quarta-feira, maio 25

Não foi só o que escreveste


Não foi só o que escreveste, é o que está dentro do que escreveste. O que está à volta e, também, o que está para trás. Estou certa de que compreendes.
Já na esplanada mais próxima, quis domar-me. Olhei à volta, tentando imaginar os teus cubanos em cada pessoa ao meu redor. Imaginar ameniza qualquer tempestade.
Só retive o sorriso feio de um homem bonito e o encantamento de uma criança com uma minúscula aranha na mesa ao meu lado. E pensei no séquito de animais que te rodeiam. Depois, enquanto bebia o café, pensei ainda no futuro do que escreveste. E sorri.
Deu-me para te ler, em vez de trabalhar e, agora, estou aqui, literalmente a ver passar os eléctricos, sem vontade de fazer o que tenho de fazer.
Às vezes não há forma de fugir das tempestades que se fazem cá dentro e nos levam à esplanada mais próxima. Como se tratasse de um reboliço de palavras impeditivas.
Tinha mesmo de te escrever. Para o dia continuar.
Tinha a carta cá dentro. Talvez fosse isso a incomodar-me. É que tenho muitas cartas cá dentro, como se fosse um marco atulhado e esquecido. Que as cartas que vou escrevendo e não chegam ao destino são infinitas. Também já te disse que gosto de escrever cartas, não disse?

Hoje, quando voltei a ler sobre o teu filme sobre o que sentes quando vais ao cinema, sobre os bastidores da história que estás a viver, a aprender e a escrever, nessa tentativa de decalcar a realidade ou não, comovi-me. Mas tu comoves-me com frequência. A questão não é essa. Foram todos os outros filmes que se acenderam com as tuas palavras. A magia e a ilusão da vida. Com as luzes todas apagadas. Como se o mundo inteiro fosse uma sala de cinema.
A cores e a preto e branco, músicas de uns, diálogos de outros. Pessoas reais, que amo, e outras inventadas, em que acredito, todas a dialogarem. A dizeram coisas novas e antigas...

1 Comment:

fallorca said...

Que o dia lhe seja limpo