
Não entendo. Isso é tão vasto que ultrapassa qualquer entender. Entender é sempre limitado.
Mas não entender pode não ter fronteiras. Sinto que sou muito mais completa quando não entendo.
Não entender, do modo como falo, é um dom.
Não entender, mas não como um simples estado de espirito. O bom é ser inteligente e não entender.
É uma benção estranha, como ter loucura sem ser doido.
É um desinteresse manso, uma doçura de burrice.
Só que de vez em quando vem a inquietação: quero entender um pouco. Não demais, mas pelo menos
entender que não entendo.
Clarice Lispector
imagem : Edvard Munch


8 Comments:
Genial.
Vou colocar um link no meu blog, para este teu post.
Espero que não te importes.
Muito bom. :)
Marta, hoje, estou quebrando a cabeça para entender algo que não entendo, algo que me fere sem eu saber o porque do ataque. Então, esse post vem a calhar ou acalmar, o que, talvez, realmente, não tenha explicação.
> entender o que não entendo<
Essa é a chave da caixa do mistério.
Não conhecia essa do Munch.
Um beijo, MARTA.
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. entre.des.entendimentos entendíveis .
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. bel.íssimo .
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. um beijo meu .
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. paulo .
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De facto, há muita vida em Marta! Que belo recorte da vida. Faz um estouro de uma rolha que espalha sabor e vida. Obrigado.
Quantas vezes não entender é de facto uma bênção...
Um beijinho, Marta.
eu adoro e entendo Clarice... mas não entendo o mundo. nem poderia. nem deveria.
Adorei o título do seu blog. Criativo ao extremo.
abraço.
gosto de me fazer desatendido. por vezes...
beijos
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