sábado, outubro 29

... a vida fez-me compreender os livros.




Como toda a gente, só disponho de três meios para avaliar a existência humana: o estudo de nós próprios, o mais difícil e o mais perigoso, mas também o mais fecundo dos métodos; a observação dos homens, que na maior parte dos casos fazem tudo para nos esconder os seus segredos ou para nos convencer que os têm; os livros, com os erros particulares de perspectiva que nascem entre as suas linhas (…). A palavra escrita ensinou-me a escutar a voz humana, assim como as grandes atitudes imóveis das estátuas me ensinaram a apreciar os gestos. Em contrapartida, e posteriormente, a vida fez-me compreender os livros.



Marguerite Yourcenar in Memórias de Adriano, pag. 23-24, Editora Ulisseia, 1997

imagem: Di Li Feng

7 Comments:

Anónimo said...

mais à frente e também sublinhado

..." Mas estes mentem, ainda os mais sinceros. Os menos hábeis, por falta de palavras e de frases onde possam abrangê-la, traçam da vida uma imagem trivial e pobre; alguns...., tornam-na mais pesada e obstruída com uma solenidade que ela não tem. ..."

Pág 24

... "As minhas vindimas estavam feitas; o mosto da vida enchia a cuba...."

Pg 152

Este, definitivamente, é um dos livros que não sai ...

Luis Eme said...

os livros fizeram-me compreender a vida. :)

Marta said...

...essa última frase é responsável pela denúncia, Senhor Anónimo :)

Marta said...

...também acontece, Luís :)

Claudia Sousa Dias said...

grande escritora. E grande livro.


csd

Anónimo said...

Muito bonito!

P:

Anónimo said...

ET POR CAUSE....

RELI TAMBÉM NESTA TARDE DE DOMINGO DORMINHOCO "ET EN PASSANT" A CORRESPONDENCE DE FLAUBERT

FANTÁSTICOS E MERECEDORES DE SEREM LEMBRADOS

OBRIGADO MARTA

JDA