terça-feira, fevereiro 28

hoje chamei o teu nome



Hoje chamei o teu nome,

o teu dia cansado,

a tua ausência,

longo é o verbo da espera.

O dia também me fugiu,

foi um corrupio de ida em volta

ainda que breves tenham sido

as minhas conjugações.

Chegou ao fim o dia,

encontro‐me finalmente

de frente para este rosto

que também trago cansado.

 
São estes dias de suor

e esquecimento

que nos fazem esquecer

dos nomes, dos verbos,

de toda uma semântica

que nos aproxima – para além

de todo o esquecimento

que nos representa – assim.

 
Miguel Pires Cabral, in, «a sul de nenhum norte» n.º 3

Poema desviado daqui

imagem:henri cartier bresson

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