETA, ainda que corroborando o seu pensamento, exorto a conveniência de viver com intensidade para que o acreditar nos proporcione o prazer de sorrir o percurso, quando o fim se nos depare.
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