sábado, maio 14

Esplanada


Naquele tempo falavas muito de perfeição,

da prosa dos versos irregulares

onde cantam os sentimentos irregulares.

Envelhecemos todos, tu, eu e a discussão,


agora lês saramagos & coisas assim

e eu já não fico a ouvir-te como antigamente

olhando as tuas pernas que subiam lentamente

até um sítio escuro dentro de mim.


O café agora é um banco, tu professora de liceu;

Bob Dylan encheu-se de dinheiro, o Che morreu.

Agora as tuas pernas são coisas úteis, andantes,

e não caminhos por andar como dantes.

Manuel António Pina

[é repetido por aqui, eu sei, mas é ... fabuloso...bem como a imagem de quem, infelizmente, desconheço a autoria]

[...e sim, muito, muito feliz com a atribuição do Prémio Camões a este enorme poeta]

[...e, ainda, uma entrevista (2006) feita por Carlos Vaz Marques AQUI]

2 Comments:

josé luís said...

conheço alguma coisa dele, não muito, e já publiquei um ou dois poemas. mas este não conhecia. obrigado :))
...até ando preocupado com esta nossa pátria que é a língua portuguesa, que ultimamente só me tem oferecido poesia extraordinária...

Luis Eme said...

também gosto muito desta esplanada.