quinta-feira, janeiro 28

aniversário XV


1. Foi aqui que cheguei em Fevereiro de 2009, para nunca mais sair. Ainda que por períodos o afastamento seja uma verdade, cada regresso transporta o sabor de saber que não me afastarei definitivamente. Em referências aprendi, em sugestões revi-me. Descobri e introduzi-me como intérprete de personagens para que não fora convidado. Foram repetidos os momentos em que me espelhei nas mensagens passadas, em que me senti antecipado por vontades sonhadas. Bebi muito, algumas vezes num só trago, outras gota a gota, do que aqui está publicado. Embrenhei-me de tal modo em tantas destas palavras que, hoje, basta passar sobre elas com um olhar para reviver a sensação da primeira leitura. Comentei com as palavras à flor da pele, enquanto um cigarro ardia em [melo]dias silenciosos. Na partilha semearam-se afinidades que saudosamente permanecem em palavras que iluminam cidades. Essenciais tornaram-se tantas outras, contadoras de histórias. Pois se não é segredo, porque não assumir que volto aqui e continuo a ser tantas vezes surpreendido?


2. Há palavras a que se chega e, sem que as conhecêssemos, sabemos que existiam e esperavam por nós. A pretensão não será propriamente um atributo, mas há palavras cuja força, cuja vontade de vida, nos raptam para essa estranha sensação de certeza que ali estão unicamente para que nós as leiamos. Porque foram escritas para nós! Do deslumbramento de leitura, rapidamente passei ao encanto de me ver nelas. As primeiras, aquelas que não oferecem qualquer dúvida, vestiram-se de cumplicidade. Depois fui-me encontrando em muitas outras. Verdade será que em grande parte delas é pura ilusão de quem se julga capaz de se espelhar em palavras súperas e em querer tomar a vida desses vocábulos impregnados dela. Mas para quê desfazer a ilusão se nos proporciona um sorriso rasgado no peito? Mas porque não acreditar que algumas delas decorrem de afectos especialmente inventados, de afinidades confirmadas? Mas porquê desfazer o sonho aberto aquando de algumas das suas leituras? Mesmo que, hoje, não acendam ilusão, há ainda muitas palavras cujo confronto se silencia num suspiro especial por saber terem sido ‘lidas’ antes… Há palavras a que se chegou e de onde não se parte pois não se querer deixar valiosos pedaços de nós perdidos no esquecimento.

Pas[ç]sos

[mesmo sabendo que é preciso respeitar a decisão, estou zangada com o Pas[ç]sos um dos primeiros comentadores deste blog. é que somos contemporâneos nestas andanças e pronto. estou zangada. mas é só com este Senhor! é que o paços d´água vai fazer-me falta. só isso.]

imagem: Sonja Valentina

5 Comments:

Anónimo said...

Zangada com o Pas[ç]sos?
Sei que nunca te zangarás com o
Pas[ç]sos...
Que vergonha!!!

Anónimo said...

O Pasçsos não vai fechar coisa nenhuma, a não ser que seja por uns segundos...
Vá lá, acabe lá com a birra.
"Esta gente" intlectual, é assim...
Deveriam ser um pouco mais terra a terra como Eu!!!
Tudo seria mais fácil.
Pensem mais com a razão e menos com o coração.
À s vezes resulta ...

Marta said...

Pas[ç]sos,

tem por aqui uma fã :) caramba!

Carlos Pires said...

Extracto de Proverbios y cantares (XXIX)

Caminante, son tus huellas
el camino y nada más;
Caminante, no hay camino,
se hace camino al andar.
Al andar se hace el camino,
y al volver la vista atrás
se ve la senda que nunca
se ha de volver a pisar.
Caminante no hay camino
sino estelas en la mar.

Antonio Machado

Gabrielle :} said...

adorei o blog, estou seguindo desde já.