domingo, junho 12

Navegar

Navega, descobre tesouros,
mas não os tires do fundo do mar,
o lugar deles é lá.
Admira a Lua,
sonha com ela,
mas não queiras trazê-la para Terra.
Goza a luz do Sol,
deixa-te acariciar por ele.
O calor é para todos.
Sonha com as estrelas,
apenas sonha,
elas só podem brilhar no céu.
Não tentes deter o vento,
ele precisa correr por toda a parte,
ele tem pressa de chegar sabe-se lá onde.
As lágrimas?
Não as seques,
elas precisam correr na minha, na tua, em todas as faces.
O sorriso,
Esse deves segurar,
não o deixes ir embora, agarra-o!
Quem amas?
Guarda dentro de um porta jóias, tranca, perde a chave!
Quem amas é a maior jóia que possuis, a mais valiosa.
Não importa se a estação do ano muda,
se o século vira, conserva a vontade de viver,
não se chega a parte alguma sem ela.
Abre todas as janelas que encontrares e as portas também.
Persegue o sonho, mas não o deixes viver sozinho.
Alimenta a tua alma com amor, cura as tuas feridas com carinho.
Descobre-te todos os dias,
deixa-te levar pelas tuas vontades,
mas não enlouqueças por elas.
Procura!
Procura sempre o fim de uma história,
seja ela qual for.
Dá um sorriso àqueles que esqueceram como se faz isso.
Olha para o lado, há alguém que precisa de ti.
Abastece o teu coração de fé, não a percas nunca.
Mergulha de cabeça nos teus desejos e satisfá-los.
Agoniza de dor por um amigo,
só sairás dessa agonia se conseguires tirá-lo também.
Procura os teus caminhos, mas não magoes ninguém nessa procura.
Arrepende-te, volta atrás,
pede perdão!
Não te acostumes com o que não te faz feliz,
revolta-te quando julgares necessário.
Enche o teu coração de esperança, mas não deixes que ele se afogue nela.
Se achares que precisas de voltar atrás, volta!
Se perceberes que precisas seguir, segue!
Se estiver tudo errado, começa novamente.
Se estiver tudo certo, continua.
Se sentires saudades, mata-as.
Se perderes um amor, não te percas!
Se o achares, segura-o!
Circunda-te de rosas, ama, bebe e cala.
"O mais é nada"
 
[autor desconhecido]

Nota: este texto não é de Fernando Pessoa mas circula por aí como se fosse...

11 Comments:

sem-se-ver said...

fernando pessoa?....

Marta said...

sim.
não?

Luis Eme said...

sempre inconfundível, sempre actual, sempre belo.

fallorca said...

Minha querida Amiga, acabo de saber que «navegou» até ao Terráqueo
Bem-haja

Marta said...

...já andam citações belíssimas por outros planetas
"extraordionário poeta", diz-se por lá, eu li e sorri...cúmplice, porque tb concondo com aquele querido Terráqueo!

sem-se-ver said...

não, marta, não...

Marta said...

é de quem?

[recebi o poema, ontem, por mail, como se fosse...:( ]

sem-se-ver said...

de ninguém. alguém que junta umas banalidades (desc a frontalidade) e lhes dá a caução de um grande poeta. acontece tanto por essa net fora... :-(

Marta said...

obrigada por avisar...!

quanto às banalidades - não tem de pedir desculpa pela frontalidade - mas tb há consagrados que as assinam... acontece aos melhores!

josé luís said...

há vários poemas deste tipo a circular, atribuídos ao irmão fernando antónio. existe um já célebre, que fala em apanhar as pedras que se vão encontrando no caminho.
no entanto, o "poema-falso" mais
famoso de todos é "Instantes", aribuído ao meu primo argentino jorge luís e que só recentemente se esclareceu ser de uma autora admiradora. deixo-lho aqui para avaliar:


Instantes

Se eu pudesse viver novamente a minha vida, na próxima trataria de cometer mais erros. Não tentaria ser tão perfeito, relaxaria mais.
Seria mais tolo ainda do que tenho sido; na verdade, bem poucas pessoas
levariam a sério.
Seria menos higiênico. Correria mais riscos, viajaria mais, contemplaria
mais entardeceres, subiria mais montanhas, nadaria mais rios. Iria a mais
lugares onde nunca fui, tomaria mais sorvete e menos lentilha, teria mais
problemas reais e menos imaginários.
Eu fui uma dessas pessoas que viveu sensata e produtivamente cada minuto da sua vida. Claro que tive momentos de alegria. Mas, se pudesse voltar a viver, trataria de ter somente bons momentos. Porque, se não sabem, disso é feito a vida: só de momentos - não percas o agora.
Eu era um desses que nunca ia a parte alguma sem um termômetro, uma bolsa de água quente, um guarda-chuva e um pára-quedas; se voltasse a viver, viajaria mais leve.
Se eu pudesse voltar a viver, começaria a andar descalço no começo da primavera a continuaria assim até o fim do outono.
Daria mais voltas na minha rua, contemplaria mais amanheceres e brincaria com mais crianças, se tivesse outra vez uma vida pela frente.
Mas, já viram, tenho 85 anos e sei que estou morrendo.


[autoria atribuída a Nadine Stair - depois de considerado como "póstumo de Jorge Luis Borges"]

fallorca said...

Não me digam que um famoso falsário do Chiado voltou a esgalhar «inéditos» do autor que se quiser