segunda-feira, maio 17

Se alguém me perguntar


Se alguém me perguntar, hei-de dizer que sim, que foi

verdade - que não amei ninguém depois de ti nem

o meu corpo procurou nunca mais outro incêndio

que não fosse a memória de um instante junto

do teu corpo; e que deixei de ler quando partiste

por não suportar as palavras maiores longe da tua boca;

e que tranquei os livros na despensa e tranquei a despensa,

acreditando que, se não me alimentasse, acabaria

por sofrer de uma doença menor do que a saudade, mas

a que os outros, pelo menos, não chamariam loucura.

[...]

Maria do Rosário Pedreira in O Canto do Vento nos Ciprestes

Dia Internacional dos Museus


Programação AQUI.

Being Julia

Amor. Obsessão. Vingança.


A ACTUAÇÃO DE UMA VIDA

«AS PAIXÕES DE JÚLIA conta-nos a história de uma bela e talentosa actriz de teatro, Julia Lambert (Annette Benning) me final de carreira na Londres dos anos 30. Os seus papéis, histórias de amor e animadas comédias sociais, são grandes sucesso, fazendo de Julia uma das mais amadas actrizes do seu tempo. Mas, o teatro, como na vida, as aparências são muitas vezes enganadoras. Julia atravessa uma crise de meia-idade e tanto o seu sucesso profissional como o seu casamento com Michael Gosselyn (Jeremy Irons) tornam-se banais e insatisfatórios. É então que conhece Tom Fennell (Shaun Evans), um belo e charmoso jovem americano, por quem se acaba por apaixonar. A vida torna-se então mais ousada e as suas 'performances' voltam a incendiar os palcos. Mas depois de desfrutar do seu dinheiro e das suas relações sociais, Tom dirige a sua atenção para Avice Crichton (Lucy Punch) - uma jovem actriz à procura de uma oportunidade no mundo do teatro. Aparentemente resignada perante os acontecimentos, Julia reúne todas as suas qualidades como actriz e astúcia a fim de tecer um plano brilhante para a sua vingança... »

...isto para dizer que está aí mais uma sessão do CINELITERÁRIO com Claudia Sousa Dias, na Biblioteca Municipal de Vila Nova de Famalicão, dia 21 de Maio, às 21.30 horas.

Adaptado do Romance "A Outra Comédia" de W. Somerset Maugham. Um Filme de István Szabó. No fim do filme, como sempre, a troca de ideias...

domingo, maio 16

A Silent Film - Aurora

[roubado aqui, à minha querida Dalila. Lindo. como tu]

sexta-feira, maio 14

Aumento de impostos...

... sem corte na despesa.

Ai que prazer
Não cumprir um dever,
Ter um país para governar
E não o fazer!
[...] não sabia nada de finanças
nem consta que saiba como sair desta.

...continua-se à espera de D. Sebastião, quer venha ou não.
[com um pedido de desculpa a Fernando Pessoa]

Américo, eu te amo, Américo...


Américo, eu te amo, Américo. Você tem uma loja de tecidos, uma mulher que você vive querendo não enganar, um filho tão bonitinho, Américo, as mãos macias de medir tecido, de apalpar o meu pescoço com intenções de quem vai assassinar. Você é um colosso, Américo, tem tudo para me agradar. Sua inteligência sem escolas é tão ignorante que eu me arrepio dos seus mundos novos.Dentes afiados, uma saúde enxuta você tem, não vai me pedir um chá. Quando eu te peço um metro de voal, você retruca pra espichar conversa: "Leva também um metro de amorim". Você fala amorim, de sabido ou de bobo, Américo? Antigamente se um homem falasse errado, descartava na hora. Hoje, não. Quero vinho de todos os barris. Você é pai extremoso, exemplar marido caseiro. Tens um livro não tens? Uma colecção de marcas de cigarro e o retrato de sua mãe. Você fecha a loja aos domingos e feriados, incrível Américo, você não quer ficar rico, como te resistir? Sua mulher me pede açúcar emprestado, eu peço a ela é licença pra ver o álbum de retratos: você segurando seu filho, você pondo comida pra passarinho, brincando com o cachorro. Se você ficar quieto e parar de me espreitar desse modo invisível, eu pinto você, seus olhos bonitos de homem mais que os de uma mulher, bonitos. Você é meu amor delicado, por você faço doce de leite, corto em pequenos losangos, ponho minha blusa bordada e fico no banco da praça te esperando no seu caminho, quando "cai a tarde tristonha e serena, em macio e suave langor", pra te entregar o coração.
Você passa e eu digo: boa tarde, Américo.


Adélia Prado, in solte os cachorros, Livros Cotovia
Quadro: Fernando Botero


[roubado a uma das minhas paixões blogosféricas: o Marcas.
e, agora, Paulo, o que me apetecia mesmo era ir a correr comprar o livro.
obrigada]

quarta-feira, maio 12

Profecias literárias...

“Nós estamos num estado comparável somente à Grécia: mesma pobreza, mesma indignidade política, mesma trapalhada económica, mesmo abaixamento de caracteres, mesma decadência de espírito. Nos livros estrangeiros, nas revistas quando se fala num país caótico e que pela sua decadência progressiva, poderá vir a ser riscado do mapa da Europa, citam-se a par, a Grécia e Portugal”.

Eça de Queirós, 1872, in “As Farpas”

Roubado na íntegra AQUI. Obrigada Mike.

O coração...



O coração, se pudesse pensar, pararia.
Fernando Pessoa
Imagem: Leila Pugnaloni

segunda-feira, maio 10

o primeiro músico

O primeiro músico seria para mim aquele que só conhecesse a tristeza da mais profunda felicidade, e que ignorasse qualquer outra: até agora ainda não foi encontrado.
Friedrich Nietzsche in A Gaia Ciência

imagem: Jean Coulon

Tiago Bettencourt & Mantha - Canção Simples

sexta-feira, maio 7

Laura e Julio



[...]


Não trabalhava fora de casa, pois revelou-se escritor. Ou era assim, pelo menos, que ele se apresentava, como um escritor de grande talaento, embora sem obra.


- Como é que sabes que tens talento, se nunca deste a ti próprio uma oportunidade de o demonstrar? - perguntou-lhe Julio certa vez.


- Isso sabe-se - respondeu com uma ponta de cinismo. - Foi o meu olfacto de escritor, por exemplo, que me impeliu a tornar-me vosso amigo.


- Como assim?


- Vocês não se apercebem, mas são umas personagens muito romanescas, tanto observados em conjunto, como cada um por si. Podia escrever um romance sobre os dois, mas é melhor vivê-los que escrevê-los.


- O que é que eu tenho de personagem de romance?


- perguntou Laura, apanhada de surpresa pelas palavras de Manuel.


- A ambiguidade.


- O que é que isso quer dizer?


- Que podes ser compreendida de muitas maneiras, todas elas plausíveis. És um texto cifrado.


- E eu? O que é que eu tenho de personagem de romance? - perguntou-lhe Julio, mais para romper a bolha de onde, de repente, se tinham instalado Manuel e a mulher.


- O facto de estares louco.


- Como, louco?


- Completamente. Se queres que te diga, eu imagino-te como uma personagem que, um dia, durante a juventude, percebeu que estava louca e que, desde então, passa a vida a tentar ocultar esse facto. E, embora ninguém se tenha apercebido disso, nem a tua família, nem a tua mulher, nem os teus amigos,ambos sabemos que és louco: tu, porque sofres; e eu, porque sou escritor.


- Um escritor sem obra - acrescentou Julio, a rir, para esconder a perturbação provocada pelas palavras do vizinho.


- Relativamente. A descrição que acabo de fazer de ti é uma peça magistral.


Riram-se os três, embora uns mais do que outros. Enquanto ria, Julio sofreu uma experiência de desdobramento que lhe recordou o seguinte episódio de infância: ele e a mãe dirigiam-se para a escola de mãos dadas, enquanto se cruzaram com um menino cego que também seguia de mãos dadas à sua. Julio observou o menino com curiosidade, mesmo até com impertinência,e, nesse instante,como se no interior do seu crânio tivesse estalado a luz procedente de uma explosão nuclear, a realidade encheu-se de uma aura branca tão intensa que os transeuntes se converteram em fantasmas e a rua num cenário. A experiência não deve ter durado mais do que dois ou três segundos, durante os quais Julio se viu a si próprio a partir do menino cego. Ao desaparecer a aura e regressar à ordem anterior, o cego estava a comtemplar Julio das suas órbitas apagadas, e este pediu à mãe que mudassem de passeio. Agora, acabava de se desdobar na pessoa de Manuel. Durante umas décimas de segundo, durante as quais se manifestou de novo a aura que congelou momentaneamente os risos, Julio soube - porque não se tratava de um sentimento, mas de uma informação - que tinha estado por uns instantes dentro do corpo de Manuel, sem terabandonado, no entanto, o seu.


- E de que é que vivem os escritores sem obra? - perguntou ainda, para disfarçar a experiência que tinha acabado de sofrer e também para pôr em evidência a inutilidade de Manuel.


- Não sejas grosseiro - limitou-se a responder o escritor. - Ambos sabemos que ganhar a vida é vulgar.


Juan José Millás in Laura e Julio, pag. 13 e 14, Quetzal, 2007


imagem: Clarence Hudson

Matosinhos Jazz

"O Canto"



à procura de um excerto do livro "A Poética do Espaço" de Gaston Bachelard, que adorei ler, encontrei este filme. gostei tanto.

Meu bem é teu amor



Amanhã, dia 8 de Maio, às 22 horas, no Espaço Vinyl, Edifício da Orquestra Metropolitana de Lisboa! A não perder. Diz-me o coração!

«Entre os sons e as palavras, a tradição servida de fresco.
Canções e poemas de Trás-os-Montes, salpicadas com canções de
Lacerda, Croner de Vasconcelos, Pixinguinha e Baden Powell.

Com a inquietação a procurar descanso para além das serras, molhamos os pés no sal do
mar. Numa esperança que guiou tantos dos nossos emigrantes, num
português de ancas, zarpamos ao Brasil.
Porque todos somos nós.

Os textos tradicionais foram recolhidos junto da avó Margarida Fidalgo e da avó Maria das Dores.
As palavras foram adaptadas por Eduarda Freitas. Os sons foram ambientados por Melissa Fontoura e Eduardo Baltar Soares.

O projecto Grupetto é uma formação constituída por vários
elementos que pretende divulgar a música e a poesia numa comunhão
onde se misturam os sentidos e as harmonias. Uma espécie de
ondulação criativa à volta das palavras e dos sons, tal como o grupetto
na partitura musical. Assumimos uma geometeria variável, aberta às
mudanças, adaptável e fluída...

Nós hoje somos:

Melissa Fontoura - piano
Eduarda Freitas - dizedora
Nádia Fidalgo - canto
Eduardo Baltar Soares – guitarra »
[E no Porto, é quando?]

Mulher Mim


Mulher Mim de Rafaela Santos estará amanhã no palco da escola Oliveirinha, Carregal do Sal, às 21.30 horas. A primeira produção Magnólia Teatro decorre no âmbito do festival Palco para Dois ou Menos.
Depois, dia 4 de Junho, é a vez do Centro Cultural Vila Flor, em Guimarães, receber a peça.
[«Magnólia Teatro, Companhia Profissional de Teatro, apresenta, com Mulher Mim, a primeira produção. Fundada em 2009, na região de Viseu, no âmbito da Amarelo Silvestre – Associação Cultural, a Magnólia Teatro pretende afirmar-se numa perspectiva de continuidade da actividade performativa, com o fito da dinamização de espaços convencionais e não convencionais, urbanos e rurais. A direcção artística da Magnólia Teatro é assegurada por Rafaela Santos.»]
imagem: Luís Belo

Zoom à realidade europeia

CONCURSO. DIA 9 DE MAIO. AQUI.

Dia da Europa em Matosinhos

«Entre 7 e 9 de Maio decorrem, em Matosinhos, as comemorações do Dia da Europa sob o tema "Venha descobrir o que a Europa Social faz por si". «Durante este período decorrerá no Jardim Basílio Teles um evento subordinado à temática da Europa Social, centrado numa grande tenda inspirada e ilustrada por imagens de circo, no âmbito do qual diversos organismos e programas europeus apresentarão as suas acções no domínio educativo e social. No programa estão previstas animações circenses durante os três dias, assim como apresentações artísticas de escolas de diversos pontos do país, apresentações de projectos europeus nas áreas artísticas e de inclusão social, desporto, debates e outras iniciativas. Os horários da tenda "Venha descobrir o que a Europa Social faz por si" serão das 10h00 às 19h00 nos dias 7 e 8 de Maio, e das 10h00 às 18h00 no dia 9 de Maio. À noite estão previstas sessões de cinema europeu ao ar livre (Jardim Basílio Teles) e um concerto da Orquestra de Jazz de Matosinhos.» A organização é uma parceria entre o Gabinete em Portugal do Parlamento Europeu, a Presidência Espanhola do Conselho da União Europeia, o Ministério dos Negócios Estrangeiros da República Portuguesa, a Câmara Municipal de Matosinhos e a Coordenação Nacional do Ano Europeu do Combate à Pobreza e à Exclusão Social». Notícia retirada daqui.

quinta-feira, maio 6

a voz de Sofia

é já amanhã, em Espinho. Sofia Ribeiro & Gui Duvignau. eu não conhecia. e fiquei encantada.
«Sofia Ribeiro, dona de uma magnífica voz e de um talento que tem vindo a ser distinguido por toda a Europa e E.U.A., lança o seu terceiro CD.
Porto, em estreia absoluta neste concerto, é um projecto musical de convergência cultural, realizado em parceria com Gui Duvignau, cuja produção e origem dos seus integrantes transcendem fronteiras geográficas. Com fortes raízes lusitanas e brasileiras, as suas músicas transitam entre culturas, e equilibram-se entre a improvisação e a escrita de composições originais e de arranjos: um poema de Fernando Pessoa, uma canção de Tom Jobim, um fado.»
Auditório de Espinho - Academia de Música de Espinho
Bilheteira - De segunda a sexta-feira, das 09:00 às 13:00 e 14:00 às 17:00; Ao sábado, entre as 10:00 e as 12:00:
Em dias de espectáculo, uma hora antes do início do mesmo.
Rua 34, nº 884 - 4500-318 Espinho, Portugal
Tel.: (00351) 22 734 11 45 / 22 734 04 69 - Fax: (00351) 22 731 19 32 -
Email: auditorio@musica-esp.pt
Podem ouvir AQUI

quarta-feira, maio 5

John Nash

[...] «Ninguém mostrou uma obsessão maior pela originalidade, nem um maior desdém pela autoridade, nem mais zelo em preservar a sua independência: em jovem teve à sua volta os sumos sacerdotes da ciência do século XX - Albert Einstein, John von Neumman e Norbert Wiener - , mas não aderiu a nenhuma escola nem se converteu em discípulo de ninguém, tendo pelo contrário, em larga medida, percorrido o seu caminho sem guias nem seguidores. Em quase tudo o que fez - da teoria dos jogos à geometria - desprezou os conhecimentos recebidos, as modas comtemporâneas e os métodos estabelecidos. Trabalhava quase sempre só, habitualmente enquanto caminhava e, com frequência, ia assobiando Bach. [...] »

Sylvia Nasar in Uma Mente Brilhante, Relógio Dágua, 2002

[ao passear pelo facebook encontrei excertos deste filme que adorei ver. e fui à procura deste livro que tenho sublinhado e cheio de notas. a lápis e musicais. obrigada António]

segunda-feira, maio 3

um dizer ainda puro




imagino que sobre nós virá um céu

de espuma e que, de sol em sol,

uma nova língua nos fará dizer

o que a poeira da nossa boca adiada

soterrou já para lá da mão possível

onde cinzentos abandonamos a flor.



dizes: põe nos meus os teus dedos

e passemos os séculos sem rosto,

apaguemos de nossas casas o barulho

do tempo que ardeu sem luz.

sim, cria comigo esse silêncio

que nos faz nus e em nós acende

o lume das árvores de fruto.



diz-me que há ainda versos por escrever,

que sobra no mundo um dizer ainda puro.


Vasco Gato in Um Mover de Mão, Assírio e Alvim, 2000

alimente esta ideia

[Campanha de Recolha de Alimentos do Banco Alimentar Contra a Fome – Porto
29 e 30 de Maio (sábado e domingo). Inscreva-se como voluntário. A sua ajuda é preciosa]

Banco Alimentar Contra a Fome – Porto
Contactos para voluntários:
Alda Maia Rosa
alda.rosa@bancoalimentar.pt
campanhasbancoalimentarporto@gmail.com
229983141

Leerestademoda.com - BOOK

[respondendo ao apelo do Marcas. cá está. muito bom!]

celebra-se hoje

domingo, maio 2

um dia perfeito, como os caracóis da Ritinha

há quantos anos não fazia uma corrida de sacos? mil anos! e há quantos anos não jogava aos jogo do lenço e...há quantos anos não me divertia a furar balões [azuis, a cor que saiu à nossa equipa] de olhos vendados? jogo das latas, da corda, futebol com e sem bola, corrida com 3 pernas!!! à noite, caí na cama como uma criança. cansada e feliz. um dia na quinta. com direito a piquenique e tudo. uma iniciativa fabulosa, organizada pela catequese da Francisca, minha sobrinha. o Miguel, irmão da Francisca, 4 anos [na imagem] resumiu, assim, o dia:
- sabes tia, foi um dia bonito como o cabelo da Ritinha!!!
[menina com quem brincou mais...nesse dia... dona de uns caracóis perfeitos]
bem!!! como será aos 14. aos 24. aos 44 anos, a capacidade de expressão do nosso Migas? :)

Lindo!

[obrigada, Mafalda. não conhecia. amei]

sexta-feira, abril 30

...que faça tudo andar

Atravesso a noite com um verso que não se resolve.
Na outra mão as flores. Como se flores bastassem, eu espero... E espero...
A chave que abre o céu da onde caem as palavras. A palavra certa que faça tudo andar.
Herbet Vianna

imagem: Claudia Moura
[Poema roubado ao Carlos]

não percam. por favor.

inaugura dia 1 de Maio às 21.30 horas. no Clube Literário do Porto. as imagens dão da minha querida Sonja e as palavras do também querido Pas[ç]sos.
sim, conhecemo-nos aqui. nos blogs. e percebi, de imediato, que faziam [fazem] um dueto fabuloso.
PALAVRAS COM OBJECTIVA inaugura amanhã. infelizmente não poderei estar. mas quem puder, por favor, não falte. pois - estou certa - [e não acontece muitas vezes ;)] valerá a pena!
eu passarei por lá depois, até 14. os amigos que forem amanhã, à inauguração, têm a missão de me contar TUDO :)

quarta-feira, abril 28

bem aventurada...


Manhã fabulosa em Haifa. Uma vista soberba sob um dos portos mais antigos do mundo e, claro, sob os jardins suspensos Baháí, no Monte Carmelo. Aqui é, também, o Centro Mundial Bahá'í . A mais jovem das religiões monoteístas.
Deixo uma bela oração Baháí que aprendi com o Ghiora, um homem generoso na partilha do seu vasto conhecimento e aquém estou muito grata.
«Bem aventurada é a região e o lugar, a casa e o coração.
Bem aventurada a cidade, a montanha, o refúgio, a caverna ou o vale, a terra ou o mar, o prado ou a ilha, - onde se haja feito menção de Deus e celebrado o seu louvor».

bem aventurados...

corpo 48; para mais tarde recordar

[acabei de ser beijada em corpo 48 por uma mulher lindíssima, inteligente e sem papas na língua.
afinal este dia que só serenou agorinha mesmo, pode ter mais 24 horas... se no fim tiver um mail como o que acabei de ler, claro! só deus sabe como era [é] importante a opinião dela. e, ainda por cima, eu não tinha a rede do costume. quem diz rede diz parecer :)]

if

...eu não tivesse perdido o telemóvel este dia não tinha sido caótico. uma verdadeira saga.
[o que mais me custou foi não ter dado um abraço à minha querida Graça que parte hoje para Londres. e, claro, a confusão com dois dos Migueis da minha vida.
só faltam duas horas para o dia acabar. ARRE!
e pode ser que a nova aurora me traga o perdão por só saber dois números de telemóvel de cor]

segunda-feira, abril 26

Eyjafjallajökull


[ vulcão Eyjafjallajökull. é! tenho uma amiga que pronuncia o nome do vulcão como quem diz olá. pronunciou-o mil vezes sem se enganar uma única vez, a irritante... :) enquanto eu não saio da primeira sílaba. e depois? perguntam vocês. pois é - devia estar aqui a fazer listas, que é o que faço quando estou nervosa - ou então a mandar o mail à Patrícia. mas não consigo. perdoem-me, sim?, os delírios de hoje...]

coisas que me passam pelo coração

sabem quando tudo, tudo se transforma em emoção?
até a informação!!!! e não há forma de se ser racional?
estava aqui e estava a pensar na mãe de uma amiga minha que um dia me contou uma história que terminava com esta pergunta:
- sabe porque é que a cabeça surge primeiro do que o coração?

[ pois é...não quero nem saber da resposta. há dias assim.]

Marcas que são como mapas

[...]

Permite-me que ecoe por aqui o que se
escreve dentro de mim: escrevo praias onde
nunca mergulhei, ouço conversas dos vizinhos que
doem como gritos, como criticas, como armas
arremessadas contra a minha sombra.

Como te disse: permite-me que me ecoe.
Evitei que me descongregasse pela terra, pensei
que assim poderia tocar-te no ombro e dizer-te
que estou aqui, onde tu não podes ver

onde as crianças não conseguem chegar
onde os velhos não conseguem viver.

Estou por aqui, enquanto te deixo permanecer
no cheiro que trago nas vestes, enquanto me dispo
e deixo que me vejas.

Agora tenho em lugar das minhas mãos uma grande
mancha azulínea, que me recorda que um dia aqui existiu
o mundo e que agora não há mais tempo
para nada.

Sérgio Xarepe
- "Em lugar das mãos o mundo."

imagem: Silvia Antunes

quinta-feira, abril 22

dificuldades - sérias - na aterragem

na realidade ainda não aterrei. continuo nas nuvens e com sérias dificuldades de adaptação à vidinha! a viagem foi magnífica e nem o vulcão impediu um final feliz. aos poucos vou postando imagens e palavras. mas preciso de tempo para aterrar definitivamente.
é que nesta viagem as placas tectónicas que tenho cá dentro também se deslocaram.
abriram-se brechas. sismos múltiplos. terramotos. nuvens de fumo. muita lava.
Israel, Palestina, Jordânia.
é que uma coisa é ler jornais. ou livros. outra, distinta, é atravessar fronteiras.
depois, há também a outra dimensão. a nossa. a pessoal. a que vai levar muito mais tempo a saber como ficará.

[e saudades, sim saudades de vos visitar. de estar aqui. muitas.]

terça-feira, abril 6

volto já

primeiro Israel, depois Jordânia. estou de partida. mas volto já.

sábado, abril 3

a Páscoa pelos rituais


[Para a Cristina. Onde quer que esteja]


Naquele tempo, a Páscoa chegava-me pelos rituais. A casa era o primeiro. Saia tudo do lugar. Para ficar tudo no mesmo lugar. A Cristina começava, pelo menos, quinze dias antes. Abriam-se as janelas, demoradamente. O sol entrava, demoradamente, na sala de estar, voltada para o terraço. E as cortinas ondulavam serenas nos reposteiros altos. As pratas brilhavam mais. As toalhas brancas cheiravam mais a linho. E a louça Vista Alegre era, ainda, mais alegre. E os copos de cristal tilintavam mais. E a minha mãe chamava mais vezes pela Cristina. E ela corria pela casa toda. De uma ponta à outra. Uma azáfama. Até ficar tudo puro e sagrado como água benta. A dispensa, ao lado da cozinha, cheirava a pão-de-ló e a doces de ervas e açucar. E na sala de jantar, a mesa abria-se e o carrinho de chá ficava vazio, para pousar as travessas. A cozinha era, então, poucos dias antes, um reino de pequenos saberes. E sabores. No quintal, a terra revolvia-se e os canteiros tinham muitas flores. Até os peixes vermelhos, no lago, pareciam novos. O pessegueiro, todo cor-de-rosa, vestia-se de novo. Como todos os anos, por aquela altura. O limoeiro ainda tinha limões e as pereiras já não tinham peras. E o quintal cheirava a tangerinas. Depois, a Páscoa, chegava também pelas roupas novas. Para mim e para os meus irmãos. A Cristina também tinha roupa nova e um avental novo. E ficava tão feliz! E nós com ela. Porque a Cristina sorria como se fosse a mulher mais feliz do mundo. Mesmo quando partia alguma coisa, lá em casa. Sorria. E pedia desculpa. E dizia, foi sem querer, minha senhora. E a minha mãe dizia que ela não tinha juízo nenhum. E eu pensava que ter juízo não era importante. Quando se sorria assim. Com a boca. E com os olhos. E com as mãos. Naquele tempo, o que eu mais queria, era sorrir, assim, como a Cristina. Por dentro e por fora. Depois, no dia de Páscoa, de manhã, muito cedo, íamos para o quintal, eu e os meus irmãos. E a minha mãe, à nossa frente, escolhia as flores e os arbustos que podíamos usar para fazer a passadeira para o Compasso passar. E, mais tarde, a minha mãe confiou-me essa tarefa. E eu, com uma tesoura, cortava, com muito cuidado, as flores mais débeis. Tirávamos-lhes as pétalas e fazíamos uma espécie de pot porri. E as nossas mãos ficavam com o cheiro da Primavera. Depois espalhávamos tudo, em desenhos pouco geométricos, deste o portão, até à porta do halle da entrada. O vinho do Porto já estava na mesa do centro da sala de estar, quando ao longe se ouvia a sineta do compasso pascal. Depois, a minha mãe colocava dinheiro num envelope e pousava-o junto da taça das amêndoas. O meu pai arranjava o nó da gravata e colocava um cartão de visita, dentro do envelope. A minha mãe, voltava a abrir o envelope, e tirava o cartão. E dizia que quando se dá, ninguém precisa saber quem deu. E voltava a fechar o envelope. Definitivamente. E o tilintar da sineta agudizava-se mais e mais, até o som de metal entrar todo dentro da casa. Os meus pais beijavam a cruz. Eu e os meus irmãos e a Cristina beijávamos a cruz e o Senhor Padre dizia sempre algumas palavras, como se rezasse. Benzia-nos a nós e aos móveis e a tudo em volta. Depois bebiam um cálice de vinho, despejavam as amêndoas para um saco de pano e pegavam no envelope. A sineta voltava a manifestar-se, estridente, até à próxima casa. E depois, antes do almoço, íamos à missa. E quando voltávamos o meu pai ficava a ler o jornal como se fosse um dia qualquer. Os meus irmãos brincavam. A minha mãe e eu púnhamos a mesa. Uma mesa nova, como as nossas roupas. E com flores no centro. Da cozinha, a Cristina fazia caretas, quando a minha mãe não via. E sorria. Como se fosse a mulher mais feliz do mundo. Como se soubesse que em todas as Páscoas, mesmo as que não me chegam pelos rituais, eu me lembraria sempre
do seu sorriso.


[Boa Páscoa para todos. muito doce e serena]


Imagem: José Pedro S. do Amaral

2 génios na Time Out. e ainda não li 1/3 da revista

veio num comboio e foi noutro! soube a pouco. a minha amiga Cristina veio de Lisboa e trouxe-me a TIME OUT Porto. Pois é :) ainda não a li de fio a pavio mas já a recomendo vivamente.
neste primeiro número Manuel António Pina conta-nos como escreve. sendo que fundamental é que este SENHOR escreva. e a escrever sobre como escreve não deixa de ser delicioso, mesmo que o depoimento seja escrito às 2 da manhã. directamente no computador. não foi com a Montblanc que de vez em quando os gatos lhe levam, mas é poesia.
depois, encontrei José Carlos Fernandes a escrever sobre Carla Bley. sim, esse génio da banda desenhada portuguesa. excelente surpresa. só me resta ler mais. ler sempre.

a verdade dói...

... e pode estar errada. às 21.30h, na FNAC do norte shopping. João Negreiros. pois claro.
[e porque estamos na Páscoa. fica aqui um doce :)]

CIA

passo a rezar na net


está on-line desde março. e já tem mais de 5 mil amigos no facebook. vi a reportagem, creio que na RTP. um sucesso, este sítio onde se pode fazer download de orações.
nesta época pascal o actor Ruy de Carvalh e a sua filha, Paula Carvalho dão voz ao projecto.

«O acesso à oração, gratuito, faz-se através do site passo-a-rezar.net. O ficheiro é disponibilizado na véspera do dia a que corresponde, podendo ser guardado no computador ou enviado por correio electrónico. Mas também pode ir para qualquer lado através da transferência para um leitor de música digital ou para um dispositivo de armazenamento portátil – uma pen drive, por exemplo.
Com este projecto, a oração supera os limites horários e geográficos e adapta-se à mobilidade urbana. “As pessoas já não rezam só dentro das igrejas. A partir de agora podem fazê-lo diante do computador, no trânsito, nos transportes… onde acontecer. A iniciativa quer responder à necessidade de rezar onde o ritmo da vida impõe».

quinta-feira, abril 1

depois do telefonema

[esta é a forma mais rápida de chegar aí e abraçar-te.

obrigada minha absolutamente querida Zaclis]

quarta-feira, março 31

Metade da Gente do Mundo


Metade da gente do mundo ama a outra metade,


metade da gente odeia a outra metade.


Por causa desta e daquela metade terei eu de vaguear


e me transformar incessantemente como chuva no seu ciclo,


terei eu de dormir entre rochas, tornar-me áspero


como os troncos das oliveiras,e ouvir a lua uivar para mim,


e camuflar o meu amor com receios,


e brotar como erva assustada entre os carris


do caminho de ferro,


e viver submerso como uma toupeira,


e quedar-me com raízes mas sem ramos,


e não sentir a minha face contra a face de anjos, e


amar na primeira caverna, e casar com a minha mulher


sob uma abóbada de vigas que sustentam a Terra,


e expressar a minha morte, sempre até ao último sopro e


às últimas palavras e sem nunca compreender,


e colocar mastros sobre o telhado da minha casa


e um abrigo antiaéreo debaixo dela.


E ir apenas para regressar e passar por todos os lugares –


gato, pau, fogo, talhante, entre o cabrito e o anjo da morte?


Metade da gente ama,metade da gente odeia.


E qual é o meu lugar entre tais iguais metades,


e por que fenda verei eu o bairro de casas


brancas dos meus sonhos e as pegadas nuas


na areia ou, pelo menos, o lenço da mulher que acena


junto às dunas?


Yehuda Amichai (1924-2000), poeta israelita

retirado daqui.

Cosa dire!

Deixo um recado no Muro

[...] É aqui também que se crê estar o Centro do Mundo, simbolizado por uma bacia com água. Olhei-a longamente e, aí sim, senti que perante aquela bacia tosca, de pedra velha, podia estar uma ideia maior que o Homem. O centro do mundo deveria concentrar tudo o que temos de melhor. Os turistas acotovelam-se para ver. Os franciscanos cantavam qualquer coisa. E eu fiquei ali. Queria tanto entender[...].Chegas ao Muro. Homens do lado esquerdo com os kippa na cabeça, mulheres do lado direito. As mulheres são muito novas. Andam de trás para a frente e enfiam o rosto no «Livro das Lamentações» e não lêem, debitam, e é um choro constante que impressiona e arrepia. Os cânticos fúnebres, kinot,enchem-me os olhos de lágrimas. Lembro-me da minha mãe. Saio da zona do Muro às arrecuas, para não ofender a Deus.
Deixo um recado no Muro. Trabalhei nele uma noite inteira. Não sabia o que dizer. Escrevi: Perdoa-me, devolve-me a paz que tinha quando estava no teu regaço, no seio da minha mãe. Deixa-me. Encontra-me. Não posso continuar assim. Ouve-me hoje. Ajuda.me amanhã. Não sei se acredito. Não te minto. Mas hoje ouve o meu coração e junta-o ao teu [...].

[o certo é que sei esta oração de cor. gosto tanto.
tanto.tanto. mesmo muito. íssimo.]
Patrícia Reis in No Silêncio de Deus

imagem: daqui

viagem a uma das 7 maravilhas do mundo


Petra, Jordânia

[está quase, quase]

é lindíssimo!

poema de Constantino Cavafis.

[há dias assim. tanto. que não consigo dizer mais nada. ouçam. é lindíssimo]

terça-feira, março 30

Fala-nos da Conversa


Então um erudito disse, Fala-nos da Conversa.
E ele respondeu, dizendo:
Vós falais quando deixais de estar em paz com os vossos pensamentos, e
quando já não conseguis lidar com a solidão do vosso coração, viveis com os
lábios e o som é uma diversão e um passatempo.
E, em muita da vossa conversa, o pensamento fica amordaçado.
Pois o pensamento é um pássaro do espaço que numa gaiola de palavras pode
abrir as asas mas não pode voar.
Há muitos de entre vós que procurais a conversa com medo de estardes
sozinhos.
O silêncio da solidão revela aos vossos olhos os vossos eus despidos e eles
querem escapar.
E há aqueles que falam, e sem conhecimento ou premeditação revelam uma
verdade que nem eles próprios entendem.
E há aqueles que têm a verdade dentro de si, mas não a dizem por palavras.

E é no seio destes que o espírito habita em silêncio rítmico.
Quando encontrais o vosso amigo na rua ou no mercado, deixai que o vosso
espírito conduza os vossos lábios e dirija a vossa língua.
Deixai que a voz dentro da vossa voz fale ao ouvido do seu ouvido, pois a
sua alma guardará a verdade do vosso coração tal como se guarda o sabor do
vinho. Quando já se esqueceu a cor e já não temos a taça.

Khalil Gibran in O Profeta

Pequenos nadas

domingo, março 28

Carta


Nunca estive tão sozinho


nos caminhos da tristeza


nos campos de outra nobreza


nos lagos de tanto vinho




Nunca estive tão sofrido


nos trilhos da solidão


nas carreiras da paixão


nas dentadas desse pão




Nunca estive tão cansado


nas calmarias de um bar


nas paradas de um olhar


nas tatuagens de um fado




Nunca estive tão assim


tanta rama e tanta gana


tão maduro e tão sem cama


tão seguro e tão sem fim



lyrics: Ruy Gerra / música: Francis Hime
[roubado ao blog Papo Cultural]
imagem: Humberto Verdolia

Pelo Amor de Judith

está entre os livros que mais me disseram. que mais dei a ler. é uma história fortíssima. muito, muito bem escrita. em vez de capítulos, está dividido em refeições. já o li há uns anos e, agora, a caminho de Israel senti vontade de lhe pegar. como quem pega ao colo.
PELO AMOR DE JUDITH. chama-se assim. foi por ele que comecei a ler Meir Shalev. depois, li-lhe outros. mas este é tipo "não há amor como o primeiro".


«[...] O globo terrestre girava. O Inverno terminava. Como as criaturas da Primavera são submissas: os pombos cantavam, as flores da macieira agitavam a sua corola, à qual se apegavam as abelhas, suas damas de honor, e sob o olhar de Jacob vacilavam borboletas, entontecidas, presas na rede da sua memória.
Dominavam o dourado e o verde. O sol estava aceso - como eram familiares, como eram belas essas imagens - e já um pequeno pica-peixe planava por cima do seu reflexo, o vento rebolava-se nas folhas das bétulas, as raparigas partiam para o rochedo na curva do rio, para lavar os vestidos e os lençóis.
Então, contava-me Jacob, pintaram-se-lhe no coração as cores básicas do amor, porque no amor de uma criança, decretou ele, o espanto é mais importante do que a paixão, o encantamento leva a melhor ao ciume, e esse amor é maior do que todos os amores que hão-de vir, pois a sua força e o seu peso são os de todo o seu corpo.
Na sua infância, prosseguiu ele, não tinha gostado de uma mulher única, mas sim de todas as mulheres, tinha amado também a terra que lhes transportava a nostalgia do amor, e o céu que lhes protegia a beleza do rosto, e o Deus Um dos Judeus que as tinha colocado na ombreira da sua porta.
Invejava os joelhos delas sobre a ardósia negra.
Devido ao local e ao ângulo, as raparigas pareciam flutuar sobre as águas abundantes e radiosas de sol. O vento brincava com os seus vestidos, moldava, enfolava, desenhava.
«A imagem de sempre do amor», repetia-me Jacob, usufruindo não apenas a recordação, mas também a expressão que a sua língua hesitante tinha conseguido formular».


Meir Shalev in Pelo Amor de Judith, pag. 293, Difel, 1994

Um mistério em Serralves

já está aí e os meus sobrinhos - os mais velhos - vão adorar ler...
mais uma aventura. desta vez, na porta, aqui ao lado :)

sábado, março 27

Miguel Torga na voz de Aurelino Costa

a não perder, às 17 horas, na FNAC do Norte Shopping

a noite pede música

Vamos ao Lugar do Desenho


Eu já disse aqui que sou fã do grande Mestre Júlio Resende? Sim. Acho que sim. Mas não faz mal. Volto a dizer. E do Lugar do Desenho, também. Pois hoje - está sol lá fora - estão todos convidados. Deixo aqui o convite. Tal e qual o recebi.
«Pela presente vimos CONVIDAR e solicitar a V.Exª(s) a DIVULGAÇÃO da Exposição a inaugurar no próximo dia 27 de Março (Sábado) pelas 17h00 no “Lugar do Desenho - Fundação Júlio Resende”.
AGOSTINHO SANTOS
TÍTULO: Penso, logo Desenho
DATA: 27 de Março a 24 de Abril de 2010
LOCAL: Galeria de Exposições Temporárias

Continua patente:
JÚLIO RESENDE (obras do acervo do Lugar do Desenho - Fundação Júlio Resende)
TÍTULO: Caderno de Viagens JÚLIO RESENDE - Goa Cabo Verde
DATA: 31 de Outubro de 2009 a 18 de Abril de 2010
LOCAL: Galeria do Acervo

R. PINTOR JÚLIO RESENDE 346 -
4420-534 VALBOM GONDOMAR 224 649 061 / 62 - FAX.: 224 630 325
E-mail: info@lugardodesenho.org - Site: http://www.lugardodesenho.org
HORÁRIO DE VISITAS:
DE TERÇA A SEXTA-FEIRA DAS 14H30 ÀS 18H30
SÁBADO E DOMINGO DAS 14H30 ÀS 17H30
Encerrado Segundas-feiras, Feriados e mês de Agosto
ENTRADAS : € 1.00 - Entrada normal € 0.50 - Mais de 65 anos e estudantes Entrada livre: Associados e Amigos da Fundação, Crianças e Visitas organizadas.
Nota: em dias de Inauguração e outros eventos a entrada é gratuita
Agora, só falta mesmo estarem presentes :)
imagem: Mestre Júlio Resende

quarta-feira, março 24

ando a ler...

e por este andar, andarei... nunca mais é logo...a ver se lhe volto a pegar.

Poesia vertical


Cada poema faz olvidar o anterior,

apaga a historia de todos os poemas,

apaga sua própria historia

e até apaga a história do homem

para ganhar um rosto de palavras

que o abismo não apague.


Também cada palavra do poema

faz olvidar a anterior,

se desprende um momento

do tronco multiforme da linguagem

e depois se reencontra com as outras palavras

para cumprir o rito imprescindível

de inaugurar outra linguagem.


E também cada silêncio do poema

faz olvidar o anterior,

entra na grande amnésia do poema

e vai envolvendo palavra por palavra,

até sair depois e envolver o poema

como uma capa protetora

que o preserva dos outros dizeres.


Tudo isto não é raro.

No fundo,

também cada homem faz olvidar o anterior,

faz olvidar a todos os homens.



Se nada se repete igual,

todas as coisas são últimas coisas.

Se nada se repete igual,

todas as coisas são também as primeiras.

Roberto Juarroz
[tradução de Gerana Damulakis]

imagem: rosa meditativa, retirada daqui.

Entre dos Aguas

Mostra do Documentário Português


«Panorama reflecte sobre ensino e documentários
Sessenta e três documentários integram a Panorama - 4.ª Mostra do Documentário
Português, a decorrer no Cinema São Jorge, em Lisboa, de 9 a 18 de Abril.
“Como se ensina o documentário português?” é o tema da edição deste ano da Panorama. Na rubrica “Percursos no documentário português” será visitada a obra de António Reis e Margarida Cordeiro, através de quatro filmes do casal: “Jaime” (este ainda não assinado por Margarida Cordeiro, mas no qual participou), filme que abre a mostra, “Trás-os-Montes”, “Ana” e “Rosa de Areia”.
Esta edição da Panorama pretende ainda traçar o retrato do cinema de hoje a partir da constatação de que num ano de produção se destacaram filmes que romperam com fórmulas e reinventaram soluções práticas.
A mostra integra ainda um debate sobre as relações entre o documentário e uma programação intermédia com fi lmes produzidos na Escola Superior de Teatro e Cinema, onde António Reis foi professor e considerado “mestre”.
Entre estes encontram-se as primeiras obras de João Pedro Rodrigues,Joaquim Sapinho e Joana Pontes.»

Notícia retirada daqui.

segunda-feira, março 22

Tivesse ainda tempo e entregava-te o coração


A casa onde às vezes regresso é tão distante
da que deixei pela manhã
no mundo
a água tomou o lugar de tudo
reúno baldes, estes vasos guardados
mas chove sem parar há muitos anos

Durmo no mar, durmo ao lado de meu pai
uma viagem se deu
entre as mãos e o furor
uma viagem se deu: a noite abate-se fechada
sobre o corpo

Tivesse ainda tempo e entregava-te
o coração

José Tolentino Mendonça in A que distância deixaste o coração