sexta-feira, setembro 2

Um poema não é uma coisa...


Um poema não é uma coisa que se coloca sobre o teu dia como um condimento sobre o teu almoço. A vida de uma pessoa não tem material semelhante a nada que conheças. Existir é feito de peças impossíveis de copiar. E a poesia não entra nesse material único - a vida de uma pessoa - como o avião no ar ou o acidente do avião na terra dura. Um poema não é manso nem meigo, não é mau nem ilegal.


Os homens não se medem pelos poemas que leram, mas talvez fosse melhor. O que é a fita métrica comparada com algo intenso? Há poemas que explicam trinta graus de uma vida e poemas que são um ofício de demolição completa: o edifício é trocado por outro, como se um edifício fosse uma camisa. Muda de vida ou, claro, muda de poema.

Gonçalo M. Tavares, in A Perna Esquerda de Paris

imagem: Gerard Castello-Lopes

8 Comments:

Carlos Azevedo said...

Adoro esta foto, que está neste preciso momento à minha frente: está sempre na minha secretária. :-)

josé luís said...

talvez fosse realmente melhor começar a medir os homens pelos poemas que leram (embora algumas instituições ficassem desertas..) e/ou pelas imagens que captaram ou pensaram captar numa fotografia (e nesse caso em que céu estaria o sr. castello-lopes?)
;)
p.s. adoro a frase "um poema não é manso nem meigo, não é mau nem ilegal"... grande post, miss marta!

Marta said...

...diz tantas coisas, Carlos!

Marta said...

...céu de Lisboa, 1957, Mr. José Luís :)

josé luís said...

eu sei, miss marta, e até sei de onde ele tirou esta fotografia... (passo nesta rua muitas vezes) ;)

Marta said...

...de onde tirou... isso já não sei...mas que tirou muito bem...não há dúvida...

...eu é mais av dos Aliados ;)

josé luís said...

tirou-a do chamado viaduto duarte pacheco (perto das amoreiras) para a velha rua do arco do carvalhão

(... eu é mais bolos...)
;)

Terráqueo said...

Maravilhosa a ideia de medir os homens,e ainda mais pelos poemas que leram. Gostei imensamente.