segunda-feira, março 22

Tivesse ainda tempo e entregava-te o coração


A casa onde às vezes regresso é tão distante
da que deixei pela manhã
no mundo
a água tomou o lugar de tudo
reúno baldes, estes vasos guardados
mas chove sem parar há muitos anos

Durmo no mar, durmo ao lado de meu pai
uma viagem se deu
entre as mãos e o furor
uma viagem se deu: a noite abate-se fechada
sobre o corpo

Tivesse ainda tempo e entregava-te
o coração

José Tolentino Mendonça in A que distância deixaste o coração

10 Comments:

Leca said...

...às vezes deixamos as oportunidades passarem...e não dá mais tempo
Beijo
Leca

Teresa said...

Talvez ainda vá a tempo, há que navegar e tentar.
Muito bonito, não conhecia.
Bjs

Janaina Amado said...

Gostei tanto, tanto deste poema, que o roubei para mim. Obrigada.

Zaclis Veiga said...

tempo...
coração...
entrega...
palavrinhas difíceis essas!
:)

Apple said...

Tão bonito...Obrigada!

Anónimo said...

Sabe Marta, depois dos conteúdos, o que mais gosto no seu blog é lê-los em silêncio. Gosto de blogs sem música como o seu, onde nos é permitido quebrar o silêncio só para lhe agradecer. Passo aqui todos os dias mas hoje tenho de lhe agradecer este poema.

Bípede Falante said...

É, só se vive uma vez, não haverá outro tempo. Talvez, outra chance em outro momento. O perdido nunca é recuperado.

heretico said...

belo poema.
sem tempo. dentro do tempo...

beijos

dinis mota said...

Muito bonito!

Um abraço grande.

Marta said...

quando vi a imagem [ postada pela Leca e da qual desconhecemos a autoria, infelizmente ] lembrei-me de imediato deste poema fabuloso...
já aqui tinha postado poemas de JTM. este ainda não. estava à espera de uma imagem assim ;)

ainda bem que gostaram. fico feliz com isso.

sintam-se abraçados :)