sexta-feira, junho 11

Não entendo


Não entendo. Isso é tão vasto que ultrapassa qualquer entender. Entender é sempre limitado.
Mas não entender pode não ter fronteiras. Sinto que sou muito mais completa quando não entendo.

Não entender, do modo como falo, é um dom.

Não entender, mas não como um simples estado de espirito. O bom é ser inteligente e não entender.
É uma benção estranha, como ter loucura sem ser doido.

É um desinteresse manso, uma doçura de burrice.

Só que de vez em quando vem a inquietação: quero entender um pouco. Não demais, mas pelo menos
entender que não entendo.

Clarice Lispector

imagem : Edvard Munch

8 Comments:

YeuxdeFemme said...

Genial.
Vou colocar um link no meu blog, para este teu post.
Espero que não te importes.
Muito bom. :)

Bípede Falante said...

Marta, hoje, estou quebrando a cabeça para entender algo que não entendo, algo que me fere sem eu saber o porque do ataque. Então, esse post vem a calhar ou acalmar, o que, talvez, realmente, não tenha explicação.

João Menéres said...

> entender o que não entendo<
Essa é a chave da caixa do mistério.


Não conhecia essa do Munch.

Um beijo, MARTA.

. intemporal . said...

.

. entre.des.entendimentos entendíveis .

.

. bel.íssimo .

.

. um beijo meu .

.

. paulo .

.

Djabal said...

De facto, há muita vida em Marta! Que belo recorte da vida. Faz um estouro de uma rolha que espalha sabor e vida. Obrigado.

Ana said...

Quantas vezes não entender é de facto uma bênção...

Um beijinho, Marta.

V. Linné said...

eu adoro e entendo Clarice... mas não entendo o mundo. nem poderia. nem deveria.

Adorei o título do seu blog. Criativo ao extremo.

abraço.

heretico said...

gosto de me fazer desatendido. por vezes...

beijos