segunda-feira, maio 17
Se alguém me perguntar
Escrito/editado por Marta 13 Terráqueos
Etiquetas: Maria do Rosário Pedreira, poemas
Amor. Obsessão. Vingança.
«AS PAIXÕES DE JÚLIA conta-nos a história de uma bela e talentosa actriz de teatro, Julia Lambert (Annette Benning) me final de carreira na Londres dos anos 30. Os seus papéis, histórias de amor e animadas comédias sociais, são grandes sucesso, fazendo de Julia uma das mais amadas actrizes do seu tempo. Mas, o teatro, como na vida, as aparências são muitas vezes enganadoras. Julia atravessa uma crise de meia-idade e tanto o seu sucesso profissional como o seu casamento com Michael Gosselyn (Jeremy Irons) tornam-se banais e insatisfatórios. É então que conhece Tom Fennell (Shaun Evans), um belo e charmoso jovem americano, por quem se acaba por apaixonar. A vida torna-se então mais ousada e as suas 'performances' voltam a incendiar os palcos. Mas depois de desfrutar do seu dinheiro e das suas relações sociais, Tom dirige a sua atenção para Avice Crichton (Lucy Punch) - uma jovem actriz à procura de uma oportunidade no mundo do teatro. Aparentemente resignada perante os acontecimentos, Julia reúne todas as suas qualidades como actriz e astúcia a fim de tecer um plano brilhante para a sua vingança... »
...isto para dizer que está aí mais uma sessão do CINELITERÁRIO com Claudia Sousa Dias, na Biblioteca Municipal de Vila Nova de Famalicão, dia 21 de Maio, às 21.30 horas.
Adaptado do Romance "A Outra Comédia" de W. Somerset Maugham. Um Filme de István Szabó. No fim do filme, como sempre, a troca de ideias...
Escrito/editado por Marta 1 Terráqueos
domingo, maio 16
A Silent Film - Aurora
[roubado aqui, à minha querida Dalila. Lindo. como tu]
Escrito/editado por Marta 2 Terráqueos
Etiquetas: blogs que leio, musicas que ouço
sexta-feira, maio 14
Aumento de impostos...
... sem corte na despesa.
Ai que prazer
Não cumprir um dever,
Ter um país para governar
E não o fazer!
[...] não sabia nada de finanças
nem consta que saiba como sair desta.
Escrito/editado por Marta 8 Terráqueos
Etiquetas: coisas minhas
Américo, eu te amo, Américo...
Você passa e eu digo: boa tarde, Américo.
Adélia Prado, in solte os cachorros, Livros Cotovia
Quadro: Fernando Botero
[roubado a uma das minhas paixões blogosféricas: o Marcas.
e, agora, Paulo, o que me apetecia mesmo era ir a correr comprar o livro.
obrigada]
Escrito/editado por Marta 4 Terráqueos
quarta-feira, maio 12
Profecias literárias...
“Nós estamos num estado comparável somente à Grécia: mesma pobreza, mesma indignidade política, mesma trapalhada económica, mesmo abaixamento de caracteres, mesma decadência de espírito. Nos livros estrangeiros, nas revistas quando se fala num país caótico e que pela sua decadência progressiva, poderá vir a ser riscado do mapa da Europa, citam-se a par, a Grécia e Portugal”.
Eça de Queirós, 1872, in “As Farpas”
Roubado na íntegra AQUI. Obrigada Mike.
Escrito/editado por Marta 11 Terráqueos
Etiquetas: Éça de Queirós
segunda-feira, maio 10
o primeiro músico
O primeiro músico seria para mim aquele que só conhecesse a tristeza da mais profunda felicidade, e que ignorasse qualquer outra: até agora ainda não foi encontrado.
Friedrich Nietzsche in A Gaia Ciência
imagem: Jean Coulon
Escrito/editado por Marta 7 Terráqueos
sexta-feira, maio 7
Laura e Julio
Escrito/editado por Marta 4 Terráqueos
Etiquetas: Escritores, Juan José Millás, livros que ando a ler
"O Canto"
à procura de um excerto do livro "A Poética do Espaço" de Gaston Bachelard, que adorei ler, encontrei este filme. gostei tanto.
Escrito/editado por Marta 0 Terráqueos
Etiquetas: livros da minha vida
Meu bem é teu amor
Amanhã, dia 8 de Maio, às 22 horas, no Espaço Vinyl, Edifício da Orquestra Metropolitana de Lisboa! A não perder. Diz-me o coração!
Canções e poemas de Trás-os-Montes, salpicadas com canções de
Lacerda, Croner de Vasconcelos, Pixinguinha e Baden Powell.
Com a inquietação a procurar descanso para além das serras, molhamos os pés no sal do
mar. Numa esperança que guiou tantos dos nossos emigrantes, num
português de ancas, zarpamos ao Brasil.
Porque todos somos nós.
Os textos tradicionais foram recolhidos junto da avó Margarida Fidalgo e da avó Maria das Dores.
As palavras foram adaptadas por Eduarda Freitas. Os sons foram ambientados por Melissa Fontoura e Eduardo Baltar Soares.
O projecto Grupetto é uma formação constituída por vários
elementos que pretende divulgar a música e a poesia numa comunhão
onde se misturam os sentidos e as harmonias. Uma espécie de
ondulação criativa à volta das palavras e dos sons, tal como o grupetto
na partitura musical. Assumimos uma geometeria variável, aberta às
mudanças, adaptável e fluída...
Nós hoje somos:
Melissa Fontoura - piano
Eduarda Freitas - dizedora
Nádia Fidalgo - canto
Eduardo Baltar Soares – guitarra »
Escrito/editado por Marta 0 Terráqueos
Etiquetas: eventos
Mulher Mim
Depois, dia 4 de Junho, é a vez do Centro Cultural Vila Flor, em Guimarães, receber a peça.
[«Magnólia Teatro, Companhia Profissional de Teatro, apresenta, com Mulher Mim, a primeira produção. Fundada em 2009, na região de Viseu, no âmbito da Amarelo Silvestre – Associação Cultural, a Magnólia Teatro pretende afirmar-se numa perspectiva de continuidade da actividade performativa, com o fito da dinamização de espaços convencionais e não convencionais, urbanos e rurais. A direcção artística da Magnólia Teatro é assegurada por Rafaela Santos.»]
imagem: Luís Belo
Escrito/editado por Marta 0 Terráqueos
Etiquetas: teatro
Dia da Europa em Matosinhos
«Entre 7 e 9 de Maio decorrem, em Matosinhos, as comemorações do Dia da Europa sob o tema "Venha descobrir o que a Europa Social faz por si". «Durante este período decorrerá no Jardim Basílio Teles um evento subordinado à temática da Europa Social, centrado numa grande tenda inspirada e ilustrada por imagens de circo, no âmbito do qual diversos organismos e programas europeus apresentarão as suas acções no domínio educativo e social. No programa estão previstas animações circenses durante os três dias, assim como apresentações artísticas de escolas de diversos pontos do país, apresentações de projectos europeus nas áreas artísticas e de inclusão social, desporto, debates e outras iniciativas. Os horários da tenda "Venha descobrir o que a Europa Social faz por si" serão das 10h00 às 19h00 nos dias 7 e 8 de Maio, e das 10h00 às 18h00 no dia 9 de Maio. À noite estão previstas sessões de cinema europeu ao ar livre (Jardim Basílio Teles) e um concerto da Orquestra de Jazz de Matosinhos.» A organização é uma parceria entre o Gabinete em Portugal do Parlamento Europeu, a Presidência Espanhola do Conselho da União Europeia, o Ministério dos Negócios Estrangeiros da República Portuguesa, a Câmara Municipal de Matosinhos e a Coordenação Nacional do Ano Europeu do Combate à Pobreza e à Exclusão Social». Notícia retirada daqui.
Escrito/editado por Marta 0 Terráqueos
Etiquetas: políticas sociais
quinta-feira, maio 6
a voz de Sofia
é já amanhã, em Espinho. Sofia Ribeiro & Gui Duvignau. eu não conhecia. e fiquei encantada.
«Sofia Ribeiro, dona de uma magnífica voz e de um talento que tem vindo a ser distinguido por toda a Europa e E.U.A., lança o seu terceiro CD.
Porto, em estreia absoluta neste concerto, é um projecto musical de convergência cultural, realizado em parceria com Gui Duvignau, cuja produção e origem dos seus integrantes transcendem fronteiras geográficas. Com fortes raízes lusitanas e brasileiras, as suas músicas transitam entre culturas, e equilibram-se entre a improvisação e a escrita de composições originais e de arranjos: um poema de Fernando Pessoa, uma canção de Tom Jobim, um fado.»
Auditório de Espinho - Academia de Música de Espinho
Bilheteira - De segunda a sexta-feira, das 09:00 às 13:00 e 14:00 às 17:00; Ao sábado, entre as 10:00 e as 12:00:
Em dias de espectáculo, uma hora antes do início do mesmo.
Rua 34, nº 884 - 4500-318 Espinho, Portugal
Tel.: (00351) 22 734 11 45 / 22 734 04 69 - Fax: (00351) 22 731 19 32 -
Email: auditorio@musica-esp.pt
Podem ouvir AQUI
Escrito/editado por Marta 0 Terráqueos
Etiquetas: eventos, musicas que ouço
quarta-feira, maio 5
John Nash
[...] «Ninguém mostrou uma obsessão maior pela originalidade, nem um maior desdém pela autoridade, nem mais zelo em preservar a sua independência: em jovem teve à sua volta os sumos sacerdotes da ciência do século XX - Albert Einstein, John von Neumman e Norbert Wiener - , mas não aderiu a nenhuma escola nem se converteu em discípulo de ninguém, tendo pelo contrário, em larga medida, percorrido o seu caminho sem guias nem seguidores. Em quase tudo o que fez - da teoria dos jogos à geometria - desprezou os conhecimentos recebidos, as modas comtemporâneas e os métodos estabelecidos. Trabalhava quase sempre só, habitualmente enquanto caminhava e, com frequência, ia assobiando Bach. [...] »
Sylvia Nasar in Uma Mente Brilhante, Relógio Dágua, 2002
[ao passear pelo facebook encontrei excertos deste filme que adorei ver. e fui à procura deste livro que tenho sublinhado e cheio de notas. a lápis e musicais. obrigada António]
Escrito/editado por Marta 3 Terráqueos
Etiquetas: filmes, livros da minha vida
segunda-feira, maio 3
um dizer ainda puro

imagino que sobre nós virá um céu
de espuma e que, de sol em sol,
uma nova língua nos fará dizer
o que a poeira da nossa boca adiada
soterrou já para lá da mão possível
onde cinzentos abandonamos a flor.
dizes: põe nos meus os teus dedos
e passemos os séculos sem rosto,
apaguemos de nossas casas o barulho
do tempo que ardeu sem luz.
sim, cria comigo esse silêncio
que nos faz nus e em nós acende
o lume das árvores de fruto.
diz-me que há ainda versos por escrever,
que sobra no mundo um dizer ainda puro.
Vasco Gato in Um Mover de Mão, Assírio e Alvim, 2000
Escrito/editado por Marta 4 Terráqueos
Etiquetas: Poemas que sinto; Escritores
alimente esta ideia
[Campanha de Recolha de Alimentos do Banco Alimentar Contra a Fome – Porto
29 e 30 de Maio (sábado e domingo). Inscreva-se como voluntário. A sua ajuda é preciosa]
Banco Alimentar Contra a Fome – Porto
Contactos para voluntários:
Alda Maia Rosa
alda.rosa@bancoalimentar.pt
campanhasbancoalimentarporto@gmail.com
229983141
Escrito/editado por Marta 1 Terráqueos
Etiquetas: campanhas de sensibilização
Leerestademoda.com - BOOK
[respondendo ao apelo do Marcas. cá está. muito bom!]
Escrito/editado por Marta 2 Terráqueos
Etiquetas: blogs que leio
domingo, maio 2
um dia perfeito, como os caracóis da Ritinha
há quantos anos não fazia uma corrida de sacos? mil anos! e há quantos anos não jogava aos jogo do lenço e...há quantos anos não me divertia a furar balões [azuis, a cor que saiu à nossa equipa] de olhos vendados? jogo das latas, da corda, futebol com e sem bola, corrida com 3 pernas!!! à noite, caí na cama como uma criança. cansada e feliz. um dia na quinta. com direito a piquenique e tudo. uma iniciativa fabulosa, organizada pela catequese da Francisca, minha sobrinha. o Miguel, irmão da Francisca, 4 anos [na imagem] resumiu, assim, o dia:
- sabes tia, foi um dia bonito como o cabelo da Ritinha!!!
[menina com quem brincou mais...nesse dia... dona de uns caracóis perfeitos]
bem!!! como será aos 14. aos 24. aos 44 anos, a capacidade de expressão do nosso Migas? :)
Escrito/editado por Marta 4 Terráqueos
Etiquetas: os meus sobrinhos são geniais
Lindo!
[obrigada, Mafalda. não conhecia. amei]
Escrito/editado por Marta 2 Terráqueos
Etiquetas: coisas minhas
sexta-feira, abril 30
...que faça tudo andar
Atravesso a noite com um verso que não se resolve.
Na outra mão as flores. Como se flores bastassem, eu espero... E espero...
A chave que abre o céu da onde caem as palavras. A palavra certa que faça tudo andar.
Herbet Vianna
Escrito/editado por Marta 1 Terráqueos
Etiquetas: poemas
não percam. por favor.
inaugura dia 1 de Maio às 21.30 horas. no Clube Literário do Porto. as imagens dão da minha querida Sonja e as palavras do também querido Pas[ç]sos.
sim, conhecemo-nos aqui. nos blogs. e percebi, de imediato, que faziam [fazem] um dueto fabuloso.
PALAVRAS COM OBJECTIVA inaugura amanhã. infelizmente não poderei estar. mas quem puder, por favor, não falte. pois - estou certa - [e não acontece muitas vezes ;)] valerá a pena!
eu passarei por lá depois, até 14. os amigos que forem amanhã, à inauguração, têm a missão de me contar TUDO :)
Escrito/editado por Marta 1 Terráqueos
Etiquetas: blogs que leio, eventos
quarta-feira, abril 28
bem aventurada...
Deixo uma bela oração Baháí que aprendi com o Ghiora, um homem generoso na partilha do seu vasto conhecimento e aquém estou muito grata.
Bem aventurada a cidade, a montanha, o refúgio, a caverna ou o vale, a terra ou o mar, o prado ou a ilha, - onde se haja feito menção de Deus e celebrado o seu louvor».
Escrito/editado por Marta 5 Terráqueos
bem aventurados...
Bem-aventurados os mansos, porque possuirão a terra!
Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados!
Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia!
Bem-aventurados os puros de coração, porque verão Deus!
[...]
Mateus 5, 3-12
Escrito/editado por Marta 4 Terráqueos
corpo 48; para mais tarde recordar
[acabei de ser beijada em corpo 48 por uma mulher lindíssima, inteligente e sem papas na língua.
afinal este dia que só serenou agorinha mesmo, pode ter mais 24 horas... se no fim tiver um mail como o que acabei de ler, claro! só deus sabe como era [é] importante a opinião dela. e, ainda por cima, eu não tinha a rede do costume. quem diz rede diz parecer :)]
Escrito/editado por Marta 4 Terráqueos
Etiquetas: coisas minhas
if
...eu não tivesse perdido o telemóvel este dia não tinha sido caótico. uma verdadeira saga.
[o que mais me custou foi não ter dado um abraço à minha querida Graça que parte hoje para Londres. e, claro, a confusão com dois dos Migueis da minha vida.
só faltam duas horas para o dia acabar. ARRE!
e pode ser que a nova aurora me traga o perdão por só saber dois números de telemóvel de cor]
Escrito/editado por Marta 3 Terráqueos
Etiquetas: coisas minhas
segunda-feira, abril 26
Eyjafjallajökull
Escrito/editado por Marta 10 Terráqueos
Etiquetas: coisas minhas
coisas que me passam pelo coração
sabem quando tudo, tudo se transforma em emoção?
até a informação!!!! e não há forma de se ser racional?
estava aqui e estava a pensar na mãe de uma amiga minha que um dia me contou uma história que terminava com esta pergunta:
- sabe porque é que a cabeça surge primeiro do que o coração?
[ pois é...não quero nem saber da resposta. há dias assim.]
Escrito/editado por Marta 6 Terráqueos
Etiquetas: coisas minhas
Marcas que são como mapas
[...]
Permite-me que ecoe por aqui o que se
escreve dentro de mim: escrevo praias onde
nunca mergulhei, ouço conversas dos vizinhos que
doem como gritos, como criticas, como armas
arremessadas contra a minha sombra.
Como te disse: permite-me que me ecoe.
Evitei que me descongregasse pela terra, pensei
que assim poderia tocar-te no ombro e dizer-te
que estou aqui, onde tu não podes ver
onde as crianças não conseguem chegar
onde os velhos não conseguem viver.
Estou por aqui, enquanto te deixo permanecer
no cheiro que trago nas vestes, enquanto me dispo
e deixo que me vejas.
Agora tenho em lugar das minhas mãos uma grande
mancha azulínea, que me recorda que um dia aqui existiu
o mundo e que agora não há mais tempo
para nada.
Sérgio Xarepe
- "Em lugar das mãos o mundo."
Escrito/editado por Marta 3 Terráqueos
Etiquetas: Poemas que sinto; Escritores
quinta-feira, abril 22
dificuldades - sérias - na aterragem
na realidade ainda não aterrei. continuo nas nuvens e com sérias dificuldades de adaptação à vidinha! a viagem foi magnífica e nem o vulcão impediu um final feliz. aos poucos vou postando imagens e palavras. mas preciso de tempo para aterrar definitivamente.
é que nesta viagem as placas tectónicas que tenho cá dentro também se deslocaram.
abriram-se brechas. sismos múltiplos. terramotos. nuvens de fumo. muita lava.
Israel, Palestina, Jordânia.
é que uma coisa é ler jornais. ou livros. outra, distinta, é atravessar fronteiras.
depois, há também a outra dimensão. a nossa. a pessoal. a que vai levar muito mais tempo a saber como ficará.
Escrito/editado por Marta 20 Terráqueos
Etiquetas: viagens
terça-feira, abril 6
sábado, abril 3
a Páscoa pelos rituais

Naquele tempo, a Páscoa chegava-me pelos rituais. A casa era o primeiro. Saia tudo do lugar. Para ficar tudo no mesmo lugar. A Cristina começava, pelo menos, quinze dias antes. Abriam-se as janelas, demoradamente. O sol entrava, demoradamente, na sala de estar, voltada para o terraço. E as cortinas ondulavam serenas nos reposteiros altos. As pratas brilhavam mais. As toalhas brancas cheiravam mais a linho. E a louça Vista Alegre era, ainda, mais alegre. E os copos de cristal tilintavam mais. E a minha mãe chamava mais vezes pela Cristina. E ela corria pela casa toda. De uma ponta à outra. Uma azáfama. Até ficar tudo puro e sagrado como água benta. A dispensa, ao lado da cozinha, cheirava a pão-de-ló e a doces de ervas e açucar. E na sala de jantar, a mesa abria-se e o carrinho de chá ficava vazio, para pousar as travessas. A cozinha era, então, poucos dias antes, um reino de pequenos saberes. E sabores. No quintal, a terra revolvia-se e os canteiros tinham muitas flores. Até os peixes vermelhos, no lago, pareciam novos. O pessegueiro, todo cor-de-rosa, vestia-se de novo. Como todos os anos, por aquela altura. O limoeiro ainda tinha limões e as pereiras já não tinham peras. E o quintal cheirava a tangerinas. Depois, a Páscoa, chegava também pelas roupas novas. Para mim e para os meus irmãos. A Cristina também tinha roupa nova e um avental novo. E ficava tão feliz! E nós com ela. Porque a Cristina sorria como se fosse a mulher mais feliz do mundo. Mesmo quando partia alguma coisa, lá em casa. Sorria. E pedia desculpa. E dizia, foi sem querer, minha senhora. E a minha mãe dizia que ela não tinha juízo nenhum. E eu pensava que ter juízo não era importante. Quando se sorria assim. Com a boca. E com os olhos. E com as mãos. Naquele tempo, o que eu mais queria, era sorrir, assim, como a Cristina. Por dentro e por fora. Depois, no dia de Páscoa, de manhã, muito cedo, íamos para o quintal, eu e os meus irmãos. E a minha mãe, à nossa frente, escolhia as flores e os arbustos que podíamos usar para fazer a passadeira para o Compasso passar. E, mais tarde, a minha mãe confiou-me essa tarefa. E eu, com uma tesoura, cortava, com muito cuidado, as flores mais débeis. Tirávamos-lhes as pétalas e fazíamos uma espécie de pot porri. E as nossas mãos ficavam com o cheiro da Primavera. Depois espalhávamos tudo, em desenhos pouco geométricos, deste o portão, até à porta do halle da entrada. O vinho do Porto já estava na mesa do centro da sala de estar, quando ao longe se ouvia a sineta do compasso pascal. Depois, a minha mãe colocava dinheiro num envelope e pousava-o junto da taça das amêndoas. O meu pai arranjava o nó da gravata e colocava um cartão de visita, dentro do envelope. A minha mãe, voltava a abrir o envelope, e tirava o cartão. E dizia que quando se dá, ninguém precisa saber quem deu. E voltava a fechar o envelope. Definitivamente. E o tilintar da sineta agudizava-se mais e mais, até o som de metal entrar todo dentro da casa. Os meus pais beijavam a cruz. Eu e os meus irmãos e a Cristina beijávamos a cruz e o Senhor Padre dizia sempre algumas palavras, como se rezasse. Benzia-nos a nós e aos móveis e a tudo em volta. Depois bebiam um cálice de vinho, despejavam as amêndoas para um saco de pano e pegavam no envelope. A sineta voltava a manifestar-se, estridente, até à próxima casa. E depois, antes do almoço, íamos à missa. E quando voltávamos o meu pai ficava a ler o jornal como se fosse um dia qualquer. Os meus irmãos brincavam. A minha mãe e eu púnhamos a mesa. Uma mesa nova, como as nossas roupas. E com flores no centro. Da cozinha, a Cristina fazia caretas, quando a minha mãe não via. E sorria. Como se fosse a mulher mais feliz do mundo. Como se soubesse que em todas as Páscoas, mesmo as que não me chegam pelos rituais, eu me lembraria sempre
[Boa Páscoa para todos. muito doce e serena]
Escrito/editado por Marta 9 Terráqueos
Etiquetas: antes [re] postar que ripostar (2009)
2 génios na Time Out. e ainda não li 1/3 da revista
veio num comboio e foi noutro! soube a pouco. a minha amiga Cristina veio de Lisboa e trouxe-me a TIME OUT Porto. Pois é :) ainda não a li de fio a pavio mas já a recomendo vivamente.
neste primeiro número Manuel António Pina conta-nos como escreve. sendo que fundamental é que este SENHOR escreva. e a escrever sobre como escreve não deixa de ser delicioso, mesmo que o depoimento seja escrito às 2 da manhã. directamente no computador. não foi com a Montblanc que de vez em quando os gatos lhe levam, mas é poesia.
depois, encontrei José Carlos Fernandes a escrever sobre Carla Bley. sim, esse génio da banda desenhada portuguesa. excelente surpresa. só me resta ler mais. ler sempre.
Escrito/editado por Marta 2 Terráqueos
Etiquetas: Revistas
a verdade dói...
... e pode estar errada. às 21.30h, na FNAC do norte shopping. João Negreiros. pois claro.[e porque estamos na Páscoa. fica aqui um doce :)]
Escrito/editado por Marta 0 Terráqueos
Etiquetas: eventos
passo a rezar na net
Com este projecto, a oração supera os limites horários e geográficos e adapta-se à mobilidade urbana. “As pessoas já não rezam só dentro das igrejas. A partir de agora podem fazê-lo diante do computador, no trânsito, nos transportes… onde acontecer. A iniciativa quer responder à necessidade de rezar onde o ritmo da vida impõe».
Escrito/editado por Marta 1 Terráqueos
quinta-feira, abril 1
depois do telefonema
[esta é a forma mais rápida de chegar aí e abraçar-te.
obrigada minha absolutamente querida Zaclis]
Escrito/editado por Marta 7 Terráqueos
Etiquetas: amigos, amizade, coisas minhas, Músicas que ouço
quarta-feira, março 31
Metade da Gente do Mundo
Escrito/editado por Marta 4 Terráqueos
Etiquetas: poemas, Yehuda Amichai
Deixo um recado no Muro
[...] É aqui também que se crê estar o Centro do Mundo, simbolizado por uma bacia com água. Olhei-a longamente e, aí sim, senti que perante aquela bacia tosca, de pedra velha, podia estar uma ideia maior que o Homem. O centro do mundo deveria concentrar tudo o que temos de melhor. Os turistas acotovelam-se para ver. Os franciscanos cantavam qualquer coisa. E eu fiquei ali. Queria tanto entender[...].Chegas ao Muro. Homens do lado esquerdo com os kippa na cabeça, mulheres do lado direito. As mulheres são muito novas. Andam de trás para a frente e enfiam o rosto no «Livro das Lamentações» e não lêem, debitam, e é um choro constante que impressiona e arrepia. Os cânticos fúnebres, kinot,enchem-me os olhos de lágrimas. Lembro-me da minha mãe. Saio da zona do Muro às arrecuas, para não ofender a Deus.
Deixo um recado no Muro. Trabalhei nele uma noite inteira. Não sabia o que dizer. Escrevi: Perdoa-me, devolve-me a paz que tinha quando estava no teu regaço, no seio da minha mãe. Deixa-me. Encontra-me. Não posso continuar assim. Ouve-me hoje. Ajuda.me amanhã. Não sei se acredito. Não te minto. Mas hoje ouve o meu coração e junta-o ao teu [...].
Escrito/editado por Marta 3 Terráqueos
Etiquetas: Livros que li, No Silêncio de Deus, Patricia Reis
é lindíssimo!
poema de Constantino Cavafis.
[há dias assim. tanto. que não consigo dizer mais nada. ouçam. é lindíssimo]
Escrito/editado por Marta 2 Terráqueos
Etiquetas: Poemas que sinto, poeta
terça-feira, março 30
Fala-nos da Conversa
E ele respondeu, dizendo:
Vós falais quando deixais de estar em paz com os vossos pensamentos, e
quando já não conseguis lidar com a solidão do vosso coração, viveis com os
lábios e o som é uma diversão e um passatempo.
E, em muita da vossa conversa, o pensamento fica amordaçado.
Pois o pensamento é um pássaro do espaço que numa gaiola de palavras pode
abrir as asas mas não pode voar.
Há muitos de entre vós que procurais a conversa com medo de estardes
sozinhos.
O silêncio da solidão revela aos vossos olhos os vossos eus despidos e eles
querem escapar.
E há aqueles que falam, e sem conhecimento ou premeditação revelam uma
verdade que nem eles próprios entendem.
E há aqueles que têm a verdade dentro de si, mas não a dizem por palavras.
E é no seio destes que o espírito habita em silêncio rítmico.
Quando encontrais o vosso amigo na rua ou no mercado, deixai que o vosso
espírito conduza os vossos lábios e dirija a vossa língua.
Deixai que a voz dentro da vossa voz fale ao ouvido do seu ouvido, pois a
sua alma guardará a verdade do vosso coração tal como se guarda o sabor do
vinho. Quando já se esqueceu a cor e já não temos a taça.
Khalil Gibran in O Profeta
Escrito/editado por Marta 4 Terráqueos
Etiquetas: Escritores
domingo, março 28
Carta
lyrics: Ruy Gerra / música: Francis Hime
Escrito/editado por Marta 6 Terráqueos
Etiquetas: blogs que leio
Pelo Amor de Judith
está entre os livros que mais me disseram. que mais dei a ler. é uma história fortíssima. muito, muito bem escrita. em vez de capítulos, está dividido em refeições. já o li há uns anos e, agora, a caminho de Israel senti vontade de lhe pegar. como quem pega ao colo.
PELO AMOR DE JUDITH. chama-se assim. foi por ele que comecei a ler Meir Shalev. depois, li-lhe outros. mas este é tipo "não há amor como o primeiro".
«[...] O globo terrestre girava. O Inverno terminava. Como as criaturas da Primavera são submissas: os pombos cantavam, as flores da macieira agitavam a sua corola, à qual se apegavam as abelhas, suas damas de honor, e sob o olhar de Jacob vacilavam borboletas, entontecidas, presas na rede da sua memória.
Dominavam o dourado e o verde. O sol estava aceso - como eram familiares, como eram belas essas imagens - e já um pequeno pica-peixe planava por cima do seu reflexo, o vento rebolava-se nas folhas das bétulas, as raparigas partiam para o rochedo na curva do rio, para lavar os vestidos e os lençóis.
Então, contava-me Jacob, pintaram-se-lhe no coração as cores básicas do amor, porque no amor de uma criança, decretou ele, o espanto é mais importante do que a paixão, o encantamento leva a melhor ao ciume, e esse amor é maior do que todos os amores que hão-de vir, pois a sua força e o seu peso são os de todo o seu corpo.
Na sua infância, prosseguiu ele, não tinha gostado de uma mulher única, mas sim de todas as mulheres, tinha amado também a terra que lhes transportava a nostalgia do amor, e o céu que lhes protegia a beleza do rosto, e o Deus Um dos Judeus que as tinha colocado na ombreira da sua porta.
Invejava os joelhos delas sobre a ardósia negra.
Devido ao local e ao ângulo, as raparigas pareciam flutuar sobre as águas abundantes e radiosas de sol. O vento brincava com os seus vestidos, moldava, enfolava, desenhava.
«A imagem de sempre do amor», repetia-me Jacob, usufruindo não apenas a recordação, mas também a expressão que a sua língua hesitante tinha conseguido formular».
Meir Shalev in Pelo Amor de Judith, pag. 293, Difel, 1994
Escrito/editado por Marta 3 Terráqueos
Etiquetas: Escritores, Meir Shalev
Um mistério em Serralves
Escrito/editado por Marta 1 Terráqueos
Etiquetas: Escritores, Patricia Reis
sábado, março 27
a noite pede música
Escrito/editado por Marta 1 Terráqueos
Etiquetas: Lahasa de Sela, Músicas que ouço
Vamos ao Lugar do Desenho
Continua patente:
JÚLIO RESENDE (obras do acervo do Lugar do Desenho - Fundação Júlio Resende)
R. PINTOR JÚLIO RESENDE 346 -
ENTRADAS : € 1.00 - Entrada normal € 0.50 - Mais de 65 anos e estudantes Entrada livre: Associados e Amigos da Fundação, Crianças e Visitas organizadas.
Escrito/editado por Marta 3 Terráqueos
Etiquetas: eventos, Júlio Resende, pintura
quarta-feira, março 24
Poesia vertical
apaga a historia de todos os poemas,
apaga sua própria historia
e até apaga a história do homem
para ganhar um rosto de palavras
que o abismo não apague.
Também cada palavra do poema
faz olvidar a anterior,
se desprende um momento
do tronco multiforme da linguagem
e depois se reencontra com as outras palavras
para cumprir o rito imprescindível
de inaugurar outra linguagem.
E também cada silêncio do poema
faz olvidar o anterior,
entra na grande amnésia do poema
e vai envolvendo palavra por palavra,
até sair depois e envolver o poema
como uma capa protetora
que o preserva dos outros dizeres.
Tudo isto não é raro.
No fundo,
também cada homem faz olvidar o anterior,
faz olvidar a todos os homens.
Se nada se repete igual,
todas as coisas são últimas coisas.
Se nada se repete igual,
todas as coisas são também as primeiras.
Roberto Juarroz
Escrito/editado por Marta 4 Terráqueos
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Mostra do Documentário Português
Sessenta e três documentários integram a Panorama - 4.ª Mostra do Documentário
Português, a decorrer no Cinema São Jorge, em Lisboa, de 9 a 18 de Abril.
“Como se ensina o documentário português?” é o tema da edição deste ano da Panorama. Na rubrica “Percursos no documentário português” será visitada a obra de António Reis e Margarida Cordeiro, através de quatro filmes do casal: “Jaime” (este ainda não assinado por Margarida Cordeiro, mas no qual participou), filme que abre a mostra, “Trás-os-Montes”, “Ana” e “Rosa de Areia”.
Esta edição da Panorama pretende ainda traçar o retrato do cinema de hoje a partir da constatação de que num ano de produção se destacaram filmes que romperam com fórmulas e reinventaram soluções práticas.
A mostra integra ainda um debate sobre as relações entre o documentário e uma programação intermédia com fi lmes produzidos na Escola Superior de Teatro e Cinema, onde António Reis foi professor e considerado “mestre”.
Entre estes encontram-se as primeiras obras de João Pedro Rodrigues,Joaquim Sapinho e Joana Pontes.»
Notícia retirada daqui.
Escrito/editado por Marta 0 Terráqueos
Etiquetas: eventos
segunda-feira, março 22
Tivesse ainda tempo e entregava-te o coração
da que deixei pela manhã
no mundo
a água tomou o lugar de tudo
reúno baldes, estes vasos guardados
mas chove sem parar há muitos anos
Durmo no mar, durmo ao lado de meu pai
uma viagem se deu
entre as mãos e o furor
uma viagem se deu: a noite abate-se fechada
sobre o corpo
Tivesse ainda tempo e entregava-te
o coração
José Tolentino Mendonça in A que distância deixaste o coração
Escrito/editado por Marta 10 Terráqueos
Etiquetas: Escritores, José Tolentino Mendonça, Poemas que sinto









Dia Mundial da Liberdade de Imprensa









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