terça-feira, março 22

Por isso, não me peças algoritmos

[...] Por isso, não me peças algoritmos. Pede-me, antes, palavras. Letras. Letras não! Que o alfabeto também se esgota. Pede-me números. Algarismos. Ou estrelas. Que deve ser a mesma coisa. Eu não percebo nada de matemática nem de astronomia. Mas sei o infinito. Sei o inesgotável. Sei que, mesmo frágil, em letras garrafais, vermelhas, te posso dar, sempre, números. Um número por dia. [Como se fossem comprimidos contra a fragilidade] Ou estrelas. E se as do mar forem poucas, vamos ao céu buscar mais. Pode ser?


[Ainda hoje. Porque amanhã, posso estar irremediavelmente frágil.

E os teus olhos estão de outra cor.]

imagem: Kumi Yamashita

13 Comments:

josé luís said...

oh...

(gostei imenso)

Marta said...

obrigada, José Luís.

La Vanu said...

Que bonito!!!

Anónimo said...

Isto és TU... Isto e muito mais.
bjoooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooo

PAS[Ç]SOS said...

Dois anos - pelo menos a primeira vez que o li - terá o texto original, morada deste excerto. É, hoje e de novo, um regresso... repetido... saudoso... fascinante! Sempre!!!

Marta said...

mas que memória, Senhor Poeta :)
abraço

Marta said...

beijinhos, Anónima :)

...............................

obrigada, La Vanu!

C. said...

Ah, essa sede de infinito, Marta! Que bom que haja quem não queira a receita, o discurso iterativo, a lógica matemática e a mecânica da usura.

Bravo. Quero mais disto.

Beijinho

marlene edir severino said...

Leve, teu poema!
Belo...

Um abraço

Marlene

Funes, o memorioso said...

Desculpe lá! Se não percebe nada de matemática nem de astronomia, não percebe nada de infinito. Ponto final.

C. said...

Eheheh! Ó Marta, há que tempos não lia as teorias dos "infinitos contáveis" do Prof. Funes. Ando mesmo arredia. Conserve-o por aqui, entre os seus pequenos nadas incontáveis. E não faça pontos finais, que é para dar lugar ao infinito.

Marta said...

um abraço, Marlene.

Marta said...

querida C.

um beijinho imenso!

[...e o prof. Funes, enfim...
não há planetas perfeitos...]