domingo, janeiro 16

de resto, também dizemos coisas quando não as dizemos

chega de conversa, diria o meu avô aníbal. e teria razão. pescador toda a vida, apreendeu essas secretas passagens que o silêncio incute e promove. falar, afinal, não é matar de modo inconsistente todos os modos do sossego?

o que, por agora, tinha para dizer deve estar nas páginas que se seguem. dez anos antes ou depois, há frases que nos vão resumindo – cicatrizam-se em nós (porque o mundo / assim como sou / não me basta). pensei também em dizer que, algures, entre estes dois livros, seguem longas linhas de uma sincera confissão. mas depois vi que isso seria uma redundância humana.
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de resto, também dizemos coisas quando não as dizemos...



imagem: Luis Belrán

2 Comments:

Carla Farinazzi said...

Marta querida!

Que saudades... Estava eu por acaso a pensar (e exercitar) o silêncio por esses dias...

Grande texto, um beijo

Carla

La Vanu said...

Caiu como uma luva. Detesto ouvir o silêncio dos outros que teimam em me dizer coisas ficando calados. Silêncio só o próprio mesmo.