domingo, outubro 16

Haja Luz!


« TUDO está relacionado com tudo. No caldeirão onde fervilham as ciências e as artes há paralelos e influências mútuas. Haja Luz! é uma história heterodoxa, onde a química vem entrelaçada não só com as outras ciências mas também com a literatura, a música, as artes visuais, o cinema, a filosofia, etc. Aqui, o químico Humphry Davy aparece de braço dado com o poeta Samuel T. Coleridge, Richard Wagner partilha a divisão do trabalho com Adam Smith, e a pintura de René Magritte é invocada a propósito de Louis Pasteur; Marilyn Monroe está associada ao carbono, Jules Verne e Jacques Offenbach celebram o oxigénio, Sebastião Salgado fotografa a alquimia sufocante do enxofre. E tudo começa com Joseph Haydn, e a sua oratória, A Criação.


A química resulta de uma curiosidade básica: saber de que é que são feitas as coisas. Nesta fascinante digressão histórica, desde a época áurea dos Gregos (ou será desde o big bang?) até aos dias de hoje, Jorge Calado mostra como a química moderna deriva do conhecimento do fogo da combustão e do raio do relâmpago, isto é, da energia. Calor e electricidade permitiram analisar a terra, a água e o ar, até chegar ao conceito de elemento, representado pelo átomo. Para o melhor e para o pior, Prometeu e Frankenstein são os génios tutelares da química. Neste Ano Internacional da Química (2011) é útil recordar como a química pôde dar novas ciências à ciência – a farmacologia, a termodinâmica (ciência da energia), as ciências dos materiais, a bioquímica, etc.

A química é construída por pessoas: homens e mulheres, novas e velhos, com gostos e desgostos. A história da química faz-se com elas, e Jorge Calado dá sentido à narrativa (não cronológica) enquadrando as invenções e descobertas químicas nas disputas, guerras e conquistas sociais e políticas. Enquanto alguns químicos foram endeusados, muitos foram perseguidos, outros morreram na guilhotina. São centenas de personagens – químicos e não-químicos – aqui reunidos no palco da química. Haja Luz! é um livro para toda a gente: um livro sem princípio nem fim, concebido para ser aberto e lido a meio de qualquer capítulo; um livro onde os conceitos são mais importantes do que as equações; um livro que mostra como a química é útil, divertida, perigosa, bonita, estimulante, frustrante, e indispensável. Tal como as artes e o sexo, a química comanda a vida.»

O livro é apresentado no Porto, às 21 horas, nos Serões da Bonjóia.

[Obrigada, José Luís!]

Fonte: aqui

4 Comments:

josé luís said...

que máximo!
estarei na véspera, na gulbenkian.
mas ainda bem que vai até aí.
:)
(e o meu post de hoje, que até é dedicado à muy nobre & invicta...)

Marta said...

...não conhecia o poema, José Luís! obrigada outra vez! Só nos traz "coisas" bonitas! beijinho

sem-se-ver said...

a caminho:

a prenda de anos pra mim

a aquisiçao pela minha escola (a ver se a minha directora nao morre de susto quando lhe disser o preço.....)

josé luís said...

acabado de chegar da gulbenkian, onde ouvi uma das melhores conversas informais de todos os tempos, só posso recomendar a toda a gente do porto: não percam amanhã o prof. jorge calado nos serões da bonjóia, a sério, imponham isso à vossa inércia/preguiça - não é todos os dias que há a oportunidade de ouvir uma pessoa assim...