sexta-feira, abril 22

Tudo isto seria um caminho terrivelmente intimista...


[...] A Quaresma é o contrário daquilo que, às vezes, se faz passar. Uma estação tristonha e austera, onde predominam as privações e os jejuns soturnos, que ninguém nos explica de modo satisfatório. Uma quadra lilás, cheia de imperativos que nos roem por dentro, mais como uma remorso do que uma sementeira de alegria.


A Quaresma é o contrário disso. Quaresma sugere palavras vivas: conversão, reconciliação, renascimento...Quaresma é a primavera que Deus oferece à Igreja, para que todos acordemos da paralisia dos nossos invernos interiores e desatemos a florir.

Quaresma é redescobrir a juventude com uma energia que trazemos na alma, a possibilidade real de recomeçar, de ser melhor outra vez e ainda outra vez. Não é um ritual de ano a ano, é um abanão ao nosso modo de viver, para que nos desinstalemos e compreendamos que Deus não nos quer amarrados a uma ‘vidinha’ que não reflecte nada de grade ou apreciável: nem Amor, nem, justiça, nem esperança.

A Quaresma é, assim, uma aposta divina nas nossas histórias humanas, ás vezes demasiado humanas.

E por ser tão importante não é uma receita, é uma proposta de caminho (...).

Estamos em construção!

Às vezes enchemo-nos de coisas supérfluas que só atravancam. Falsos projectos, muitos preconceitos, críticas fáceis, invejas, orgulho, egoísmo qb. E terminamos como um joguete nas mãos das nossas emoções mais superficiais. (...).

Tudo isto seria um caminho terrivelmente intimista se não nos mandasse ao encontro dos outros. [...]

 José Tolentino Mendonça

imagem: Joey Williams

2 Comments:

Valdja Maria said...

Nossa !!!!!Que profundo!!Resumindo,seria muito bom se as pessoas ainda cultivassem valores,esses que nao deveriam ser esquecidos ,se assim fosse nao estariamos num mundo tao maluco,volto a dizer sem valores!FELIZ PÁSCOA

Claudia Sousa Dias said...

gostei muito. um beijo fraterno para ti e outro para o José Tolentino Mendonça se o encontrares um dia...