segunda-feira, fevereiro 8

Mãos Dadas


Não serei o poeta de um mundo caduco.

Também não cantarei o mundo futuro.

Estou preso à vida e olho meus companheiros

Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.

Entre eles, considere a enorme realidade.

O presente é tão grande, não nos afastemos.

Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.



Não serei o cantor de uma mulher, de uma história.

não direi suspiros ao anoitecer, a paisagem vista na janela.

não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida.

não fugirei para ilhas nem serei raptado por serafins.

O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes,

a vida presente.

Carlos Drummond de Andrade

7 Comments:

João Menéres said...

Não conhecia este "NÃO SEREI POETA..."
Quanto à imagem, fiquei na dúvida, MARTA.
Coloca o crédito quando te for possível.

Um beijo.

Funes, o memorioso said...

Magritte? Ou algum imitador?
Quanto ao poema é fraquíssimo.

João Menéres said...

Pelo olho na mão...podia ser. Mas tenho muitas dúvidas.

Funes, o memorioso said...

E pela paisagem simultaneamente diurna e nocturna, como acontece em O Império das Luzes.

João Menéres said...

Também uma continuidade, como em A CONDIÇÃO HUMANA.

Marta said...

é o autêntico. chama-se "o rosto da filosofia" .

um beijo para si, João.


Prof. Funes,
ora vá, por favor, passear!

João Menéres said...

MARTA

Também não conhecia este ROSTO DA FILOSOFIA !
Mas, na verdade, contém elementos comuns a outras obras dele.
Até a Lua e partes do todo.

Muito obrigado, MARTA.

Um beijo.