segunda-feira, fevereiro 22

O corpo não espera.


O corpo não espera. Não. Por nós
ou pelo amor. Este pousar de mãos,
tão reticente e que interroga a sós
a tépida secura acetinada,
a que palpita por adivinhada
em solitários movimentos vãos;
este pousar em que não estamos nós,
mas uma sêde, uma memória, tudo
o que sabemos de tocar desnudo
o corpo que não espera; este pousar
que não conhece, nada vê, nem nada
ousa temer no seu temor agudo...

Tem tanta pressa o corpo! E já passou,
quando um de nós ou quando o amor chegou.

Jorge de Sena
imagem: Leila Pugnaloni

5 Comments:

João Menéres said...

Um poeta que admiramos.
Mas, tu tens uma Artista (a LEILA) privativa.

Um beijo para ambas.

Zaclis Veiga said...

ah! Marta
lindo, lindo...

Marta said...

pois admiramos, João. muito :)

...e a Leila, os desenhos da Leila são do mundo inteiro! nada de artista privada. tomara eu ! privada, de certa forma, é a minha paixão pelos desenhos desta talentosa artista :)

sim, querida Zaclis. lindo :)


beijos

Anónimo said...

Gosto muito dos desenhos da Leila!!!!
P

Marta said...

impossível não gostar, P :)