quinta-feira, março 22

Era o mundo feito abecedário. Muito nosso.




[...] Outras vezes, a minha mãe recebia cartas que já tinham andado de avião, antes de viajarem na bicicleta do Senhor Mário. Eram azuis, um azul claro, bordado a vermelho a toda a volta. Faziam-me pensar, essas cartas que atravessavam nuvens para chegar.[...]

[...] Desde miúda que as cartas - todas as cartas – me seduzem. Quando comecei a recebe-las, dirigidas a mim, percebi o porquê da minha intuição. Era o mundo feito abecedário. Muito nosso.

imagem: Tiago Taron

3 Comments:

Sininho said...

Tão bonito esse texto e a carta dos sonhos como eu gosto de lhe chamar. Dois poemas é o que é:))

João Menéres said...

E o forro interior do envelope não era cor de rosa, por vezes com suaves florinhas ?

Um beijo.

Bípede Falante said...

Adoro envelopes manchados de tempo, memórias, lágrimas :)
beijoss