segunda-feira, dezembro 6

Introdução à Saudade

[...] A palavra saudade é porventura o mais doce, expressivo e delicado termo da nossa língua. A ideia, ou sentimento por ela reportado, certo que em todos os países o sentem; mas que haja vocábulo especial para o designar, não o sei de nenhuma outra linguagem senão da portuguesa...

...De saudade quisera eu dizer ainda alguma cousa. - Saudade, palavra, cuido que vem, por derivação oblíqua, do latino solitudo.[...]
Almeida Garret: «Camões», Paris, 1825

[...] E pois parece, que lhes toca mais aos Portugueses, que a outra nação do mundo, o dar-lhes conta desta generosa paixão, a quem somente nós sabemos o nome, chamando-lhe: Saudade; quero eu agora tomar sobre mim esta notícia.

Floresce entre os Portugueses a Saudade, por duas causas, mais certas em nós, que em outra gente do mundo; porque de ambas essas causas, tem seu princípio. Amor e ausência, são os pais da saudade; e como nosso natural, é entre as mais nações, conhecido por amoroso, e nossas dilatadas viagens, ocasionaram as maiores ausências, de aí vem, que donde se acha muito amor, e ausência larga, as saudades sejam mais certas, e esta foi sem falta a razão, porque entre nós habitassem, como em seu natural centro. Mas porque tenho por certo, que fui eu o primeiro neste reparo, parece que não será repreensível, que me detenha algum tempo, por fazer anatomia em um afecto; o qual ainda que padecido de todos, não temos todavia averiguado, se compete às injúrias, ou aos benefícios, que do amor recebem os humanos: ou se sem amor, também, se podem experimentar saudades. [...]
D. Francisco Manuel de Mello: Epanáforas de Vária História Portuguesa, Lisboa, 1676
in Introdução à Saudade, Dalila Pereira da Costa e Pinharanda Gomes, Lello & Irmão,1976

9 Comments:

João Menéres said...

Pode saber-se quem é o autor da FOTOGRAFIA ?


Um beijo.

Marta said...

eu gostava, mas não sei, João.
quando não coloco a autoria é por desconhecimento.
bjo

João Menéres said...

Daqui tão perto...
Tem uma MARCA. Para mim nada me diz.

Bonito o enquadramento, a perspectiva, a figura e a luz que incide no barco.
Bem pode integrar o ALBUM DA MELHORES IMAGENS DO PORTO !

Obrigado, MARTA.

Um beijo.

Anónimo said...

«A saudade não mata, mas martiriza um sincero coração.»
Anónimo

fallorca said...

Bem lembrada

Anónimo said...

A mim não me parece que sem amor se possa ter saudades...
bjo
Cris

Marta said...

a que o diz senhor/a ANÓNIMO!!!!!

Marta said...

...olhe que sim, olhe que sim...
querida Cris!

João Menéres said...

MARTA

A dois estudiosos da História da Fotografia mostrei um print desta imagem...
Não me souberam dizer de quem possa ser.
Talvez um oriental, (pelo carimbo ou marca)...

Um beijo.