sexta-feira, junho 4

Amor como em casa


Regresso devagar ao teu

sorriso como quem volta a casa. Faço de conta que

não é nada comigo. Distraidíssimo percorro

o caminho familiar da saudade,

pequeninas coisas me prendem,

uma tarde no café, um livro. Devagar

te amo e às vezes depressa,

meu amor, e às vezes faço coisas que não devo,

regresso devagar a tua casa,

compro um livro, entro no

amor como em casa.
Manuel António Pina
imagem: Tagreed Albagshi

2 Comments:

PAS[Ç]SOS said...

Em cada regresso, a vontade de recuperar. O despir da saudade e o prazer de sentar no sofá e desfrutar o sabor de nos sentirmos em casa, defronte dum sorriso, aconchegados pela manta do amor. Serenamente como quem lê um livro e tarda em passar depressa pela felicidade.

Vera said...

É lindo este poema